A programação destaca a criação artística feminina ao longo do mês –
Ao longo de março, o Centro Cultural SESI Casa Branca realiza a programação Março Delas – Elas criam, elas contam, iniciativa dedicada ao protagonismo feminino nas artes.
Reunindo apresentações de teatro, música, poesia e audiovisual, além de encontros formativos, a agenda coloca em evidência artistas, pesquisadoras e criadoras que exploram temas como memória, identidade, território e ancestralidade.
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Memórias Povoadas
Dirigido e protagonizado por Cássia Valle, Memórias Povoadas investiga o sagrado feminino negro a partir de uma proposta cênica inspirada no teatro-instalação.
O espetáculo convida o público a percorrer o espaço e construir suas próprias leituras a partir de imagens, objetos e narrativas que atravessam o corpo e a história.
Segundo Valle, o trabalho nasce de uma inquietação artística ligada à presença das memórias na experiência cotidiana. “Eu parto da ideia de que ninguém é feito apenas do presente: somos atravessados por histórias, afetos e ancestralidades que continuam vivendo em nós. Como artista negra, me interessa olhar para essas presenças invisíveis e entender como as memórias pessoais dialogam com a memória coletiva”, afirma.
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Histórias de vida
Outro destaque da programação é Maré Cheia, criação dirigida por Alessandra Flores e protagonizada por Elza Cândida, Maria do Amparo e Josilda Moura.
O espetáculo transforma em cena as memórias das próprias participantes, mulheres negras e idosas que viveram a história de Alagados, uma das maiores ocupações sobre palafitas da América Latina.
Para Elza Cândida, levar essas experiências ao palco é uma forma de preservar a memória coletiva da comunidade. “Nós estamos transformando a nossa vida, os nossos processos de vivência, em uma história para que todos saibam que Alagados existiu”, afirma.
A atriz Josilda Moura destaca que o espetáculo nasce de um processo coletivo. “Hoje estamos levando esta história, este livro para o palco, para que as pessoas tenham a oportunidade de conhecer, de vivenciar as nossas alegrias, as nossas tristezas, as nossas dificuldades, perseverança, fé e vitórias”, conta.
Já Maria do Amparo ressalta que transformar essas lembranças em cena significa registrar experiências que muitas vezes ficaram fora dos registros oficiais. “A mensagem que fica é de conhecimento, de valorização, porque com todo esse trabalho, com toda essa dificuldade, nós que contamos essas histórias estamos aqui vivas para passar a veracidade da coisa”, afirma.
A diretora Alessandra Flores explica que o espetáculo faz parte de uma pesquisa artística desenvolvida há décadas a partir do compartilhamento de histórias. “Quando a gente coloca mulheres negras, mulheres idosas, mulheres que moram na periferia no palco, a gente desloca esse lugar de autoria, de narrativa. Quando uma mulher sobe ao palco e conta a sua própria história, as águas se movem”, diz.
Humor que vira o jogo
A programação também abre espaço para a comédia com o show do Clube DazMinina, coletivo formado por Brida Aragão, Renata Laurentino, Ana Carolana e Naiara Bispo. As comediantes transformam o cotidiano e situações absurdas em material para o stand-up.
Para Naiara Bispo, ocupar o microfone é também um gesto político. “Ao pegar o microfone narrando nossas histórias com mais profundidade estamos trazendo novas perspectivas que por muito tempo foram silenciadas”, afirma.
Ana Carolana destaca que o humor também pode inverter papéis historicamente consolidados. “Nós mulheres sempre fomos a piada, então eu acho que é uma forma de virar o jogo”, diz.
Elas por elas
A programação do Março Delas reúne atividades que colocam em diálogo diferentes linguagens artísticas. Entre as ações está o Slam Dê Ideia, recital de poesia falada que reúne artistas em uma celebração da escuta e da autoria feminina na Varanda da Casa Branca.
O circuito também contempla sessões do Cine Clube CBX e outras montagens teatrais.
Entre elas está SIN&NHÁ, espetáculo que parte do universo das lojas de departamento para discutir as múltiplas camadas do racismo. Já Noivas apresenta a história de uma mulher que atravessa a vida sem ter podido se expressar livremente.
A música ocupa lugar de destaque na agenda. O público poderá acompanhar o pocket show Endiabrada, da cantora Larissa Alves, responsável pela trilha sonora de SIN&NHÁ.
A programação inclui ainda o show O Tambor e a Palavra, de Alexandra Pessoa, uma performance solo que mistura percussão, canto e poesia, além do espetáculo musical Rainhas do Rock, uma homenagem a grandes vozes femininas do gênero.
Ao reunir diferentes linguagens e trajetórias, a programação amplia o espaço para narrativas construídas por mulheres.
Seja no teatro, na música, no cinema ou na palavra, todas as histórias são contadas em primeira pessoa.
PROGRAMAÇÃO / Memórias Povoadas: hoje, 19h, Sala Letieres Leite – R$ 20 e R$ 10 / O Tambor e a Palavra – Alexandra Pessoa: 12.03, 20h – Sala Letieres Leite – R$ 30 / Clube DazMinina – Stand up comedy: 13.03, 19h – Sala Letieres Leite – R$ 20 e R$ 10 / SIN&NHÁ: 14.03, 19h e 15.03, 17h – Sala Letieres Leite – R$ 30 e R$ 15 / After SIN&NHÁ: Pocket show “Endiabrada”: 15.03, 19h – Varanda da Casa Branca – R$ 30 (espetáculo + show) / Maré Cheia: 20, 21 e 22.03, 19h – Sala Letieres Leite / Slam Dê Ideia: 21.03, 14h – Varanda da Casa Branca – Gratuito / Cine Clube CBX: 25.03, 19h – Sala Letieres Leite – Gratuito / Noivas: 27, 28 e 29.03, 16h e 19h – Sala Letieres Leite – R$ 40 e R$ 20 / Rainhas do Rock: 27.03, 20h – Varanda da Casa Branca – R$ 20
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.