TikTok é multado em R$ 150 milhões por falhas em dados de crianças

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A ByteDance, controladora do TikTok, foi multada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em R$ 153,7 milhões por falhas no tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira, 25.

Também foi determinada a eliminação dos dados coletados de forma irregular, e a agência aprovou um plano de conformidade apresentado pela empresa para reforçar a proteção de menores na plataforma.

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A ANPD disse que foram identificadas cinco violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em duas formas de acesso ao TikTok: o “feed sem cadastro”, que pode ser acessado sem criação de conta, e o “feed com cadastro”.

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Falhas encontradas

A agência concluiu que, no acesso sem cadastro, o TikTok tratava dados de crianças e adolescentes sem uma base legal válida e não adotava medidas suficientes para impedir esse tratamento.

Já no acesso com cadastro, a ANPD apontou problemas semelhantes. A empresa tratava dados desse público para realizar o cadastro sem uma base legal válida e não adotava medidas eficazes para impedir o cadastro de crianças e adolescentes.

Além disso, a agência afirmou que a empresa não demonstrou de forma suficiente que as medidas adotadas eram capazes de garantir o cumprimento das regras de proteção de dados.

A Superintendência de Fiscalização da ANPD pontuou que os mecanismos utilizados pelo TikTok não eram suficientes para evitar, desde o início, o tratamento inadequado de dados de crianças e adolescentes.

A área técnica também afirmou que faltavam evidências de que as medidas adotadas pela empresa eram efetivas.

A multa de R$ 153,7 milhões se refere às condutas identificadas no período analisado pela agência. A ByteDance pode recorrer da decisão ao Conselho Diretor da ANPD em até dez dias úteis a partir da notificação, feita na segunda-feira, 24.

TikTok deverá adotar medidas

O TikTok deverá, como parte do plano de conformidade, adotar medidas específicas para aumentar a proteção de crianças e adolescentes.

Entre as medidas, estão:

  • Privacidade: contas de usuários com menos de 16 anos terão, automaticamente, configurações mais restritivas de privacidade. A mudança dessas configurações dependerá de autorização dos responsáveis;
  • Supervisão dos pais: a plataforma deverá reforçar os mecanismos de controle parental;
  • Conteúdo: o TikTok terá de adotar filtros mais rigorosos para limitar o acesso de menores a conteúdos inadequados.

Para quem acessa a rede social sem criar uma conta, o plano prevê ainda restrições ao uso da plataforma.

São elas:

  • Tempo de acesso: a experiência será limitada a 12 horas;
  • Interações: o usuário não poderá criar conteúdo, comentar, enviar mensagens diretas ou interagir socialmente;
  • Seguidores: não será possível seguir outros usuários nem ser seguido por eles;
  • Transmissões ao vivo: o usuário não poderá publicar nem assistir a lives;
  • Personalização: a recomendação de conteúdo será menos personalizada;
  • Publicidade: os anúncios serão suspensos no Brasil;
  • Conteúdo: o acesso ficará restrito a conteúdos adequados para todas as idades.

Ademais, o TikTok deverá reduzir a quantidade de dados coletados nessa modalidade de acesso.

Serão utilizados, por exemplo, dados de idioma e região para definir conteúdos relevantes, informações básicas do dispositivo para prevenção de fraudes e dados necessários para melhorar o funcionamento do aplicativo.

Plano aprovado

O Conselho Diretor da ANPD aprovou, em grau de recurso, o plano de conformidade apresentado pela ByteDance. A aprovação consta em outra decisão publicada nesta terça-feira.

No entanto, a aprovação, inclui a exigência de que a empresa cumpra as regras de verificação de idade previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), conforme o cronograma definido pela própria agência.

De acordo com a ANPD, as medidas previstas no plano reduzem os riscos identificados no processo, entre elas a suspensão de anúncios, a desativação de transmissões ao vivo e das mensagens diretas no acesso sem cadastro.



Fonte: A Tarde

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