Como o Bahia recebeu a missão de popularizar o futebol no país da Copa

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A Copa do Mundo é sempre uma ótima oportunidade para as nações ganharem reputação no mundo do futebol, aumentando até mesmo a visibilidade dos seus principais clubes em todo o planeta. Hoje em dia, o respeito à camisa da Seleção Brasileira é indiscutível, mas houve uma época em que a Amarelinha ainda buscava seu espaço nos corações dos torcedores fanáticos pelo esporte bretão.

A Canarinho se recuperou do vexame no Mundial de 1950, popularizado como “Maracanazo”, conquistando o bicampeonato nas edições de 1958 e 1962. O prestígio do Brasil começou a aumentar em meio aos sucessos de Pelé e Garrincha, principais estrelas daquela equipe, e o futebol brasileiro também ganhou repercussão graças às excursões dos clubes pelo mundo.


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Papel do Bahia

O Bahia foi uma das principais potências da América do Sul durante aquele período e aceitou participar da International Soccer League (ISL) em 1964, torneio amistoso que reuniu, em Nova Iorque, equipes sul-americanas e europeias com o objetivo de popularizar o futebol nos Estados Unidos.

O futebol dos Estados Unidos ainda passava por um período de amadorismo na década de 60 e, diferente de hoje, o esporte ainda dependia de jogadores amadores ou ligas locais de curta duração, sem estrutura profissional suficiente. A seleção nacional, por exemplo, não participava de uma Copa do Mundo desde 1950 e acabou ficando de fora das três edições mais recentes (1954, 1958 e 1962).

O Esquadrão de Aço havia conquistado recentemente o título brasileiro de 1959, além dos vice-campeonatos nacionais de 1961 e 1963, ambos para o Santos de Pelé. O Tricolor também havia vencido cinco das últimas seis edições do Campeonato Baiano (1958, 1959, 1960, 1961 e 1962).

O clube foi o único representante brasileiro na competição e tinha a missão de representar o país que havia conquistado as últimas duas Copas do Mundo. Werder Bremen (Alemanha), Blackburn Rovers (Inglaterra), Heart of Midlothian (Escócia) e Lanerossi Vicenza (Itália) foram os outros participantes — equipes que, embora não fossem as melhores de seus países, tinham certo destaque.

O Werder Bremen, por exemplo, sagrou-se campeão da Primeira Divisão alemã na temporada 1964/65, enquanto o Blackburn Rovers se mantinha como uma equipe de meio de tabela na extinta First Division, principal competição da Inglaterra.

Já o Hearts figurava entre os principais clubes da Escócia, acumulando campanhas de destaque no período, enquanto o Lanerossi Vicenza vivia uma de suas fases mais marcantes sob o comando do atacante brasileiro Luís Vinício, ex-Botafogo.

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Campanha decepcionante

Fugindo do tradicional branco e adotando uniformes predominantemente vermelhos e azuis, o Bahia estreou no Randall Stadium, em Wisconsin, com um empate por 2 a 2 diante do Werder Bremen, depois de sair atrás do placar no primeiro tempo. O lateral Florisvaldo e o atacante Raimundo Mário marcaram os gols tricolores na partida.

Sob o comando do técnico Lourival Lorenzi, o Tricolor entrou em campo com Caballero; Hélio, Henrique, Roberto e Florisvaldo; Valença e Mário; Calasans, Raimundo Mário, Vevé e Miro.

Na segunda rodada, o Bahia foi derrotado pelo Blackburn Rovers por 2 a 1 e não conseguiu conquistar nenhum triunfo ao longo de toda a competição. Em seis partidas, o Esquadrão somou dois empates e quatro derrotas, marcando apenas cinco gols e encerrando sua participação de forma decepcionante na missão de representar o futebol brasileiro nos Estados Unidos.

Uma reportagem de um jornal de Salvador, obtida por meio da equipe de comunicação do Esporte Clube Bahia SAF, destacou o último confronto da equipe no torneio com uma frase forte: “Bahia voltou a abalar o prestígio do futebol bicampeão em Nova Iorque”.

Na sexta e última rodada da International Soccer League, o Tricolor perdeu por 3 a 1 para o Blackburn Rovers em uma atuação descrita como a “despedida melancólica do time baiano”.

Veja:











Imagem ilustrativa da imagem Como o Bahia recebeu a missão de popularizar o futebol no país da Copa




Foto: Divulgação | ASCOM Bahia


Uma nova atuação decepcionante marcou a despedida melancólica do time bahiano que, sem preparo e sem futebol capaz de justificar a missão, terminou comprometendo seriamente o prestígio do futebol brasileiro


Destacou um trecho da reportagem

“No azar”, como apontou o jornal, o Bahia perdeu por 3 a 1 para o Werder Bremen na terceira rodada da competição, mesmo apresentando um bom futebol durante o primeiro tempo. Ainda de acordo com a reportagem, o técnico Lourival Lorenzi precisou confortar jogadores bastante abatidos após a partida.

Precisando vencer para seguir sonhando com uma vaga na decisão, o Tricolor foi derrotado por 1 a 0 pelo Hearts na rodada seguinte, “realizando sua pior apresentação no Torneio Internacional de Nova Iorque”.

Mesmo com mudanças na equipe, que ainda contava com alguns jogadores campeões brasileiros em 1959, o Bahia não conseguiu reagir na competição. O atacante Biriba, atualmente o 11º maior artilheiro da história do clube, com 110 gols, também entrou em campo durante o torneio.

Jogos do Bahia no ISL

  • Bahia 2 x 2 Werder Bremen (Randall Stadium, Wisconsin) | 31/05/1964;
  • Bahia 1 x 2 Blackburn Rovers (Coliseum Stadium, Los Angeles) | 03/06/64;
  • Bahia 1 x 3 Werder Bremen (Coliseum Stadium, Los Angeles) | 10/06/64;
  • Bahia 0 x 1 Hearts (Randall Stadium, Wisconsin) | 14/06/64;
  • Bahia 0 x 2 Lanerossi Vicenza (Randall Stadium, Wisconsin) | 17/06/64;
  • Bahia 1 x 3 Blackburn Rovers (Randall Stadium, Wisconsin) | 21/06/64.

Veja páginas da reportagem:











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Foto: Divulgação | ASCOM Bahia











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Foto: Divulgação | ASCOM Bahia



Fonte: A Tarde

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