Braskem aposta na descarbonização e transformação tecnológica do Polo

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A retomada do protagonismo do Polo Industrial de Camaçari passa necessariamente pela capacidade de modernização da indústria petroquímica e pela adaptação às novas exigências da economia de baixo carbono. Essa é a avaliação do diretor industrial da Braskem na Bahia, Carlos Alfano. Para ele, o complexo industrial vive uma fase de transformação impulsionada pela transição energética, digitalização, inovação e busca por produtos de maior valor agregado.

Principal empresa âncora do Polo, a Braskem opera oito unidades industriais em Camaçari, com capacidade de produção superior a 5 milhões de toneladas por ano. A petroquímica possui um portfólio de resinas plásticas e produtos químicos para diversos segmentos, como embalagens alimentícias, construção civil, industrial, automotivo, agronegócio, saúde e higiene, entre outros

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Segundo Alfano, a transformação do complexo industrial é resultado de um processo de evolução tecnológica construído ao longo de décadas. Ele destaca que o Polo ajudou a consolidar uma base técnica altamente qualificada na Bahia, estimulando a criação de cursos universitários, centros de pesquisa e programas de capacitação profissional voltados para a indústria petroquímica. “Nesse período, milhares de engenheiros, técnicos e especialistas foram preparados para atender às demandas de uma indústria cada vez mais sofisticada e orientada à inovação”, afirma.

O executivo ressalta que a digitalização e a integração da inteligência artificial aos processos industriais já fazem parte da rotina das operações petroquímicas. “Esse movimento tem contribuído para ganhos de eficiência e confiabilidade operacional, além de impulsionar iniciativas relacionadas à redução de custos, à eficiência energética e à diminuição das emissões de carbono”, diz. Para ele, o futuro do Polo depende justamente da capacidade de combinar competitividade industrial, inovação tecnológica e sustentabilidade.

O diretor da Braskem destaca ainda que a empresa vem ampliando investimentos em eficiência operacional, redução de emissões e transformação digital. Um dos exemplos citados é o projeto de otimização das caldeiras da unidade de Químicos, que, segundo ele, gerou economia de R$ 32,4 milhões em combustível, evitou a emissão de 30 mil toneladas de CO2 equivalente e reduziu em 46% as perdas de água do processo industrial.

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Posição estratégica

O diretor industrial da Braskem na Bahia, Carlos Alfano
O diretor industrial da Braskem na Bahia, Carlos Alfano – Foto: Divulgação

Alfano afirma ainda que a descarbonização passou a ocupar posição estratégica dentro da indústria petroquímica. Na Bahia, diz ele, mais de 90% da energia elétrica consumida pela Braskem já é de origem renovável, resultado de contratos de longo prazo e investimentos em parques eólicos instalados em municípios baianos como Urandi, Jacaraci, Licínio de Almeida e Campo Formoso. Segundo o executivo, a empresa antecipou para 2025 uma meta que inicialmente estava prevista para 2030: alcançar 85% de eletricidade renovável no consumo energético total da companhia.

A companhia também estabeleceu metas ligadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e à ampliação da economia circular. Entre os objetivos anunciados estão a redução em 15% das emissões dos escopos 1 e 2 até 2030, a expansão do portfólio de produtos com conteúdo reciclado para 1 milhão de toneladas até o fim da década e a meta de neutralidade de carbono até 2050.

Para Alfano, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a ocupar papel estratégico na competitividade da indústria global. “A sustentabilidade deixa de ser percebida apenas como uma exigência regulatória e se consolida como um importante vetor de inovação, criação de valor e desenvolvimento econômico sustentável”, afirma. Segundo ele, consumidores, investidores e parceiros de negócios passaram a valorizar cada vez mais empresas comprometidas com responsabilidade ambiental e impacto positivo.

O executivo defende ainda que o equilíbrio entre competitividade, redução de emissões e custos industriais depende tanto de inovação tecnológica quanto de políticas públicas capazes de criar previsibilidade regulatória para o setor. “A economia circular também possui um papel central nesta questão, sendo essencial para reduzir a pegada de carbono do setor sem comprometer a competitividade”, afirma. Ele acrescenta que o avanço da indústria verde depende ainda de segurança jurídica, incentivos e estímulos à demanda por produtos sustentáveis.

Na avaliação do diretor industrial da Braskem, a nova agenda ligada à transição energética, à química renovável, à biotecnologia e à transformação digital pode também ajudar a diversificar a economia da Região Metropolitana de Salvador. “Quando o Polo avança para produtos de maior valor agregado, naturalmente estimula o crescimento de novas cadeias produtivas ao redor da indústria principal”, afirma. Para Alfano, setores como energia renovável, logística avançada, economia circular e tecnologia tendem a ganhar mais espaço dentro do complexo industrial baiano nos próximos anos.



Fonte: A Tarde

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