Mensagens obtidas em uma investigação da Polícia Federal apontam que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou, em 2023, a destinação de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, miliciano condenado no âmbito do processo relacionado ao assassinato da vereadora Marielle Franco.
Segundo a apuração divulgada pela Revista Fórum e pelo Estadão, Calixto teria atuado nas tratativas para viabilizar recursos destinados a uma organização não governamental ligada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato de Marielle e condenados pela Justiça no caso.
As conversas analisadas pelos investigadores mostram que a assessora de Flávio manteve contato com Calixto para tratar da liberação das emendas. Em determinado momento, ela também teria enviado um convite para que o miliciano participasse de um evento, onde poderia cobrar pessoalmente informações sobre o andamento dos recursos.
A investigação da PF apura possíveis desvios de emendas parlamentares destinadas a entidades do Rio de Janeiro ligadas aos irmãos Brazão. A operação que investiga o caso foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio Bolsonaro, segundo as informações divulgadas, não foi alvo da ação policial.
Robson Calixto foi condenado neste ano por organização criminosa no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco. As novas informações colocam sob investigação as tratativas envolvendo emendas parlamentares e integrantes ligados às estruturas políticas dos irmãos Brazão.
A existência das mensagens, por si só, registra as negociações entre a assessora e Calixto, mas a apuração sobre eventual desvio ou irregularidade na aplicação dos recursos permanece sob investigação das autoridades.
Com informações da Revista Fórum