Ao aceitar o cessar-fogo, conforme as condições do Irã, podem os Estados Unidos terem adotado uma tática de meia-verdade, mantendo a intenção de guerra. Esta perspectiva vem sendo a mais convincente, de acordo com especialistas de universidades e institutos de pesquisa, ao analisarem diversas variáveis.A principal delas e a fonte de todas as outras é a capacidade de revestir a mentira em verniz de confiabilidade, na palavra enganosa de Donald Trump. O Senhor da Guerra já fez sua ressalva, logo no primeiro dia de uma trégua não confirmada, pois o parceiro Israel continua bombardeando o Líbano.A desculpa dos ataques ao grupo de resistência Hezzbollah é a mesma divulgada para o genocídio em Gaza, onde o Hamas teria sido o alvo sionista. O aceite provisório dos pedidos iranianos tem maior probabilidade de ser uma estratégia para ganhar fôlego a indústria bélica da fabricação de mísseis.A despeito da grandiosa vitória parcial dos aquemênidas sobre os comedores de hot-dog não se pode descartar o mal que a força sempre faz quando a fera está ferida. A maior maldade da história havia sido anunciada por Donald Trump ao emitir ultimato revelador de condição incompatível com o cargo.A civilização de 5 mil anos, originária da etnia persa, fora condenada pelo boquirroto em nova bravata de quem não ruboriza por tanta desonra. Nesta mesma perspectiva, a vocação para a maldade está demonstrada em 38 milhões de óbitos no mundo. Desde 1970, este é o montante estimado de vidas interrompidas por bombas e sanções da superpotência autoproclamada defensora da humanidade.Exceções como Brasil e Espanha escapam à acusação de cumplicidade de um mundo omisso, embora ameaçado de extinção a qualquer momento. Não há quem consiga livrar-se da insônia frente à perspectiva de dedo no botão da bomba nuclear.
Fonte: A Tarde