Barroso admite que penas do 8 de Janeiro ‘ficaram elevadas’ e defende revisões

58

Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso 07 de outubro de 2025 | 22:01

Barroso admite que penas do 8 de Janeiro ‘ficaram elevadas’ e defende revisões

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, admitiu nesta terça-feira, 7, que algumas das sentenças aplicadas aos condenados por depredarem as sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2023 “ficaram elevadas”. A declaração foi feita durante o 1º Seminário Judiciário e Sociedade, promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Durante sua fala, Barroso também destacou a importância de responsabilizar judicialmente quem cometeu atos antidemocráticos. “Eu concordo que algumas penas, sobretudo as dos executores que não eram mentores, ficaram elevadas. Eu mesmo apliquei penas menores”, afirmou o ministro.

Barroso pontuou que, desde o início, tem adotado uma postura mais moderada nas sentenças. “Desde o começo apliquei penas menores. Manifestei-me antes do julgamento do ex-presidente [Jair Bolsonaro], considerando bastante razoável a redução das penas para não acumular os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito. Isso permitiria que essas pessoas saíssem em dois anos, dois anos e pouco. Acho que estava de bom tamanho”, completou.

A declaração pode ser bem recebida pela direita brasileira, que atualmente tenta aprovar o PL da Anistia, voltado aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado. No entanto, segundo o relator da proposta, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade), o objetivo agora é tratar da dosimetria das penas, em vez de conceder uma anistia total e irrestrita.

Se aprovado, o projeto pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, após julgamento na Primeira Turma do STF. Ele foi considerado culpado por tentar abolir o Estado Democrático de Direito e liderar uma organização criminosa.

Ainda durante o evento, Barroso cometeu um ato falho ao comentar sobre seu tempo como magistrado: “Fui não, ainda sou”. A fala alimentou rumores que o ministro vai deixar a corte. Em setembro, o ministro deixou a presidência do STF e passou o cargo para Edson Fachin. No entanto, Barroso pode permanecer no Supremo até 2033, quando atinge a idade de aposentadoria compulsória.

Bruna Rocha/Estadão



Fonte: Política Livre

Artigos relacionados

Política

Araci – TRE-BA mantém mandato da prefeita Keinha por 5 votos a 2

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) concluiu, na última quarta-feira (25),...

Política

Ministério Público recomenda suspensão de edital que prevê terceirização integral da gestão da saúde em Andorinha (BA)

Imagem ilustrativa O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) recomendou ao...

Política

Análise: CPI do Crime Organizado ganha potencial explosivo e pode furar blindagem política no caso Master

comum ouvir dizer em Brasília que se sabe como uma Comissão Parlamentar...

Política

Lulinha se coloca à disposição do STF para ‘prestar esclarecimentos’ na investigação do INSS

A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, o filho mais velho...