O primeiro dia do júri popular que apura o assassinato da cantora gospel Sara Freitas, realizado nesta terça-feira, 24, em Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, terminou com um dos momentos mais contundentes do processo: a confissão de um dos réus, Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como “Bispo Zadoque”.
Segundo o advogado da família da vítima, Rogério Matos, em declaração ao portal A TARDE, Weslen admitiu participação no crime e detalhou toda a dinâmica da execução, além de apontar o mandante.
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“Ele confessou, explicou detalhadamente o que fez, e disse que foi a manda de Edarlan realmente, que Edarlan mandou tanto matar como até afogar o corpo de Sarah. E ele falou a dinâmica toda, explicou tudo direitinho.”, afirmou.
Depoimento de Ederlan
O primeiro réu a ser ouvido foi Ederlan Mariano, apontado como mandante do crime. O depoimento começou por volta das 19h e terminou às 22h, com duração aproximada de três horas.
Durante o interrogatório, Ederlan negou novamente ter participação no assassinato e apresentou sua versão dos fatos, mencionando supostas traições e declarações de amor pela vítima.
“Desde quando começou esse pesadelo tenho sofrido muito porque perdi o amor da minha vida. Tem uma parte na vida do ser humano que se chama coração e só quem conhece é Deus. Tenho sofrido humilhações desde quando cheguei na cadeia. Desde os meus 13 anos frequento a igreja. Morei na Palestina, que é um bairro perigoso de Salvador, mas nunca me envolvi com o crime. Hoje sou pastor para quase 200 presos do Raio 3 da cadeia”, disse.
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Julgamento será retomado
O júri teve início com atraso e se estendeu por mais de 12 horas. A sessão será retomada às 8h30 desta quarta-feira, 25. Segundo o advogado Rogério Matos, a expectativa é que o julgamento seja concluído até o final da tarde desta quarta.
Durante o primeiro dia, foram ouvidas testemunhas e realizado o interrogatório de Ederlan, que durou cerca de três horas. O julgamento também foi marcado por momentos de tensão e divergências entre defesa e juiz.
Relembre o crime
O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023, na entrada do povoado Leandrinho, no município. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Sara foi morta com extrema violência. Ela teria sido atraída com um falso convite para participar de um evento religioso e executada com 22 golpes de faca.
O corpo foi posteriormente ocultado e queimado. As investigações indicam que o trio agiu de forma organizada, com divisão de tarefas, motivado por promessa de recompensa financeira e interesses relacionados à carreira artística de um dos envolvidos.