Douglas Pithon carrega algumas polêmicas
O policial civil Douglas Pithon, candidato a deputado estadual pela Bahia pelo Republicanos, chega às eleições de 2026 carregando um histórico recente de episódios polêmicos ligados à sua atuação profissional. O nome do investigador apareceu em uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de armas, além de processos administrativos instaurados pela própria Polícia Civil.
Pithon, de 45 anos, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Segundo os dados disponíveis sobre a candidatura, o registro está deferido.
Caso das armas apreendidas
Um dos episódios que mais chamou atenção ocorreu após uma operação realizada em 11 de julho de 2024, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.
Na ocasião, policiais encontraram em uma área de mata um esconderijo com seis fuzis, uma submetralhadora e mais de mil munições. A ação, que envolveu equipes da Polícia Civil e da CORE, posteriormente passou a ser investigada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Corregedoria da Polícia Civil.
A apuração levantou a suspeita de que a quantidade de armas encontrada poderia ser maior do que a oficialmente registrada. O caso também ganhou contornos mais graves após dois homens, Joseval Santos Souza e Jeferson Sacramento Santos, serem encontrados mortos depois de terem sido levados para a região da operação.
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Na época da operação, Pithon era coordenador da CORE. Meses depois, áudios dele enviados a um policial subordinado vieram a público dentro da investigação.
Nas gravações, Pithon fala sobre a realização de uma nova oitiva relacionada à apreensão das armas e afirma que o procedimento seria “relativamente diferente” do depoimento anterior. Ele também menciona que o assunto estaria “alinhado” com integrantes da cúpula do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom).
O conteúdo levantou suspeitas de um possível alinhamento de versões entre policiais que participaram da ocorrência.
Pithon, porém, negou que tivesse orientado qualquer mudança ilegal em depoimentos. Segundo ele, a conversa tratava apenas de questões relacionadas ao dia, horário e local de uma nova oitiva, que teria sido necessária por problemas no primeiro depoimento.
“Nunca roubei arma”, disse Pithon
Após a repercussão do caso, Pithon foi às redes sociais para rebater as acusações. O policial afirmou que não havia cometido qualquer irregularidade e negou participação no suposto esquema.
Em declaração divulgada na época, ele afirmou que nunca havia negociado ou roubado armas e disse que a CORE cumpriu a missão dentro da legalidade. Também classificou a reportagem que revelou o caso como “extremamente tendenciosa”.
A investigação, entretanto, não apontava Pithon como condenado por desvio de armas. O policial também declarou, naquele momento, que não respondia a processo criminal relacionado ao episódio.
Saída da CORE
Depois de comandar a CORE, Pithon deixou a unidade e foi transferido para a Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter).
A mudança foi comentada pelo próprio investigador em julho de 2025. Na ocasião, ele afirmou que a transferência fazia parte de uma “decisão estratégica de gestão” e elogiou a nova administração da Polícia Civil.
Não foi divulgada oficialmente uma relação entre a transferência e a investigação sobre o suposto desvio de armas.
Críticas à própria Polícia Civil rendem PAD
As polêmicas não ficaram restritas ao caso das armas.
Em maio de 2026, a Polícia Civil abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Pithon por declarações dadas em um podcast no ano anterior.
Durante a entrevista, o investigador fez críticas à condução de investigações internas da própria corporação e comentou o caso envolvendo o delegado Adailton Adam, que havia sido exonerado em março de 2025.
Pithon falou ainda sobre uma suposta “carta sumida”, que teria relação com a investigação, e questionou a condução do procedimento. Ele também criticou a atuação de um perito e fez comentários sobre divergências entre integrantes da Polícia Civil.
O PAD foi instaurado para verificar se as declarações configuraram alguma infração disciplinar, principalmente pela possível exposição de informações internas da instituição. A abertura do processo representa o início da apuração e não uma conclusão de culpa.
Denúncia por homicídio também virou processo disciplinar
Outro episódio envolvendo o investigador ganhou força em 2026.
Pithon e o também policial civil Anderson Luis Mota de Andrade foram denunciados pelo Ministério Público da Bahia por homicídio simples, em razão da atuação em uma operação realizada em 5 de setembro de 2024, no Nordeste de Amaralina, em Salvador.
A ação terminou com a morte de Sueliton de Almeida Coelho, apontado pelas autoridades como integrante do Comando Vermelho.
A denúncia foi recebida pela Justiça em 11 de maio de 2026, e a ação penal tramita no 1º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador.
Além da investigação criminal, a Polícia Civil abriu um novo PAD para apurar a conduta dos dois investigadores. O procedimento também prevê a análise de publicações nas redes sociais que teriam supostamente celebrado a morte do homem.