O Brasil atravessa 2026 com uma ferida aberta na democracia: a sub-representação feminina. Embora as mulheres sejam a maioria da população e do eleitorado, o Congresso Nacional ainda é um território predominantemente masculino.
A distância entre o Brasil e os vizinhos latinos, como o México, não é apenas geográfica, mas sim uma barreira de vontade política e desenho institucional.
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Apesar de serem a maioria da população (51,5%) e do eleitorado, as mulheres ocupam menos de 1/5 das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado.
Exemplo a ser seguido
O México não alcançou a paridade por acaso. Em 2014, o país elevou a igualdade de gênero ao status constitucional com o princípio “Paridade em Tudo“.
A regra é clara, já que os partidos são obrigados a apresentar 50% de candidatas em todos os níveis de governo. Se a lista não for paritária, o registro é sumariamente negado.
No Brasil, o sistema de cotas de 30% para candidaturas (Lei 9.504/97) tem se mostrado insuficiente.
Sem cadeiras reservadas, as mulheres enfrentam uma competição desigual pelo fundo partidário e pelo tempo de TV, muitas vezes controlados por caciques políticos homens.
Barreiras invisíveis
No Brasil, o voto é nominal e em lista aberta. No México, parte das cadeiras é definida por listas fechadas, onde o partido é obrigado a alternar homens e mulheres (sistema “zebra”). Isso garante que, se o partido ganhar cinco vagas, pelo menos duas ou três vão ser de mulheres.
Historicamente, o Congresso brasileiro vota PECs que perdoam partidos que descumprem o investimento mínimo em mulheres.
O Brasil sancionou a Lei 14.192/21 contra a violência política de gênero, mas a aplicação ainda é tímida. O silenciamento de parlamentares e os ataques em redes sociais afastam novas lideranças da vida pública.
Números
- 52% é o percentual de mulheres na população brasileira.
- 18% é a ocupação média feminina na Câmara dos Deputados.
- 1º lugar na América Latina em paridade é o México (50%).
Futuro da representação
A solução que ganha força entre juristas é a transição da “cota de candidatura” para a “cota de cadeiras”. Países como a Argentina e a Bolívia já entenderam que a democracia só é plena quando o espelho do poder reflete a face de quem vota.
Enquanto o Brasil não reformar o núcleo do sistema eleitoral, a paridade vai continuar sendo um horizonte que recua a cada eleição.
Teto de vidro
Desde 1997, o Brasil adota a Lei das Cotas, que exige que os partidos reservem ao menos 30% de candidaturas para mulheres. O partido preenche a cota no papel, mas muitas vezes não oferece o capital político e financeiro para que essa mulher vença.
Regras sem brechas
O que falta para o Brasil alcançar o México? A resposta está na rigidez institucional. O modelo mexicano não aceita “jeitinhos”:
- Se um partido lança um homem em um distrito, o próximo deve ser uma mulher.
- Os partidos são proibidos de destinar candidatas apenas a distritos onde a derrota é certa.
- A regra vale para prefeituras, governos e câmaras.
Embora o TSE obrigue o repasse proporcional de verbas, o controle do “caixa” dos partidos permanece majoritariamente masculino, atrasando repasses cruciais para candidatas mulheres.
Reserva de cadeiras?
O debate que ganha força no Congresso é a migração do sistema de cotas de candidatura para a reserva de assentos. Em vez de apenas garantir que elas concorram, a lei garantiria que uma porcentagem mínima do plenário seja feminina, independentemente da votação total dos partidos.
Dados
População feminina: 51,5%
Cadeiras na Câmara: 17,7%
Cadeiras no Senado: 18,5%
Média da América Latina: 30%
Liderança por Federação: PT/PCdoB (21 deputadas)
Liderança por Partido: PL (17 deputadas)
O amargo 146º lugar em ranking global
No ranking de 193 nações, o Brasil ocupa a incômoda 146ª posição. Na América Latina, vizinhos como Cuba (53,4%) e México (50%) já alcançaram a paridade de gênero, evidenciando o atraso brasileiro em converter sua maioria eleitoral em representação política efetiva.
Com 91 deputadas eleitas, representação feminina sobe para 17,7%; apesar do avanço e de incentivos legais, país segue distante da média mundial e da paridade observada em vizinhos latinos.
A nova configuração da Câmara dos Deputados reflete um avanço gradual, mas ainda insuficiente, da presença feminina no centro do poder brasileiro.
Com 91 parlamentares, a bancada feminina eleita em 2022 superou as 77 cadeiras de 2018.
O crescimento, embora represente um recorde histórico para a Casa, mantém as mulheres com apenas 17,7% das 513 cadeiras — um contraste severo com o perfil do eleitorado, onde elas são a maioria absoluta (52,6%).
Mapa dos votos
O desempenho nas urnas mostrou que as mulheres são puxadoras de votos. Em oito estados e no Distrito Federal, candidatas foram as mais votadas das próprias unidades federativas.
Nomes como Bia Kicis (PL-DF), Daniela do Waguinho (União-RJ) e Natália Bonavides (PT-RN) lideraram a preferência dos eleitores em seus redutos.
Partidariamente, o PL e a federação encabeçada pelo PT, as duas maiores forças da Casa, também concentram o maior número de deputadas: 17 e 21, respectivamente. O PSD, por sua vez, registrou o maior crescimento proporcional, saltando de uma para quatro parlamentares — uma alta de 300%.
Crescimento
Nas eleições municipais de 2024, o cenário da representatividade feminina nas Câmaras Municipais apresentou um crescimento tímido.
Embora a participação total de mulheres tenha subido de 16% para 18%, o número de cidades sem nenhuma representante feminina ainda é expressivo.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e levantamentos consolidados após o pleito mais de 700 municípios, aproximadamente 775, não elegeram nenhuma vereadora para a legislatura 2025-2028.
Em contrapartida, não houve nenhum município brasileiro que tenha eleito apenas mulheres; em todas as cidades, ao menos um homem foi eleito.
Destaques por Estado
O estado de São Paulo, embora tenha a maior economia do país, reflete bem essa disparidade. Pelo menos 78 cidades paulistas vão ter Câmaras exclusivamente masculinas a partir de 2025.
Entre os municípios que não elegeram mulheres estão cidades de médio porte e relevância regional, como:
No Paraná, mais de 60 cidades também não elegeram nenhuma mulher para o legislativo local.
Municípios com “Jeju de Mulheres”
Algumas cidades brasileiras chamam a atenção por não elegerem mulheres há décadas ou, em alguns casos, nunca terem tido uma representante feminina:
- Guaraciama (MG): Nunca elegeu uma mulher em toda a história.
- Boa Vista (PB): Fundada há 28 anos, também nunca teve uma vereadora.
- Conceição do Pará (MG): Não elege uma mulher desde 1980.
- Oliveira Fortes (MG): Há 32 anos sem representação feminina em cargos públicos.
Maioria feminina
A representatividade feminina cresce, mas maioria nas Câmaras é realidade em menos de 1% das cidades
Um levantamento realizado com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que, das 5.568 cidades que realizaram pleitos municipais em 2020, apenas 45 possuem maioria feminina na composição das Câmaras de Vereadores. O número representa menos de 1% do total de municípios do país.
Embora o dado pareça inexpressivo, ele aponta uma tendência de crescimento em relação ao pleito de 2016, quando apenas 24 cidades alcançaram essa marca. Na média nacional, a ocupação de cadeiras legislativas por mulheres subiu de 13% para 16% no último período eleitoral.
Perfil das cidades
A maior parte dos municípios onde as mulheres são maioria no Legislativo possui um perfil específico, já que são cidades pequenas, com menos de 15 mil habitantes.
Curiosamente, a presença feminina no topo do Legislativo não se reflete necessariamente no Executivo, já que a maioria dessas cidades continua sendo administrada por prefeitos homens.
No panorama geral, o déficit de representatividade ainda é alarmante, uma vez que 933 cidades não elegeram nenhuma mulher para o cargo de vereança. Apenas 663 prefeitas foram eleitas em todo o território nacional.
Desempenho nas urnas
Se a ocupação das cadeiras ainda é baixa, o desempenho individual das candidatas indica um potencial de mudança. Em quase 900 municípios, as mulheres foram as candidatas mais votadas para o cargo de vereador.
Esse fenômeno de votação expressiva concentrou-se majoritariamente nas regiões Nordeste e Sudeste, que juntas abrigam mais da metade das cidades onde as mulheres obtiveram os melhores resultados eleitorais para o Legislativo.
● Qual é a porcentagem de mulheres na população e no Congresso Nacional do Brasil?As mulheres representam **51,5%** da população brasileira, mas ocupam apenas **17,7%** das cadeiras na Câmara dos Deputados.● O que é a Lei das Cotas no Brasil?A Lei das Cotas exige que os partidos reservem **30%** de candidaturas para mulheres, uma medida que tem se mostrado insuficiente para garantir maior representatividade.● Como o modelo eleitoral do México se compara ao Brasil em termos de paridade de gênero?O México adotou um sistema que exige **50%** de mulheres nas candidaturas, enquanto o Brasil enfrenta desafios com sua cota de apenas **30%**.● Qual é a situação da violência política de gênero no Brasil?A Lei 14.192/21 visa combater a violência política de gênero, mas sua aplicação ainda é fraca, resultando em silenciamento de mulheres na política.● Quantas cidades no Brasil têm uma maioria feminina nas Câmaras Municipais?Menos de **1%** das cidades brasileiras, apenas **45** em um total de 5.568, têm uma maioria feminina em suas Câmaras Municipais.
Com o objetivo de debater temas fundamentais para o público feminino, o Grupo A TARDE promove o evento “Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança“. O encontro será realizado no dia 17 de março, das 15h às 18h, no Auditório do SEBRAE (Rua Arthur de Azevêdo Machado, 1225, Edf. Civil Towers, Costa Azul, Salvador – BA). A iniciativa integra as celebrações em torno do Dia da Mulher, reunindo discussões sobre protagonismo e proteção no cenário atual.