Artistas de diferentes gêneros reinventam clássicos de Chico Buarque

5

Canções de Chico Buarque ganharam novas versões em Chico 2.0, projeto que reúne artistas de diferentes gerações e estilos para revisitar o repertório do compositor.

A primeira parte do trabalho chegou às plataformas digitais na última quinta-feira, 21, enquanto a segunda etapa está prevista para outubro.

Tudo sobre Música em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

A iniciativa reúne nomes como Dexter, MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Don L, VANDAL, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz. As releituras transitam entre rap, trap, funk, R&B, samba, soul e nova MPB.

Leia Também:

O projeto é realizado pela CUFA, FRecords, Tha House e Universal Music Brasil. A produção musical é assinada por Felipe Poeta e Alê Siqueira, enquanto a construção do trabalho também envolve Celso Athayde, Preto Zezé e Fábio Almeida.

Clássicos ganham novas sonoridades

A proposta de Chico 2.0 é revisitar composições de Chico Buarque a partir das referências de artistas da música contemporânea. As novas versões mantêm elementos das obras originais, mas seguem caminhos diferentes de acordo com o universo de cada intérprete.

“Desde o começo, a ideia foi criar essa ponte entre a obra do Chico e a música urbana de hoje. Mesmo sendo letras escritas em outros contextos, as histórias, os amores e os temas que ele aborda continuam muito atuais. Então, trazer essas músicas para artistas de diferentes gerações e estilos fez muito sentido”, afirma Felipe Poeta.

“A gente quis inovar sonoramente, mas sempre com muito respeito pela obra, principalmente pelas harmonias e melodias do Chico. Acho que o mais legal é justamente conseguir levar essas histórias, que já são tão conhecidas, para uma geração mais nova que acompanha a música urbana”, completa.

Entre as faixas revisadas está “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil, interpretada por MC Cabelinho. Já MC Livinho participa de novas versões de “Construção” e “Pivete”, enquanto Dexter também aparece em “Construção”.

Tasha & Tracie levam suas referências para “Deus Lhe Pague”. Em “João e Maria”, Júlia Mestre divide os vocais com TZ da Coronel, em um encontro entre diferentes universos musicais.

Don L e VANDAL unem vozes do Nordeste

Um dos encontros do projeto reúne Don L e o baiano VANDAL em uma faixa que também conta com as participações de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque.

“Eu sou um grande fã da obra de Chico, então recebi o convite muito honrado, pra interpretar uma música muito importante na história do Brasil e importante de ser lembrada no momento atual e pra sempre. Resolvi fazer uma interpretação mais malandra, mais rap, sempre citando a melodia original, ao lado do VANDAL que é uma voz das ruas de Salvador, um cara que eu tenho grande admiração. É também um convite ao nosso público mais jovem a conhecer a obra do Chico”, afirma Don L.

VANDAL também comenta a parceria: “Estou de coração preenchido e grato por participar de um projeto tão importante, ao lado de nomes tão relevantes da música brasileira. O que mais me toca é poder interpretar uma faixa com Milton Nascimento e o próprio Chico Buarque. Também fico muito feliz em dividir esse momento com Don L, uma voz nordestina que admiro. Essa conexão entre dois artistas do Nordeste era muito esperada e, para mim, representa uma entrega muito especial ao nosso povo.”

Da nova MPB ao R&B

Além dos artistas ligados ao rap, trap e funk, o projeto reúne intérpretes associados ao R&B, pop e nova MPB. Xênia França, Budah, Grag Queen, Júlia Mestre e Bela Maria participam das releituras.

Xênia França já havia se aproximado da obra de Chico Buarque em uma homenagem ao compositor e agora participa do novo projeto. “Para mim, é uma honra participar desse projeto. Chico é um dos grandes mestres da música e da cultura brasileira, e sua obra sempre esteve no meu imaginário. Adorei a proposta de trazer suas crônicas para o presente, mostrando como elas continuam atuais na voz de artistas contemporâneos. Me sinto muito lisonjeada de fazer parte dessa homenagem e de interpretar canções tão profundas.”

Grag Queen, por sua vez, interpreta “Geni e o Zepelim” e incorpora elementos de seu próprio universo à nova leitura da canção.

“Foi uma experiência muito singular e de muita responsabilidade, mas também uma oportunidade de contar novamente essa história a partir da minha linguagem. Como drag queen e intérprete, pude levar para a música meu universo, meu deboche, meus cacos e minha perspectiva, respeitando a essência de uma obra que atravessa gerações”, afirma Grag Queen.

Bela Maria revisita “Meu Caro Amigo”, canção que faz parte de sua trajetória pessoal. “Foi uma honra das grandes dar uma nova roupagem a um clássico que escuto desde pequena. Me diverti muito explorando tons e ritmos que não costumo lançar, mas que fazem parte da minha vida. E, para mim, homenagear quem abriu portas para nós e valorizar a riqueza da música brasileira é sempre um ato necessário. Chico democratiza isso da maneira mais bonita possível: ele canta nossa história.”

Projeto reúne diferentes gerações

Segundo Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas (CUFA) e um dos idealizadores, o projeto busca aproximar diferentes gerações da música brasileira.

“Dirigir artisticamente o projeto Chico 2.0 é uma responsabilidade imensa com a história da nossa música. Os grandes clássicos do gênero sempre beberam na fonte da cultura popular. O que estamos fazendo aqui é dar continuidade a essa linhagem, garantindo que a nova geração de artistas e ouvintes ocupe esse espaço com propriedade, qualidade técnica e autonomia narrativa.”

Preto Zezé, presidente da CUFA, também destaca a intenção de relacionar o repertório do compositor às linguagens contemporâneas.

“O conceito de Música Popular Brasileira precisa acompanhar a velocidade e a estética do Brasil de hoje. Nossa direção artística partiu do princípio de que a obra de Chico Buarque, por exemplo, não pertence a um grupo seleto: ela é fruto da vivência popular. Este projeto não é um resgate nostálgico, é uma afirmação de futuro, conectando a sofisticação do gênero com a potência, o ritmo e a visão de mundo da favela contemporânea.”

Fábio Almeida ressalta a construção coletiva do álbum e o encontro entre diferentes estilos.

“Desde o início, o Chico 2.0 foi pensado como um encontro entre gerações, linguagens e diferentes formas de fazer música. A escolha de cada artista e de cada canção foi construída coletivamente, buscando respeitar a essência da obra do Chico e, ao mesmo tempo, permitir que esses artistas trouxessem suas próprias identidades para esse repertório. O mais potente desse projeto é justamente essa troca: aproximar uma obra atemporal de uma nova geração, sem perder sua força, mas revelando novas possibilidades de escuta.”



Fonte: A Tarde

Artigos relacionados

Últimas notícias

Reviravolta no Carnaval! Paolla Oliveira dá o troco na Grande Rio e assina com rival histórica para 2027

O jogo de cadeiras nas escolas de samba do Rio de Janeiro ganhou um...

Últimas notícias

TRE barra primeiras candidaturas na Bahia; veja quem ficou de fora

A candidatura de José Estêvão (DC) não foi a única a ser...

Últimas notícias

Após morte em dia de Ba-Vi, Maria Marighella cobra compromisso de clubes e entidades contra violência – Calila Noticias

A candidata a deputada federal Maria Marighella (PT) defendeu uma atuação conjunta...

Últimas notícias

Homem é preso em flagrante após invadir igreja e ameaçar ex-mulher

Um homem de 38 anos foi preso pelo 24º Batalhão de Polícia...