O senador Ciro Nogueira (PP-PI) utilizou pelo menos R$ 136,5 mil em recursos do Senado para pagar uma empresa do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio Bolsonaro (PL). Os valores foram destinados à WT Administração de Imóveis e Bens por meio de um complemento de auxílio-moradia recebido pelo parlamentar.
Segundo levantamento divulgado pelo UOL, o pagamento correspondia a parcelas mensais de R$ 3.500 e ocorreu durante 39 meses, entre março de 2023 e maio de 2026. Ciro também recebia R$ 5.500 mensais de auxílio-moradia. De acordo com o Senado, os dois benefícios podem ser utilizados para custear o aluguel de um único imóvel.
A residência utilizada pelo senador fica em Brasília, tem 632 metros quadrados e foi adquirida em 2021 pela empresa de Willer Tomaz por R$ 4,5 milhões. Considerando o auxílio-moradia e o complemento, os pagamentos relacionados ao imóvel poderiam chegar a R$ 9 mil por mês, totalizando aproximadamente R$ 350 mil no período, embora os recibos do auxílio-moradia estejam sob sigilo.
Ciro passou a receber novamente o auxílio-moradia após retornar ao Senado, em dezembro de 2022, depois de ter deixado o cargo de ministro da Casa Civil. Em março de 2023, começou a receber também o complemento custeado com recursos da cota parlamentar. Segundo o levantamento, apenas oito dos 81 senadores receberam parte desse benefício neste ano.
Os pagamentos foram interrompidos em junho de 2026. No mês anterior, a residência utilizada por Ciro foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. O senador é citado nas investigações, mas a existência de uma apuração não representa, por si só, comprovação de irregularidade ou condenação.
Willer Tomaz também aparece em outras investigações. Segundo o UOL, ele é alvo de apurações relacionadas a fraudes no INSS e manteve negócios com pessoas ligadas ao caso Banco Master. A empresa também é apontada como proprietária de um apartamento utilizado por Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial.
Procurado para comentar os pagamentos, Ciro Nogueira não se manifestou. Willer Tomaz afirmou que os aluguéis são pagos diretamente pelos inquilinos e declarou que os contratos foram firmados a valores de mercado e são protegidos por confidencialidade.
Com informações do DCM