Alceu Valença leva clássicos eternos à Concha com turnê dos 80 anos

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Concha Acústica recebe Alceu Valença em show que celebra 80 anos de história –

Em Salvador, os sinais de uma grande celebração já começam a aparecer. Nesta sexta-feira, 10, a Concha Acústica do Teatro Castro Alves recebe a turnê 80 Girassóis, com Alceu Valença, em uma apresentação que marca suas oito décadas de vida.

O show, de caráter retrospectivo, revisita canções que atravessam gerações, como Tropicana, Solidão, Táxi Lunar, La Belle de Jour e Anunciação. A apresentação está prevista para as 19h, com ingressos disponíveis na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro, a partir de R$ 120.

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No palco, Alceu é acompanhado por Tovinho, responsável pelos teclados e direção musical, além de Cássio Cunha (bateria), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona), Costinha (flautas). O espetáculo conta ainda com Lui Coimbra (violas e violoncelo) e Natalia Mitre (percussão).

Show

A ideia de celebrar os 80 anos em uma turnê que gira em torno do sol partiu de sua esposa e foi prontamente acolhida por Alceu Valença, que segue com um vigor impressionante em cena.

Ele se define como um “eterno menino”, alguém que aprendeu a lidar com o tempo sem tentar aprisioná-lo. “Tempo é segredo, Senhor, de rugas e marcas e das horas abstratas, quando parou a pensar. Pois é”, diz.

Essa relação aparece também na forma como constrói suas canções. Alceu recorre à ideia da embolada para explicar um tempo que não se organiza em começo e fim, mas em fluxo. “Você vê a letra dela, eu marco tempo na base da embolada. O tempo em si não tem fim, não tem começo. Mesmo pensado ao avesso, não se pode mensurar”.

Para ele não adianta querer parar o tempo, mas sim garantir uma vida bem vivida. Essa boa relação com o tempo também pode ser percebida Com notável capacidade do artista renovar seu público, sucessos como Anunciação, Tropicana, Belle de Jour, Como Dois Animais, Coração Bobo, atravessam o tempo, recicladas a cada geração.

| Foto: Divulgação | Leo Aversa

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Desafios da carreira

Com 200 milhões de acessos no Spotify, Anunciação é cantada em estádios dentro e fora do Brasil, enquanto Belle de Jour possui mais de 300 milhões de visualizações no YouTube. Tropicana ultrapassa a marca de 100 milhões de ouvintes só no Spotify.

Se hoje o artista possui grande reconhecimento, no passado passou por alguns desafios. Ao longo da carreira, Alceu Valença precisou lidar com tentativas de enquadrar sua música em rótulos.

Ele lembra que, no início, havia quem o definisse como rock and roll, enquanto outros o associavam à MPB. Para ele, essa divisão nunca fez sentido. O caminho foi incorporar essas influências dentro de uma linguagem própria.

“Às vezes as pessoas diziam que eu era rock ‘n’ roll quando eu cheguei. Outros diziam que eu era MPB. Ficava aquela dicotomia. Aí eu simplesmente peguei e botei isso na música brasileira”, afirma.

Mesmo ao utilizar instrumentos como a guitarra, o artista ressalta que sempre buscou uma sonoridade ligada às suas raízes. Ele explica que o instrumento, por si só, não define um estilo, mas sim a forma como é tocado e o contexto em que está inserido. “A minha guitarra é uma guitarra absolutamente brasileira”, diz.

Para exemplificar, Alceu compara com a sanfona, lembrando que o mesmo instrumento pode soar de formas completamente diferentes a depender de quem toca. Assim, construiu uma identidade musical que escapa a classificações fáceis e reforça o caráter singular de sua obra.

Junção de paixões no palco

Além da música, Alceu nutre grande admiração pela sétima arte. Se engana quem pensa que a relação de Alceu Valença com o cinema se resume a trilhas sonoras. O artista trata o audiovisual como uma de suas grandes paixões, algo que se desdobra ao longo da carreira e ganha forma mais evidente em A Luneta do Tempo (2014), longa que dirigiu e que sintetiza esse interesse pela narrativa imagética.

Essa dimensão também atravessa a turnê 80 Girassóis. No palco, projeções de obras de artistas visuais pernambucanos dialogam com as canções e ajudam a construir uma espécie de linha do tempo afetiva, conectando memória, música e imagem.

A proposta, segundo ele, é criar uma experiência contínua, em que uma música se desdobra na outra, como em uma sequência cinematográfica. “Uma vai entrando na outra, e as pessoas estão assistindo como se fosse um filme”, explica.

Apreciador das artes plásticas, Alceu também incorpora referências visuais que fazem parte da sua trajetória. Obras de artistas como J. Borges e Edmar Fernandes aparecem nesse universo. Tudo isso, ao lado de memórias pessoais, que já integraram capas de seus discos e agora ganham novos sentidos em cena.

“Eu gosto muito de artes plásticas. Então, por exemplo, eu pego uma pintora icônica, sensacional, Marisa Lacerda, lá de Olinda, que era minha vizinha. Eu tinha os quadros dela, inclusive um deles está na capa de um disco. Aí tem outros quadros e discos. Mas, fora isso, ainda tem fotografias fantásticas”, fala Alceu com entusiasmo.

Essa costura entre linguagens não é aleatória. Parte de uma lógica própria de criação, em que lembranças, imagens e músicas se atravessam. Ao revisitar a própria história, o artista transforma o show em um percurso narrativo, em que episódios da infância, referências culturais e canções se conectam para construir uma experiência sensorial para o público.

As projeções, com direção de Rafael Todeschini, ampliam esse universo visual, dialogando com a cenografia assinada pelos estúdios Radiográfico e Oblíquo e com o figurino de Isabela Capeto, compondo um espetáculo que ultrapassa o formato tradicional de show.

Salvador

Salvador será a primeira capital do Nordeste a receber a turnê, que já passou por Rio de Janeiro e São Paulo. A escolha não é casual. A cidade ocupa um lugar afetivo na trajetória do artista, desde os tempos em que, ainda estudante de Direito, fazia visitas frequentes para passear.

“Lugar de amigos, muitos amigos. Local onde, quando eu era estudante de Direito, eu ia para visitar, brincar, para passear. Era muito bom. Depois fui tantas outras vezes a Salvador”, relembra Alceu.

Ao retornar à Concha Acústica do Teatro Castro Alves, Alceu revisita também esse percurso.

Em cena, o tempo não aparece como linha reta, mas como uma espécie de espiral, em que passado e presente se encontram, conduzidos por uma obra que segue em movimento na embolada do tempo.

‘ALCEU: 80 GIRASSÓIS’ / Sexta-feira (10), 18h / Concha Acústica do Teatro Castro Alves / Ingressos entre R$ 120 e R$ 220 / Vendas: Sympla e bilheteria TCA

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.



Fonte: A Tarde

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