Avanço inquestionável

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Erika Hilton (Psol), deputada federal –

Apesar das manifestações em contrário, representadas por votos em branco e pelos comentários de um apresentador de tevê, a Câmara dos Deputados elegeu uma trans, Erika Hilton, para presidir a Comissão de Mulheres. A vitória permite comemorar, com justificada ênfase, o avanço da luta por um convívio pleno e horizontal, de toda a cidadania, não importando as escolhas pessoais e orientações de gênero, seguindo o princípio de igualdade.

O fato de Erika Hilton fazer história mobilizou opiniões transfóbicas, destacando-se as de Ratinho, ao questionar o mérito, discordando da escolha, ao vivo e em cores, em seu programa de auditório, tentando desqualificar a mulher eleita. Juntou-se a voz conservadora a outras tantas, esquecendo-se os críticos de a comissão contemplar a figura da mulher, seja trans ou cisgênero, ressaltando-se a defesa de seus direitos. Esta sim, deve ser a preocupação das parlamentares.

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Erika Hilton entendeu a resistência ao seu nome como um sinal para se verificar o enigma de um país no qual incomoda o fato de uma mulher trans ocupar um cargo de liderança, enquanto se normaliza a absurda prática de feminicídios. Sem citar nomes – e nem precisava – a deputada federal manifestou estranheza quando se observa o rompante de ofender o direito à vida das mulheres trans e travestis.

Para a parlamentar, o traço de união, referindo o desejo por vitórias e avanços, deve ser muito mais robusto em relação às diferenças – sutis ou não, necessariamente secundárias. Ferida nos brios de mulher, autêntica e inquestionável, Erika prometeu, enquanto presidenta da Comissão, não permitir, sem resposta à altura, a proposta anacrônica de discursos com objetivo de produzir cisão. Para ela, empunhando a bandeira das liberdades, a comissão é de todas as mulheres.

Com a finalidade de não deixar passar as ofensas, Erika Hilton solicitou ao Ministério Público a devida investigação sobre a narrativa do apresentador, reivindicando R$ 10 milhões de indenização, conforme o ordenamento jurídico pátrio.



Fonte: A Tarde

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