Poucas alimentos são tão amados quanto chocolate. Seja para simplesmente acompanhar um café ou para melhorar um dia difícil, o alimento costuma estar associado a momentos de bem-estar. No entanto, especialistas alertam que, quando o consumo passa a servir como uma forma de aliviar emoções negativas, é preciso uma atenção.
Neste 7 de julho, data em que é celebrado o Dia Mundial do Chocolate, o portal A TARDE conversou com a psicóloga Lavínia Batista (CRP 03/28617) explica que não há problema em aproveitar a ocasião, desde que o consumo não se transforme em uma estratégia para lidar com sentimentos como ansiedade, tristeza ou frustração.
“O chocolate funciona como um verdadeiro conforto emocional porque o seu consumo ativa instantaneamente o nosso sistema de recompensa cerebral, estimulando a liberação de dopamina e endorfinas, que geram uma sensação imediata de bem-estar e alívio do estresse”, informa.
No entanto, segundo a profissional, o grande desafio psicológico surge quando essa busca por uma liberação rápida de dopamina vira um hábito repetitivo e evolui para um vício.
“Precisamos ter cuidado para não acabar ‘comendo as emoções’. Quando usamos o doce em excesso para mascarar a tristeza, a ansiedade ou a frustração, estamos apenas anestesiando o sintoma temporariamente, em vez de acolher, resolver e entender o que essas emoções realmente têm a nos dizer”, explica.
O problema nunca é o chocolate em si, mas a função compensatória que damos a ele na tentativa de preencher vazios ou aliviar dores emocionais que deveriam ser tratadas na raiz
Segundo a especialista, o alimento não deve ser encarado como um vilão. O ponto de atenção está na relação construída com ele e no motivo que leva ao consumo.
“Precisamos de atenção para que esse prazer não vire uma fuga. Quando passamos a ‘comer as nossas emoções’ para obter uma dose rápida de dopamina, deixamos de escutar o que o nosso corpo e a nossa mente realmente precisam”, completa.
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Quando o chocolate deixa de ser um prazer?
De acordo com Lavínia Batista, alguns comportamentos podem indicar que o consumo deixou de ser apenas um momento de prazer e passou a funcionar como compensação emocional.

- O primeiro deles é a fome súbita e específica, que surge de maneira urgente e repentina (geralmente logo após um momento de estresse, tédio ou frustração), ao contrário da fome física, que dá sinais graduais e aceita qualquer alimento.
- Outro indício forte é a busca por anestesia e não por saciedade, fazendo com que a pessoa continue comendo mesmo sem fome ou já estando cheia, apenas para prolongar aquela sensação química de alívio.
- Há também o consumo no piloto automático, onde grandes quantidades são devoradas de forma quase inconsciente (como comer uma barra inteira em minutos assistindo TV) para tentar ‘esquecer’ os problemas.
- Por fim, o termômetro definitivo desse comportamento é o aparecimento de um forte sentimento de culpa ou arrependimento logo após a ingestão, acompanhado da percepção de que o doce se tornou a única válvula de escape do indivíduo para lidar com o sofrimento, substituindo qualquer outra estratégia saudável de autorregulação emocional.
Relação equilibrada
Segundo a psicóloga, a melhor forma de celebrar a data é manter uma relação equilibrada com o alimento.
“Apreciar um chocolate pode fazer parte de uma rotina saudável, desde que ele seja uma escolha de prazer e não uma tentativa constante de silenciar emoções que precisam ser compreendidas e acolhidas”.