Figura carimbada na Seleção Brasileira Feminina, a lateral-esquerda Raíssa Bahia precisou dar seus primeiros passos no futebol dividindo o campo com meninos em Jacobina, sua cidade natal, no interior do estado.
“Desde os 6 anos eu já jogava com os meninos. No começo minha mãe não gostava muito, mas teve que se acostumar. Na minha cidade não tem futebol feminino de campo, então continuei jogando com os meninos”, disse ela em entrevista à CBF TV.
A jogadora de 23 anos começou sua trajetória na Associação Desportiva Esporte Clube Caieira e passou pelo Centro de Formação de Futebol da Bahia (CFFB) antes de se juntar às categorias de base do Fluminense de Feira, onde se profissionalizou. Depois disso, Raíssa Bahia chamou a atenção do Grêmio, time que defendeu de 2022 até a metade do ano passado, quando foi contratado pelo Palmeiras.
No clube paulista, ela se consolidou como uma das melhores jogadoras da posição no país, ao ponto de chamar a atenção do treinador da Seleção Brasileira, Arthur Elias. Raíssa Bahia foi convocada pela primeira vez em março deste ano, integrando o time que disputou e venceu o Fifa Series, competição realizada em abril.
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Desde então, Raissa Bahia tem sido presença constante nas listas de Arthur Elias. Em sua terceira convocação consecutiva, ela entrou pela primeira vez como titular lateral-esquerda na vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Argentina, em amistoso disputado no último sábado, 10, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.
Ela será titular mais uma vez nesta terça-feira, 13, quando o Brasil enfrenta novamente a Argentina na Arena Pernambuco. A bola rola às 20h30 para o início do amistoso.
Raíssa Bahia tem o sonho de jogar a Copa do Mundo
A menos de um ano para a Copa do Mundo Feminina, Raissa não esconde a felicidade pelas convocações e nutre o sonho de disputar o mundial no Brasil: “Estou muito feliz e grata pela oportunidade de ser convocada e continuo focada, trabalhando muito e buscando evoluir a cada dia. Se Deus quiser, vou conquistar o sonho de ser convocada para uma Copa do Mundo”.
Além do desejo de representar o Brasil, Raissa enxerga o mundial como uma oportunidade para o futebol feminino. “Ter uma Copa do Mundo no nosso país pode aumentar ainda mais a visibilidade da modalidade, aproximar o público e ajudar a fortalecer o futebol feminino, principalmente para que as meninas tenham cada vez mais oportunidades”, acrescentou.
Legado da Copa do Mundo para o futebol baiano
Quanto ao legado para a Bahia, que receberá sete jogos, ela espera que o evento abra portas para as atletas locais. “Espero que as pessoas passem a olhar com ainda mais carinho para o futebol feminino da Bahia, não apenas durante a Copa, mas também depois”, finaliza.
Para fortalecer o futebol feminino baiano, Raissa acredita que a realização de competições focadas na modalidade é um dos passos a serem dados, sobretudo para que as meninas possam continuar treinando, competindo e buscando seus sonhos dentro do esporte.
Além de Raíssa, outras duas atletas baianas estão entre as convocadas por Arthur Elias para os amistosos da Seleção Brasileira Feminina: Yanne, goleira do Esporte Clube Bahia, e Tamara Bolt, que atua no Washington Spirit, time da elite do futebol feminino nos Estados Unidos.
Copa Loreta Valadares como incentivo ao futebol feminino
Para fortalecer o calendário da modalidade e estimular a renovação de gerações de atletas, a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), realiza a Copa Loreta Valadares, maior competição estadual de futebol feminino amador e de base da Bahia.
“O Governo do Estado está alinhado às políticas públicas de fortalecimento do esporte feminino, em especial do futebol, que vêm sendo desenvolvidas nos cenários nacional e internacional, e reconhece o fomento à prática esportiva como ferramenta de transformação social. A Copa Loreta revela novas atletas e dá a elas espaço para se destacarem”, explica Juliana Camões, coordenadora do Núcleo Mais Mulheres no Esporte da Sudesb.
“Ao mesmo tempo, o fato de a Bahia sediar um grande evento mundial desperta a expectativa de um novo olhar para uma modalidade que foi e ainda é marginalizada no esporte brasileiro”, acrescenta ela.
Conheça a Copa Loreta Valadares
Criada em 2022, a competição teve sua quarta edição realizada em 2026, com a participação de 30 equipes, que disputaram as categorias de Adulto amador, Sub-15e Sub-17. A Copa Loreta leva esse nome em homenagem ao legado de Loreta Valadares, feminista e ativista política que lutou contra a ditadura militar. Loreta foi professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo falecido no ano de 2004.
Para a baiana Dilma Mendes, eleita três vezes melhor treinadora do mundo como técnica da Seleção Brasileira Feminina de Fut7, a criação e a ampliação da Copa Loreta Valadares trazem grandes benefícios para o futebol feminino da Bahia: “É um avanço gigantesco para nós, com toda a nossa história, ter, no estado, um evento dedicado ao futebol feminino, modalidade que já foi proibida no Brasil”.
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De acordo com Dilma, a Copa Loreta aprofunda esse trabalho ao abrir espaço para competições específicas para o futebol feminino.
“A Copa Loreta é um trabalho de muitas vozes e ações assertivas. A Sudesb acreditou nesse sonho, de poder fazer competições com condições, com o mínimo de infraestrutura”, avalia a treinadora, que também se destaca pelo trabalho realizado no Instituto Novas Loretas, organização focada no fortalecimento do futebol feminino e na construção de oportunidades para meninas e mulheres dentro e fora dos campos.