Se antes foi assunto pela comemoração efusiva da classificação da Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo, desta vez o coiteense Delton Silva, mais conhecido como Cazuza, voltou a chamar a atenção por um motivo bem diferente. Declaradamente torcedor da seleção argentina desde a infância, ele contou ao Calila Notícias que não tem tido sossego desde o apito final da decisão que consagrou a Espanha campeã mundial ao vencer a Argentina.
Quem passa por Cazuza nas ruas de Conceição do Coité facilmente imagina estar diante de um argentino. Sempre vestido com as cores da seleção alviceleste e apaixonado pelo futebol dos “hermanos”, ele ficou conhecido nacionalmente entre os leitores do Calila após soltar fogos de artifício em frente à Igreja Matriz, comemorando a classificação argentina sobre o Egito, de virada, que garantiu vaga nas quartas de final.

Agora, a cena é outra. Em vez da festa, vieram as brincadeiras dos amigos e rivais.
“Não estou tendo sossego desde o apito final”, contou, entre risos, ao relatar a quantidade de mensagens e provocações que vem recebendo e memes, como a montagem com ele dançando Tango.

Apesar da frustração pela perda do título, Cazuza faz questão de reconhecer que a Espanha foi a seleção mais forte da competição.
“Eu queria muito que a Argentina fosse campeã para premiar Messi, que para mim é o maior jogador do mundo. Foi a última Copa dele e ele foi o principal responsável por levar a seleção até a final. Mas nunca escondi que a Espanha era melhor. Desde o início da Copa eu dizia que a Espanha seria campeã, a França ficaria em segundo e a Argentina em terceiro”, afirmou.
Segundo ele, a campanha argentina foi construída principalmente pelo entrosamento do elenco que permaneceu praticamente o mesmo desde a conquista do último Mundial.

“A Argentina chegou à final porque manteve uma base que joga junta há muito tempo. Mas a Espanha tem um conjunto ainda mais forte, uma seleção qualificada em todos os setores do campo. Grande parte dos jogadores atua junta no Barcelona. Não é por acaso que sofreu apenas um gol durante a Copa e chegou ao título mantendo uma invencibilidade de 38 partidas”, avaliou.
A receita para o hexa brasileiro
Apaixonado por futebol, Cazuza também comentou o momento da Seleção Brasileira e acredita que o caminho para conquistar o tão sonhado hexacampeonato passa por um planejamento de longo prazo.
Para ele, o Brasil precisa abandonar a constante troca de jogadores experientes e apostar definitivamente em uma nova geração, dando tempo para que o grupo adquira entrosamento. “O Brasil precisa formar uma base. Coloca os meninos como Estevão, Endrick e outros jovens para jogar Copa América, amistosos e Eliminatórias. Mesmo que perca alguns jogos no começo, o importante é manter o grupo junto. Foi assim que Argentina e Espanha construíram equipes vencedoras. Futebol moderno se ganha com conjunto”, opinou.
Mesmo sem o título, Cazuza garante que continuará sendo fiel à camisa alviceleste. E sabe que, enquanto durar a ressaca da final, terá de conviver com as inevitáveis provocações dos amigos.
Desta vez, porém, ele prefere responder com uma análise técnica do que apenas com a paixão de torcedor: para ele, a Espanha foi uma campeã incontestável, mas o sonho de ver Messi encerrar a carreira com mais uma Copa do Mundo ficará para sempre entre os maiores “e se” do futebol.
Importante lembrar que Cazuza é baiano, coiteense e tem o Bahia como time do coração.