O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, não se comprometeu com a manutenção da política de valorização real do salário mínimo em seu plano de governo para o período de 2027 a 2030. O documento, que tem 76 páginas, não apresenta uma proposta específica para garantir reajustes do piso nacional acima da inflação.
A ausência da medida chama atenção porque, em junho, Flávio havia declarado que pretendia manter a atualização do salário mínimo acima da inflação caso fosse eleito. Na ocasião, o senador afirmou que não pretendia mexer na política de valorização do piso.
Agora, porém, a diretriz não aparece no programa apresentado oficialmente pela campanha. O documento também não estabelece uma fórmula alternativa para os reajustes nem detalha qual seria a política adotada para o salário mínimo durante um eventual governo do candidato.
Governo prevê mínimo de R$ 1.741 em 2027
A discussão ocorre justamente quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou uma nova projeção para o salário mínimo de 2027. O valor previsto é de R$ 1.741, contra os atuais R$ 1.621.
A estimativa representa um aumento de R$ 120, equivalente a 7,4%. O cálculo segue a política de valorização do salário mínimo, que considera a inflação medida pelo INPC e o crescimento do PIB de dois anos antes, dentro das limitações estabelecidas pelo arcabouço fiscal.
O valor de R$ 1.741 ainda é uma projeção e poderá sofrer alteração até o fim de 2026, quando será conhecido o INPC acumulado até novembro. Caso seja confirmado, o novo piso entrará em vigor em janeiro de 2027.
Mudança de discurso
A falta de uma promessa explícita no plano de governo contrasta com a declaração feita anteriormente por Flávio. Em entrevista ao SBT News, em junho, o candidato havia afirmado que manteria a atualização do salário mínimo acima da inflação.
Naquele momento, a previsão do governo era de um salário mínimo de R$ 1.717 para 2027. A projeção foi posteriormente elevada para R$ 1.741 em razão da atualização das estimativas de inflação.
A política de valorização tem impacto direto sobre trabalhadores que recebem o piso nacional e também sobre aposentadorias, pensões e benefícios sociais vinculados ao salário mínimo. Por isso, alterações na fórmula de reajuste podem ter efeitos tanto sobre a renda de milhões de brasileiros quanto sobre as despesas do governo federal.
Programa prioriza ajuste fiscal
O programa de Flávio apresenta como uma de suas principais diretrizes a busca por maior controle das despesas públicas. A campanha também tem defendido redução da intervenção do Estado na economia e medidas de ajuste fiscal.
A coordenadora da área econômica da campanha, Daniella Marques, afirmou recentemente que uma eventual administração de Flávio teria como prioridade o controle das contas públicas e a redução do tamanho da estrutura do governo.
Com a ausência de uma proposta específica para a valorização do salário mínimo no plano oficial, permanece sem definição como um eventual governo Flávio Bolsonaro trataria os reajustes do piso nacional a partir de 2027.
Com informações da Revista Fórum