Bahia
Fundado em 1940, no Território do Sisal, cemitério evangélico não possui cruzes nem mantém o costume de acender velas. Seu fundador morreu antes de concluir a construção e foi o primeiro a ser enterrado no local

Território do Sisal – A cerca de 7 quilômetros da sede do município de Conceição do Coité, uma curiosidade chama atenção no distrito Santa Rosa: no cemitério da comunidade não existem cruzes sobre as sepulturas e também não há o costume de acender velas.
Trata-se do Cemitério da Assembleia de Deus, fundado em 1940, que preserva uma tradição religiosa iniciada há 86 anos e guarda histórias curiosas sobre a formação da própria comunidade.
O fundador foi o primeiro a ser sepultado
O cemitério foi fundado por Roberto Lopes, natural da Fazenda Tanque Novo, localidade que atualmente pertence ao município de Retirolândia, mas que, naquela época, integrava Conceição do Coité, já que Retirolândia ainda não havia conquistado sua emancipação política.
Roberto liderou a construção do espaço em um terreno doado, mobilizando moradores em mutirões para levantar a murada. Uns produziam adobes, outros carregavam água e materiais de construção.

Segundo Gilberto Lopes de Oliveira, conhecido como Gilbertinho, de 73 anos, que há 22 anos cuida do cemitério, Roberto era um homem muito brincalhão.
Segundo eke, durante a construção, costumava perguntar aos companheiros: “Quem quer ser o primeiro aí para inaugurar?”
Os trabalhadores respondiam, em tom de brincadeira, que ninguém queria ser o primeiro.
O que ninguém imaginava é que Roberto morreria antes mesmo de concluir a murada, tornando-se a primeira pessoa sepultada no cemitério que ele próprio havia começado a construir.
Antes de Santa Rosa, a comunidade era chamada de Assembleia
A Igreja Assembleia de Deus da comunidade foi fundada em 1939, tornando-se o ponto de referência para o surgimento e crescimento da povoação ao seu redor. Por isso, durante muitos anos, a comunidade ficou conhecida simplesmente como Assembleia.
O cemitério, construído no ano seguinte, fica às margens da rodovia BA 120 e aproximadamente 200 metros da igreja, demonstrando a proximidade entre os dois espaços religiosos.

Com o passar do tempo, a Igreja Católica também passou a exercer influência na comunidade, contribuindo para a mudança do nome Assembleia para Santa Rosa.
A denominação Santa Rosa teve origem em uma fazenda vizinha ao local onde hoje está situada a sede da comunidade. Posteriormente, o nome foi oficializado, substituindo a antiga identificação popular ligada à Assembleia de Deus.
Um cemitério onde não existem cruzes
Gilbertinho explica que a ausência de cruzes é uma tradição estabelecida pelos próprios fundadores, que eram evangélicos da Assembleia de Deus. Ao longo dos anos, diferentes pessoas assumiram os cuidados do cemitério, mas a tradição foi preservada. “Até hoje não tem cruz”, afirmou.
Ele relembrou que, certa vez, durante o período de Finados, alguém colocou uma cruz de madeira sobre uma sepultura. O objeto chamou a atenção dos moradores e acabou sendo retirado para manter o costume religioso do local.
A ausência de cruzes não é uma regra universal entre os evangélicos, mas representa uma tradição específica preservada pela comunidade desde a fundação do cemitério.

Flores são permitidas, mas não há costume de acender velas
Outra característica do cemitério é que os visitantes não costumam acender velas nas sepulturas.
Segundo Gilbertinho, os familiares visitam normalmente o espaço, sendo evangélicos ou não, inclusive no Dia de Finados, levando flores para homenagear seus entes queridos. A tradição religiosa é respeitada pelos moradores e pelas famílias que utilizam o cemitério.
Espaço passou por ampliações
O cemitério começou pequeno, mas cresceu ao longo das décadas, acompanhando o desenvolvimento da comunidade.
Gilbertinho conta que uma antiga murada interna foi retirada para permitir a ampliação da área, que atualmente se aproxima de duas tarefas de terreno, conforme sua estimativa.
O local não dispõe de capela para velórios, contando apenas com uma pequena construção destinada a guardar ferramentas utilizadas na limpeza e conservação.
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