Garantir água limpa na torneira, coleta e tratamento de esgoto para toda a população não é apenas uma meta de infraestrutura — é um imperativo ético, social e de saúde pública. À medida que avançamos na consolidação das diretrizes do Novo Marco Legal do Saneamento Básico, o estado da Bahia enfrenta uma das missões mais complexas e desafiadoras de sua história: atingir a universalização dos serviços até o final desta década.
A meta fixada pela legislação nacional é clara e ambiciosa: assegurar que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% contemple serviços de coleta e tratamento de esgoto. No entanto, para traduzir números e diretrizes em dignidade no dia a dia do cidadão, é preciso encarar as particularidades geográficas e socioeconômicas do nosso território.
A Bahia carrega o desafio da diversidade. Possuímos a maior população rural do país, com comunidades isoladas espalhadas pelo Semiárido, além de densas aglomerações urbanas e periferias em nossos grandes centros. Tratar o saneamento de forma homogênea seria um erro estratégico. A universalização não acontecerá com soluções únicas, mas sim com a integração entre grandes obras estruturantes de macrodrenagem e adutoras no interior e sistemas descentralizados e tecnológicos — como a dessalinização por energia solar — em áreas de difícil acesso.
Outro pilar decisivo nessa jornada é a governança. A regionalização dos serviços, estruturada por meio do Plano Estadual de Saneamento Básico e da criação das microrregiões, permitiu criar ganhos de escala e atração de investimentos. O trabalho conjunto entre os governos estadual e federal — fortalecido pelos aportes do Novo PAC e financiamentos públicos — ao lado da complementariedade da iniciativa privada, é o motor necessário para suprir o volume histórico de investimentos de que a Bahia necessita.
Tratar de saneamento é, sobretudo, tratar do futuro da saúde pública e do desenvolvimento econômico. Cada real aplicado em redes de esgoto e saneamento rural retorna em redução de internações por doenças hídricas, preservação dos nossos recursos hídricos e geração de emprego direto na construção civil e operação de sistemas.
O caminho até 2033 exige esforço contínuo, planejamento rigoroso e capacidade de articulação entre Estado, municípios e sociedade. A SIHS segue firme no compromisso de coordenar essas transformações, garantindo que o progresso alcance desde a capital até a comunidade mais remota do nosso Sertão. A água é um direito universal e a infraestrutura sanitária é o alicerce para uma Bahia mais justa e sustentável.
*Secretária de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia (SIHS)