A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, pretende não atender ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que os dois candidatos autorizem a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A informação foi publicada pelo Diário do Centro do Mundo nesta quarta-feira (21), com base em informações da Folha de S.Paulo.
O desafio foi lançado por Lula durante o debate presidencial da TV Band, no domingo (18), em meio a uma discussão sobre acusações de corrupção e a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Na ocasião, o presidente propôs que ambos autorizassem a abertura dos dados pessoais e de familiares.
Na terça-feira (20), Lula formalizou a iniciativa por meio de um requerimento encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento prevê a liberação de informações bancárias, fiscais e telefônicas referentes aos últimos oito anos, condicionada à adoção da mesma medida por Flávio e seus familiares. A proposta também menciona empresas ligadas aos candidatos.
Aliados classificam iniciativa como estratégia eleitoral
Segundo as informações divulgadas, integrantes da campanha de Flávio avaliam que aceitar o desafio não traria benefícios eleitorais na reta final da disputa. Aliados do senador consideram a iniciativa de Lula uma tentativa de pressioná-lo publicamente e argumentam que a divulgação dos dados poderia provocar novas solicitações de investigação sem tempo suficiente para uma análise antes da votação.
Durante o debate, Flávio afirmou que não tinha “nada a esconder”, mas não confirmou que autorizaria a abertura dos próprios sigilos. Em resposta às cobranças de Lula, o senador também fez acusações contra o presidente, sem apresentar provas durante o confronto.
Investigação envolvendo o Banco Master
O tema ganhou destaque no cenário eleitoral em meio a investigações que envolvem o Banco Master e pessoas próximas aos candidatos. A Polícia Federal solicitou a abertura de investigação contra Flávio por suspeitas relacionadas a operações financeiras e ao advogado Willer Tomaz. As suspeitas ainda precisam ser apuradas, e a existência de uma investigação não significa comprovação de crime.
Lula afirma que a abertura dos sigilos permitiria aos eleitores avaliar as acusações feitas durante a campanha. Já aliados de Flávio defendem que a proposta tem motivação eleitoral e que os dados financeiros declarados à Justiça Eleitoral devem ser considerados no debate público.
Com o segundo turno marcado para domingo (25), a discussão sobre transparência e patrimônio dos candidatos deve continuar nos últimos dias da campanha. Até o momento, a equipe de Flávio indica que não pretende aderir ao desafio nos termos apresentados pelo presidente.
Com informações do DCM