Composto plástico pode ter ligação com 2 milhões de partos prematuros

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Uma substância utilizada para tornar plásticos mais flexíveis pode estar associada a quase 2 milhões de partos prematuros registrados no mundo no ano de 2018, segundo um estudo publicado em abril na revista eClinicalMedicine, do grupo The Lancet.

Trata-se do di-2-etilhexilftalato, conhecido como DEHP, um composto do grupo dos ftalatos, que são substâncias químicas chamadas de plastificantes, usadas para tornar o plástico mais flexível, durável e transparente.

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Segundo o levantamento, a substância pode ter contribuído para cerca 8,74% dos partos prematuros registrados globalmente naquele ano, ou seja, que acontecem antes de 37 semanas de gestação.

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A condição é a principal causa de morte entre crianças menores de 5 anos e está relacionada a cerca de 1 milhão de mortes de recém-nascidos por ano, segundo os dados citados no estudo.

Além dos riscos imediatos, a prematuridade pode deixar impactos de longo prazo. Bebês que nascem antes do tempo têm maior risco de síndrome do desconforto respiratório, alterações no desenvolvimento neurológico durante a infância e outros problemas de saúde ao longo da vida.

Como os ftalatos agem no corpo?

A exposição humana a essa substância é considerada generalizada e pode ocorrer por ingestão, inalação ou absorção pela pele, especialmente pelo contato com alimentos embalados, cosméticos, produtos de higiene e outros itens do cotidiano.

Os ftalatos fazem parte do grupo dos chamados desreguladores endócrinos, ou seja, são capazes de interferir no funcionamento hormonal. Durante a gestação, essa regulação é essencial para o desenvolvimento do feto e para a manutenção de uma gravidez saudável.

Pesquisas toxicológicas também mostram que esses compostos podem aumentar processos inflamatórios, alterar o desenvolvimento da placenta e induzir estresse oxidativo no sistema reprodutivo – mecanismos associados ao parto prematuro.

Regiões mais afetadas

O estudo observou que o maior impacto foi no Oriente Médio e no sul da Ásia, onde a exposição ao DEHP foi associada a cerca de 1,07 milhão de nascimentos prematuros, o que representa mais da metade do total global estimado.

Em seguida, a África aparece com aproximadamente 511 mil casos atribuíveis ao composto, enquanto países do Leste Asiático e do Pacífico tiveram cerca de 226 mil nascimentos prematuros associados ao DEHP.

A carga estimada da substância foi menor em regiões de alta renda. Canadá e Austrália registraram, respectivamente, cerca de 1,4 mil e 2,1 mil casos associados à substância, enquanto a Europa e os Estados Unidos ficaram em patamar intermediário, com estimativas de 16,7 mil e 35,6 mil nascimentos prematuros relacionados ao DEHP.



Fonte: A Tarde

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