Convênio de R$ 11 mi vai criar remédio para doença falciforme na Bahia

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O Ministério da Saúde firmou um convênio de R$ 11,46 milhões com a Bahiafarma para aquisição de equipamentos e desenvolvimento de uma formulação farmacêutica líquida oral com hidroxiureia, medicamento voltado ao tratamento de doenças falciformes. A assinatura do acordo foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 8.

O montante total previsto de R$ 11.461.251,00 está programado para o exercício de 2026. Os recursos estão divididos em dois empenhos: um de R$ 27.895,00 e outro de R$ 11.433.356,00. O acordo foi assinado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pela diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes.

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A vigência do convênio vai até 2 de julho de 2029 e segundo a publicação, não haverá contrapartida financeira da convenente. Ou seja, todo o valor será repassado pelo Ministério da Saúde.

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Medicamento pediátrico

Em contato com a reportagem de A TARDE, a Bahiafarma informou que o projeto prevê o desenvolvimento de uma formulação da hidroxiureia em suspensão, pensada para uso pediátrico. O medicamento será produzido pela Bahiafarma, enquanto a pesquisa será conduzida pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a fundação.

“É uma formulação da Hidroxiureia em suspensão, feita para uso pediátrico. É uma parceria com a Ufba para desenvolvimento da formulação líquida da Hidroxiureia que facilitará a administração em crianças a partir de 8 meses de idade, permitindo maior precisão na dosagem e melhor adesão ao tratamento”, informou a Bahiafarma.

Ainda segundo a fundação, o objetivo da iniciativa é contribuir para a redução da mortalidade associada à doença falciforme, condição que tem alta incidência na Bahia e em outros estados brasileiros.

A hidroxiureia já é utilizada no tratamento da doença falciforme, mas a nova formulação líquida busca facilitar a administração em crianças pequenas, público que demanda maior precisão de dosagem e alternativas farmacêuticas mais adequadas à faixa etária.

Projetos aprovados

A Bahiafarma teve dois projetos aprovados no Projeto para Desenvolvimento e Inovação Local em outubro do ano passado. Os investimentos somaram mais de R$ 24 milhões e fortaleceram o compromisso da empresa com a inovação, a pesquisa e a produção de tecnologias em saúde para o SUS.

O primeiro projeto, desenvolvido em colaboração com a UFBA, prevê justamente a criação da Hidroxiureia. Neste caso, a pesquisa prevê o recebimento de investimento de cerca de R$ 23 milhões.

Já o segundo projeto, em parceria com a UFBA e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), trata do desenvolvimento de um probiótico de uso oral para neuropatia diabética, uma das principais complicações crônicas do diabetes.

Remédios para câncer

Ainda no campo da expansão da Bahiafarma, em fevereiro, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) viajou à Asia na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e buscou investimentos do estado na produção exclusiva de medicamentos contra o câncer.

Na bagagem, o chefe do Executivo baiano tem o único desejo: ampliar a parceria com empresas indianas para produzir, de forma própria, quatro medicamentos contra a doença, resultando no barateamento do produto.

Hoje, de acordo com a Folha de S.Paulo, os remédios custam R$ 1,7 bilhão por ano aos cofres públicos. Entre os medicamentos que podem ficar mais baratos estão:

  • Pertuzumabe, usado no tratamento do câncer de mama;
  • Eculizumabe, usado para tratar doenças raras;
  • Nivolumabe —imunoterapia para alguns tipos de câncer, como de pulmão, rim e estômago;
  • Bevacizumabe, usado no tratamento oncológico.

“Hoje, há medicamentos que custam entre R$ 17 mil e R$ 20 mil por caixa. Com a produção local, poderemos reduzir esse valor para algo em torno de R$ 10 mil ou R$ 11 mil. Isso representa economia para os cofres públicos, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico para a Bahia”, disse Jerônimo na época.

A expectativa era de formalizar termos de compromisso com duas indústrias farmacêuticas — uma indiana e outra sul-coreana — para transferência de tecnologia à Bahiafarma.



Fonte: A Tarde

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