Como o Pix mudou o hábito de consumo na Bahia e no Brasil: “Não toco em dinheiro”

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Impulsionado pelo crescimento do Pix e dos serviços bancários digitais, o uso do dinheiro físico tem perdido espaço no cotidiano dos brasileiros e aberto caminho para novas formas de realizar pagamentos e movimentar recursos. Presente em diferentes situações, como no comércio de rua e na contratação de serviços, o sistema que permite pagamento instantâneo reflete transformações nos hábitos financeiros e na circulação de recursos em uma economia cada vez mais digitalizada.

Praticidade no cotidiano

Na rotina da corretora de imóveis Ana Cláudia Mesquita, o Pix já ocupa um papel central nas transações. “Costumo usar para pagamentos, compras em loja física, lanches e até no posto de gasolina”. A praticidade e a facilidade de acesso pelo celular foram decisivas para a adaptação dela.

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“A dificuldade de ter troco e o fato de não precisar andar com dinheiro pesaram. Em situações emergenciais, o Pix salva porque o celular está sempre à mão”, explica. Com isso, a ida ao banco deixou de fazer parte da rotina. “Não preciso mais ir ao banco pegar fila para fazer pagamento ou saque, nunca apareço lá”, diz.

Costumo usar para pagamentos, compras em loja física, lanches e até no posto de gasolina.

Ana Cláudia Mesquita

Ainda assim, ela ressalta que o dinheiro em espécie não desapareceu completamente. “Em festas e shows, acho mais simples por conta da rapidez e também pela segurança em relação ao celular”.

A hegemonia dos canais digitais

Raphael Mielle é diretor de Serviços e Segurança da Febraban | Foto: Divulgação

Dados do setor bancário apontam que esse movimento não é isolado. Segundo Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Pix já se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no país, superando, somadas, modalidades como cartões, boletos e transferências tradicionais.

“É uma ferramenta revolucionária, que democratizou o acesso ao sistema financeiro brasileiro e impulsionou a inclusão financeira no País, permitindo que pessoas e empresas façam pagamentos e transferências de forma rápida, 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirma.

É uma ferramenta revolucionária, que democratizou o acesso ao sistema financeiro brasileiro e impulsionou a inclusão financeira no País.

Raphael Mielle

Canais digitais

O avanço dos canais digitais acompanha essa tendência. De acordo com o executivo, 82% das transações bancárias no Brasil já são realizadas por meios digitais, sendo 75% apenas pelo celular.

  • 82% das transações bancárias no Brasil já são realizadas por meios digitais;
  • 75% das operações são feitas exclusivamente pelo celular;
  • Crescimento vertiginoso do mobile banking ano a ano;
  • Queda constante no uso de canais físicos (agências).

“Os celulares vêm transformando a maneira como interagimos com nosso banco, e as transações feitas pelo mobile banking crescem vertiginosamente ano a ano”, diz. Ainda segundo ele, a busca por praticidade e conveniência ajuda a explicar essa adesão, enquanto os canais físicos seguem em queda e passam a ser mais utilizados em operações específicas.

Impactos na dinâmica econômica

O economista Bruno Mota Lopes, conselheiro do Corecon-BA, destaca que o avanço dos pagamentos digitais vem alterando a dinâmica do dinheiro no país ao tornar as transações mais rápidas e acessíveis.

“Com transferências instantâneas e gratuitas, o sistema aumentou a velocidade das transações, reduziu o uso de dinheiro em espécie e ampliou o acesso da população ao sistema financeiro”, afirma. Além de facilitar o cotidiano de consumidores e empresas, o processo também abre espaço para novos modelos de negócio e pressiona estruturas tradicionais do sistema bancário.

Com transferências instantâneas e gratuitas, o sistema aumentou a velocidade das transações, reduziu o uso de dinheiro em espécie.

Bruno Mota Lopes

Esse cenário vem acompanhado por alterações no comportamento financeiro dos brasileiros. “Há evidências claras de queda no uso de dinheiro em espécie no Brasil, impulsionada sobretudo pela expansão do Pix e de outros meios digitais”, diz.

Para o economista, a preferência por soluções mais rápidas e práticas reflete a busca por conveniência e menor custo nas transações, ao mesmo tempo em que indica maior formalização da economia. Ainda assim, ele pondera que o uso do papel-moeda não desaparece completamente e segue mais presente entre grupos com maior dificuldade de acesso ao ambiente digital.

Bruno Mota é economista e conselheiro do Corecon-Ba

Bruno Mota é economista e conselheiro do Corecon-Ba | Foto: Divulgação

Segurança e novos hábitos

Entre os consumidores, a praticidade aparece como principal fator para essa transformação. A estudante Anna Gherardi afirma que praticamente deixou de usar dinheiro em espécie no cotidiano. “Eu costumo usar mil vezes mais Pix. Tem um bom tempo que eu não toco em dinheiro. Eu recebo meu salário na conta e pago tudo por lá”, diz.

Segundo ela, a facilidade de resolver pagamentos em poucos minutos e a sensação de maior segurança ao não precisar circular com dinheiro físico foram decisivas para essa adaptação, embora ainda recorra ao papel-moeda em situações pontuais. “Quando eu vou para uma festa, prefiro sacar uma quantia pequena para facilitar na hora de pagar e evitar ficar usando o celular no meio da multidão”.

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Onde o dinheiro vivo ainda resiste?

Apesar da hegemonia digital, o papel-moeda não desapareceu. Ele sobrevive em nichos específicos onde a percepção de segurança e rapidez supera a tecnologia:

  • Grandes eventos: em festas e shows, muitos consumidores, como a estudante Anna Gherardi, preferem sacar pequenas quantias para evitar o uso do celular em multidões.
  • Barreira digital: grupos com maior dificuldade de acesso tecnológico ou em regiões com conectividade instável ainda dependem do dinheiro físico.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló.

FAQ sobre o uso do Pix e dinheiro físico

Como o Pix está mudando os hábitos financeiros dos brasileiros?

O Pix tem transformado os hábitos financeiros ao permitir pagamentos e transferências instantâneas, reduzindo a necessidade de dinheiro em espécie. Isso democratiza o acesso ao sistema financeiro e facilita transações no dia a dia.

Quais são os principais benefícios do uso do Pix?

Os principais benefícios do Pix incluem a rapidez nas transações, a conveniência de realizar operações a qualquer hora e a segurança de evitar a circulação de dinheiro físico. Isso tem atraído consumidores em diversas situações cotidianas.

O dinheiro em espécie ainda é utilizado no Brasil?

Sim, o dinheiro em espécie ainda é usado, principalmente em festas, shows e por grupos com dificuldades de acesso a tecnologia. Embora seu uso esteja em queda, ele ainda tem um papel relevante em certos contextos.

Qual a porcentagem de transações bancárias realizadas digitalmente no Brasil?

Cerca de 82% das transações bancárias no Brasil são feitas por meios digitais, com 75% dessas operações realizadas exclusivamente pelo celular, demonstrando a crescente digitalização dos serviços financeiros.

Como o uso do Pix impacta a economia brasileira?

O Pix acelera as transações econômicas, reduz o uso de dinheiro em espécie e facilita o acesso ao sistema financeiro para mais pessoas. Essa mudança também contribui para a formalização de diversos setores da economia.



Fonte: A Tarde

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