Copa do Mundo Feminina inspira meninas da Bahia a sonhar alto

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Projeto é realizado pela organização De Peito Aberto |  Foto: Divulgação: Assessoria do Pojeto

Por muito tempo, o futebol brasileiro foi um esporte voltado apenas para o público masculino. Contudo, o cenário está mudando e o Brasil será sede da 10ª edição da Copa do Mundo Feminina da FIFA. Os jogos estão programados para ocorrer em oito cidades, entre elas Salvador. Com a proximidade do evento esportivo, as jogadoras do Projeto Oportunidade Através do Esporte, sentem que o sonho de se tornarem jogadoras da Seleção brasileira mais próximo.

O MASSA! foi em uma das sede do projeto em Lauro de Freitas, localizada no Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação para saber sobre a trajetória e expectativa de diversas gartotas que pensam em ser uma atleta profissional do futebol.

Imagem ilustrativa da imagem Copa do Mundo Feminina inspira meninas da Bahia a sonhar alto

Foto: Assessoria do Pojeto

Ex-atleta de futebol profissional, Itamara Santana, de 34 anos, revelou como o Oportunidade Através do Esporte tem sido ferramenta importante na vida das meninas.O projeto vem como uma fonte de recuperação, de inclusão. Aqui elas conseguem socializar, tanto com os meninos quanto com as outras meninas. É onde elas se sentem dentro de casa”, afirmou.

Na foto, Itamara técnica do projeto

Na foto, Itamara técnica do projeto | Foto: Raphael Muller / AG. A TARDE

Como jogadora, ela conhece de perto as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no esporte. Antes de se tornar educadora física, defendeu clubes como Bahia, Vitória, Lusaca, Fortaleza e Juventude Timonense. Na época em que começou a jogar, as oportunidades eram diferentes. “Quando encontrei esse projeto e soube que havia esse olhar para o futebol feminino, fiquei muito feliz. Eu não tive essa oportunidade”, vibrou.

Aspas

Precisava me incluir no meio dos meninos para poder jogar e viver o futebol

Itamara, treinadora do projeto

Futebol feminino: o momento é agora

Diferente do cenário vivido por Itamara, nos últimos 10 anos o futebol feminino ultrapassou as arenas de futebol e tornou-se destaque no país. Segundo a “Pesquisa Futebol Feminino 2025” produzida pelo Grupo Globo, em todos os continentes as audiências e investimentos na modalidade estão crescendo. O jogo Corinthians e Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro Feminino de 2025, por exemplo, teve como público de estádio 41.130 pessoas, o maior registrado em entre mulheres no país.

O aumento representa a ruptura de uma modalidade de esporte que chegou a ser censurada. O futebol feminino chegou a ser proibido entre 1941 e 1979, por meio do artigo 54 do Decreto-Lei nº 3.199, sob a justificativa de que determinadas modalidades esportivas poderiam comprometer sua saúde e capacidade reprodutiva.

Para Itamara, a realização da Copa do Mundo no Brasil representa mais um passo nessa transformação. “Hoje o futebol feminino está crescendo muito. Um evento como a Copa vai dar ainda mais visibilidade e abrir portas para muitas meninas que sonham em seguir essa carreira”, destacou a treinadora do projeto.

Diferente das outras meninas entrevistadas que são fãs da Marta, Thamires Nery, do bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, tem 17 anos e se inspira em sua xará e colega de posição, a lateral esquerda Tamires Dias. Graças a atleta profissional, além da seleção, a jovem sonha em atuar pelo Corinthians “Eu sempre me inspirei na história dela. Ela teve coragem de sair de onde ela morava para viajar e seguir o sonho dela”, explicou.

O sonho de ser jogadora

Para Ana Júlia, de apenas 10 anos, o sonho de ser jogadora já faz parte dos planos para o futuro. A menina começou a jogar bola com os meninos da rua e, depois de descobrir que levava jeito para o esporte, encontrou no projeto um espaço para desenvolver o talento. “Meu maior sonho é ser uma jogadora muito profissional e ganhar a Copa do Mundo”, vislumbrou.

Assim como Ana Júlia, Thamires também joga bola desde criança. “Desde muito pequena eu me lembro de jogar futebol. Eu trocava de roupa da escola e ia jogar com eles. Todos os dias fazíamos isso”, recordou a adolescente.

Na foto, Ana Júlia, de 10 anos

Na foto, Ana Júlia, de 10 anos | Foto: Assessoria do Pojeto

Já a moradora de Jauá, em Camaçari, Marília Isabel, de 15 anos, conheceu o futebol por meio do projeto. Antes, ela observava os meninos jogarem, mas não tinha oportunidade para aprender. “Eu via as pessoas jogando, mas não sabia tocar na bola. O projeto foi muito importante porque aprendi tudo aquilo que eu via os outros fazendo.”

Hoje, zagueira da equipe, Marília afirma que o esporte mudou completamente seus planos. “Depois do projeto, meu coração manda eu seguir essa carreira. Quero ver até onde consigo chegar”, disse. Por outro lado, Ana Júlia já sabe que, além de querer vestir a camisa da Seleção Brasileira, também já sabe qual clube deseja defender: “Quero jogar no Bahia.”

Ana Júlia no treinamento

Ana Júlia no treinamento | Foto: Raphael Muller / AG. A TARDE

A realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil aumenta a expectativa das duas atletas mirins, que desejam assistir às partidas e, quem sabe, um dia estar em campo como protagonistas. “Vai ser uma oportunidade muito boa para quem mora no Brasil. Muitas meninas têm vontade de jogar, mas nem todas têm condições de pagar uma escolinha. Aqui a gente recebe fardamento, e tudo mais, de graça.” disse Marília.

Questionadas sobre o que falar para outras meninas que querem seguir no esporte, as atletas do Projeto Oportunidade Através do Esporte não hesitam em incentivar a escolha. Mais velha entre as entrevistadas, Thamires aponta as dificuldades da modalidade, mas ressalta a importância de seguir o próprio sonho. “É difícil. Eu sei que tem crítica e preconceito no futebol, mas se é isso mesmo que você quer, tem que principalmente acreditar em si”, destacou a jovem.

Como participar do projeto

Os primeiros resultados do projeto já começaram a aparecer, segundo o coordenador do projeto, Leandro Cordeiro. “Recentemente, três meninas do projeto foram selecionadas para participar de uma “peneira” no Bahia, obtendo um bom desempenho”, celebrou.

Além disso, segundo o coordenador, há também outras meninas sendo direcionadas para projetos de alto rendimento. Confira abaixo o que é necessário para participar do projeto:

➡️Quem pode participar: crianças de 6 a 17 anos de idade, estudantes de escolas públicas, sejam elas da rede estadual ou municipal.
➡️Podem ser de qualquer localidade da Bahia, não se restringindo apenas aos municípios onde o projeto atende.
➡️Vagas: novas vagas são abertas a cada ciclo do projeto. A divulgação é feita por meio das redes sociais.
➡️Documentação Necessária para Inscrição: atestado de matrícula, RG (Registro Geral), comprovante de residência e documento do responsável.

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Em campos espalhados pela Região Metropolitana de Salvador (RMS), o futebol deixa de ser apenas brincadeira e se transforma em possibilidades de sonhar em um dia vestir e honrar a Amarelinha.

Fonte: A Massa

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