A decisão de Donald Trump de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros desafia a boa relação de Brasil e Estados Unidos. Para além de disputa comercial, o episódio expõe divergências de estratégicas ameaçando enfraquecer parceria historicamente relevante.
A explicação de Washington mistura questões comerciais com temas de natureza regulatória e política. A acusação confessa a deliberada “treta”, ao incluir no pacote de absurdos o Pix, as plataformas digitais, o combate ao desmatamento e até alegações de corrupção.
Essa postura reforça a percepção de ofensiva contra o Brasil, ensejando a defesa da soberania, quase instantaneamente, na pronta resposta de consistente nota oficial. Ao classificar a medida como “marco lastimável” e adotar a Lei de Reciprocidade, o Brasil vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O objetivo inicial ficou demonstrado, na resistência contra sanções injustificadas. A dura contenda pode ter desdobramento contrário ao esperado pelo lesa-pátria autoexilado em conluio com o irmão, pré-candidato em queda na intenção de voto.
A defesa do Pix tornou-se escudo da resistência para além de objeto de narrativas, entre duas premissas, a luta pelo sistema de pagamento, ou a sua entrega. Na posição do lado do povo brasileiro, a arte de saber transferir, modo instantâneo, é uma invenção brasileira em benefício social da coletividade do país.
O sistema de pagamentos instantâneos é uma das maiores inovações financeiras, obtendo reconhecimento internacional pela eficiência e inclusão proporcionadas. O Brasil tem o direito de defender sua soberania e seus interesses econômicos. Os Estados Unidos, por sua vez, reivindicam legitimidade para proteger os seus.
Contudo, quando o abuso do conflito substitui a negociação, ambos os lados perdem. Todo este contexto extremista poderia ser evitado se houvesse boa vontade do agressor. Quando se aponta a torto, visando a obtenção de um ganho que sequer revela, na brumosa surdina das dissensões, o espírito beligerante já está instalado.