Lazzo Matumbi mistura África e Bahia em single de álbum audiovisual

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Faltando pouco mais de um mês para o Dia da Consciência Negra, Lazzo Matumbi reforça o porquê Salvador é a cidade mais negra fora da África. Com mais de 40 anos de um trabalho dedicado à música negra brasileira e à militância anti-racista, o cantor lançou nesta sexta-feira, 2, o single “Matumbi”.

A canção, que leva seu sobrenome artístico, destaca a influência da África na Bahia e na formação do povo baiano. Ela faz parte do projeto “Matumbi Canta a Bahia”, primeiro audiovisual do artista, que foi gravado em julho deste ano, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

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Em entrevista exclusiva concedida ao portal A Tarde, ele explicou a essência por trás do hit, que tem produção musical assinada por Manno Góes. “É uma música que mostra esse lado alegre da Bahia e do povo baiano, mas também consciente e alerta a tudo, porque na realidade, mostra também que nós estamos de olho aberto”, disse.

Nós não estamos mais sonhando nem dormindo, pelo contrário, nós nos propusemos a escrever nossa própria história” Lazzo Matumbi

“É como diz a frase de Sueli Carneiro, que eles programaram nos matar, mas nós os programamos novamente. Então, eu acho que a gente tá aqui para reconstruir a nossa história, reescrevê-la com força, vigor, alma e amor, sem a imagem que tentam passar de que nós somos fragilizados e que estamos o tempo todo no mimimi”, completou.

“Somos várias áfricas que se encontram na Bahia”

Considerado um dos cantores com uma das vozes mais emblemáticas da Bahia, Lazzo afirma que o território baiano sempre foi ocupado por diversas nações oriundas de diferentes regiões do continente africano e é isso que ele busca traduzir em seu novo projeto.

“Nós somos várias Áfricas que se encontram aqui na Bahia. Várias nações, várias etnias, com várias culturas diferentes e ainda uma mistura fora do povo original, o que nos torna um povo caboclo e afro indígena”, destacou.

“A nossa história, através da nossa ancestralidade, é de reconstruir não só a Bahia, mas um país que seja mais justo e digno para os nossos futuros, ou seja, para os nossos filhos, netos e os outros que vierem. A gente faz esse papel para essa construção de algo melhor”.

Ele também destaca que sua missão como representante da música baiana é influenciar os jovens negros a lutarem pelo que acreditam ao escutarem suas músicas.

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“Quando eu me conecto com os mais jovens, é para dizer que essa luta continua e não pode parar. Então tem que ser passado o bastão de forma natural. E graças a Deus, hoje a gente pode dizer que temos jovens que pensam de forma diferente, me tendo como referência e dispostos a dar continuidade a essa coisa do orgulho baiano”, disparou.

Espaço para quem está chegando

Lazzo Matumbi e BaianaSystem juntos durante a gravação do audiovisual
Lazzo Matumbi e BaianaSystem juntos durante a gravação do audiovisual – Foto: Divulgação | @MatheusL8

Apesar de ser a voz principal, Lazzo não fez o projeto sozinho. O cantor convidou alguns colegas de profissão para ajudarem a construir a narrativa musical que evidencia a força e a diversidade cultural baiana.

Dentre os nomes convidados estão BaianaSystem, BNegão, Rachel Reis, Ravi Lobo e Coro MultiVox, sob a regência do maestro Ângelo Rafael Palma da Fonseca. Artistas que passeiam por diversos gêneros musicais e se fundem com o samba-reggae, o ijexá e o reggae.

“Quando eu trago essas pessoas que estão no álbum, é porque eles de certo modo já militam nas suas trajetórias individuais como grandes protagonistas da sua própria história, também faz parte da história desse povo baiano e principalmente do povo brasileiro, que é um povo que lutou e conquistou a independência do Brasil”, destacou.

“Cada um deles traz sua própria história e interpreta músicas falando do amor da Bahia. […] Eu acho que quando a gente junta tudo isso é um discurso que a Bahia precisa ouvir e o Brasil precisam ouvir”, completou.

O que o público pode esperar?

Por fim, Lazzo alegou que o público pode esperar um projeto que exalta a ancestralidade e mostra que o povo negro deve serguir lutando por reconhecimento e ascenção.

“O audiovisual mostra um laço de uma mistura de ritmos que podem se juntar a várias outras culturas musicais dentro de um trabalho só. E isso mostra exatamente essa nossa mistura e exalta que somos um povo bem formado na construção do povo baiano”, disparou.

“Hoje nós sabemos quem nós somos e não estamos mais de olho fechado tentando adivinhar. A gente sabe o que a gente quer e que a gente precisa cada vez mais ser respeitado. Ou seja, se não lutarmos para que isso aconteça, ninguém vai nos dar de mão beijada. Então, por isso que esse chamamento de de aquilombamento é algo altamente significativo”, concluiu.

O projeto conta com a produção executiva da MAPA Fonográfica e a distribuição digital da ADA/Warner. O lançamento do álbum e audiovisual está previsto para novembro, mas a canção “Matumbi” já pode ser escutada em todas as plataformas digitais.



Fonte: A Tarde

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