O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou a proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de convidar representantes dos Estados Unidos para participar de uma eventual equipe de transição de governo caso o senador seja eleito presidente. Para Mercadante, a medida poderia permitir que um governo estrangeiro tivesse contato com informações estratégicas do Estado brasileiro.
Durante um evento em São Paulo, Mercadante afirmou que uma transição presidencial pode envolver acesso a dados de áreas como Defesa, Banco Central, sistema financeiro e Pix. “Como é que você vai abrir essas informações para outro país?”, questionou o presidente do BNDES, segundo o Diário do Centro do Mundo.
A proposta de Flávio veio a público após uma carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual ele agradeceu ao senador por um convite para que representantes americanos participassem de uma eventual transição de governo. A possibilidade estaria condicionada a uma vitória de Flávio nas eleições presidenciais de 2026.
Mercadante afirmou que sua avaliação se baseia também na experiência que teve durante a transição entre os governos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, integrantes da equipe tiveram contato com informações sobre a Margem Equatorial, projetos da Petrobras e dados relacionados às necessidades e prioridades das Forças Armadas.
O presidente do BNDES também citou informações mantidas pelo banco sobre terras raras e minerais críticos brasileiros. Segundo Mercadante, esses dados fazem parte de áreas estratégicas para o país e poderiam ser acessados durante um processo de transição.
Em outro trecho de sua fala, Mercadante criticou a possibilidade de influência estrangeira sobre decisões relacionadas aos recursos naturais brasileiros. Ele mencionou especialmente minerais estratégicos e a Margem Equatorial, defendendo que essas informações permaneçam sob controle do Estado brasileiro.
A proposta ocorre em meio à campanha presidencial de 2026 e às discussões sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos. O programa de governo de Flávio Bolsonaro também prevê uma reaproximação diplomática com Washington e outros parceiros internacionais, além de medidas voltadas à exploração e ao processamento de minerais críticos.
Com informações do DCM