Valdir foi executado a tiros
A defesa de Edgar da Silva Santos, acusado de ser o mandante da morte do cabeleireiro Valdir Macário, contestou as informações de que seria responsável pelos sucessivos adiamentos do julgamento. Em nota divulgada nesta segunda-feira (14), o advogado criminalista Ivan Jezler Costa Junior apresentou a versão da defesa sobre as remarcações e afirmou que não há interesse em atrasar o processo.
O júri mais recente estava marcado para 10 de setembro, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, mas acabou suspenso após Ivan Jezler ser internado durante a madrugada por um problema de saúde. O julgamento foi remarcado para 6 de outubro. Na ocasião, o Tribunal de Justiça da Bahia informou que a estrutura para a sessão estava preparada e que o pedido da defesa ocorreu minutos antes do início dos trabalhos.
Na nota, o advogado afirma que foi atendido em caráter de urgência no Hospital Mater Dei e recebeu determinação médica para se afastar das atividades. Segundo ele, o quadro de infecção ainda o impede de exercer normalmente as atividades profissionais.
“Não houve qualquer manobra da defesa: trata-se de impedimento de saúde comprovado, surgido horas antes da sessão”, afirmou.
Defesa contesta número de adiamentos
Ivan Jezler também rebateu a declaração de que teria sido responsável por sete adiamentos do julgamento.
Segundo o advogado, dez remarcações ocorreram sem pedido da defesa, por motivos que, conforme afirma, foram reconhecidos e justificados pelo próprio Judiciário.
A contagem apresentada pela defesa é diferente da registrada em reportagens recentes. O adiamento de 10 de setembro foi tratado como o sétimo do júri. Antes disso, houve mudanças por diferentes motivos, incluindo a saída da defesa de Patric Ribeiro Tupinambá, outro acusado no processo, e a necessidade de participação do advogado de Edgar em uma sessão de habeas corpus no Tribunal de Justiça da Bahia.
A defesa sustenta, portanto, que não seria correto atribuir todos os adiamentos à atuação dos advogados.
Sessão de habeas corpus também provocou mudança
Uma das remarcações ocorreu em 25 de agosto, quando o júri foi adiado porque Ivan Jezler precisava participar de uma sessão na 1ª Câmara Criminal do TJ-BA, em um julgamento de habeas corpus. O júri acabou sendo marcado para 10 de setembro.
Na nota, o advogado afirma que a participação era relacionada ao exercício profissional e envolvia a defesa de outros advogados que estavam presos.
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Jezler também afirma que o advogado da assistência de acusação não se opôs à remarcação naquela ocasião. Segundo a defesa, isso teria ocorrido porque a representação particular da família da vítima havia sido apresentada poucos dias antes da sessão, o que, na avaliação do advogado de Edgar, não atenderia ao prazo previsto no artigo 430 do Código de Processo Penal.
Caso se arrasta desde 2016
Valdir Macário, conhecido como Valdir Cabeleireiro, foi assassinado em 12 de novembro de 2016, dentro do próprio salão, na Avenida Vasco da Gama, em Salvador.
Edgar da Silva Santos é apontado pelo Ministério Público da Bahia como mandante do crime, enquanto Patric Ribeiro Tupinambá é acusado de atuar como um dos executores. Segundo a acusação, o homicídio teria sido motivado por uma vingança.
O julgamento dos dois acusados vem sendo remarcado desde agosto. Em uma das ocasiões, a defesa de Patric deixou o processo, o que levou à necessidade de nomeação de um defensor para acompanhar o caso.