Bahia avança em fornecimento de água tratada e tem média acima da nacional

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Captação no Rio São Francisco, no município de Xique-Xique/BA –

Há cinco séculos, a água foi um dos motivos pelos quais a Coroa Portuguesa escolheu Salvador como capital da colônia, em 1549. As suas diversas fontes também lhe garantiu a alcunha de “Cidade das Águas”.

Hoje, essas fontes públicas e chafarizes não são mais utilizados e a água chega tratada, pronta para consumo, até a casa de 99,5% dos soteropolitanos, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Hoje, Dia Mundial da Água, a Bahia celebra um avanço no acesso a esse bem que chega a 86,7% dos lares baianos. O percentual está acima da média nacional de 83,8%. O estado registra um crescimento de 7,5% entre 2010 e 2020.

O cenário de hoje é o retrato do avanço de um processo iniciado em 1853, quando surgiu em Salvador a primeira alternativa às fontes públicas. Nascia ali a Companhia do Queimado e, três anos depois, em 1856, o primeiro reservatório elevado, na localidade da Cruz do Cosme, onde hoje é o bairro da Caixa D’água, nome herdado do monumento.

Impacto positivo

Esses avanços atuais têm impacto direto na vida de 12.224 milhões de baianos. Segundo a professora e pesquisadora da Faculdade de Administração da Ufba e também do Grupo Águas/Cnpq, Bete Santos, o acesso à água tratada é uma questão de saúde pública, que evita que os cidadãos sejam expostos a riscos e vulnerabilidades.

“Em termos sanitários e de saneamento, ter água tratada na torneira significa saúde pública, significa menos gasto com hospital, e qualidade de vida, isso é uma questão global, quando a gente fala sobre a universalização da água tratada e saneamento, ou seja, a coleta e tratamento por parte de um ente público, a gente está falando em saúde pública”, afirma.

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Marco legal

A pesquisadora também enfatiza que os avanços obtidos na Bahia e no Brasil com acesso à água tratada são bastante animadores, mas que ainda é necessário avançar. O novo Marco Legal do Saneamento, sancionado em 2020, estabelece que até 31 de dezembro de 2033, 99% da população brasileira tenha água tratada e, pelo menos, 90% conte com coleta e tratamento de esgotos.

“Se você olha os dados estatísticos, por exemplo, do último Censo do IBGE, a gente fica, digamos assim, bastante contente, bastante animado. Ou seja, a gente vê que os governos progressistas vêm investindo mesmo em abastecimento da água e, no caso, em saneamento”, afirma.

Segundo ela, em várias circunstâncias, situações, lugares, “estamos um pouco próximos do que se chama de universalização, que é uma das bandeiras e batalhas de quem lida com essa área e também de saúde”.

No ano passado, foram executados R$ 910 milhões da consolidação da universalização do serviço. Desses, 70,6%, ou R$ 643 milhões, foram destinados à expansão, informa a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), que atua em 368 dos 417 municípios.

A empresa investiu R$ 206 milhões para a substituição de equipamentos, automação dos sistemas, melhorias nas barragens, dentre outras ações. Em prevenção a perdas durante a distribuição , uma questão séria no país, foram investidos os outros R$ 61 milhões.

“A Embasa, hoje, nos municípios em que ela atua, já tem 97,3% de cobertura, considerando as áreas urbanas e algumas áreas rurais que ela atende. Além disso, considerando todo o estado da Bahia, a gente também tem a atuação da Cerb, que é a companhia responsável pela parte rural, e também sobre a coordenação da Secretaria de Infraestrutura Hídrica, a Embasa, para além desses 97%, a gente tem uma série de ações e a ideia é continuar”, descreve a diretora de operações da empresa, Joana Rollemberg.

Vitória da Conquista (23), Salvador (55), e Feira de Santana (71) são as cidades baianas que figuram no Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil, divulgado este mês, que trata das 100 capitais ou grandes municípios mais bem posicionados no que diz respeito a saneamento básico.

O município do sudoeste baiano é também, o único nordestino entre os 30 primeiros. “A gente está falando de um bem maior e de um bem essencial para toda a população. E vai se refletir, inclusive na qualidade de vida”, diz.



Fonte: A Tarde

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