Crescimento da população indígena e a consolidação das políticas públicas

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“Minha avó era ‘índia’.” Quantas vezes ouvimos essa frase, dita com um misto de orgulho, nostalgia e desconhecimento? Por muito tempo, o apagamento da identidade indígena no Brasil se deu por meio da negação histórica, da violência simbólica e da exclusão institucional. A invisibilidade forçada resultou em gerações que deixaram de se reconhecer como indígenas, mesmo carregando em seus corpos essa ancestralidade.

No entanto, o cenário está mudando. No Censo Demográfico de 2022, o número de pessoas que se autodeclaram indígenas no Brasil cresceu cerca de 89% em relação ao Censo de 2010, alcançando 1,69 milhão de pessoas. Na Bahia, são 229,4 mil indígenas, o segundo maior contingente do país, atrás apenas do Amazonas. O estado abriga 31 povos indígenas distribuídos em 245 comunidades. Isso não é apenas um crescimento demográfico, é reconfiguração da consciência identitária


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Essa diversidade e resistência têm sido fortalecidas pelas políticas públicas promovidas pelo Governo do Estado, especialmente a partir da eleição de Jerônimo Rodrigues, primeiro governador autodeclarado indígena do Brasil. Sua trajetória e seu compromisso com os povos originários têm colocado essa pauta no centro das ações governamentais.

Um exemplo desse compromisso é o investimento destinado à garantia de acesso e infraestrutura nas comunidades indígenas, como a construção de estradas, a perfuração de poços e a instalação de sistemas de abastecimento de água, assegurando dignidade e saúde.

Uma conquista emblemática é a habilitação do Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus, como a primeira unidade do estado especializada no atendimento à população indígena, respeitando suas especificidades culturais, linguísticas e espirituais.

Na Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, essa pauta ganha força por meio de projetos de qualificação profissional financiados pelo Fundo de Promoção do Trabalho Decente (Funtrad), além da realização de festivais e feiras de artesanato e economia solidária, importantes vitrines e fontes de geração de trabalho e renda para essas comunidades.

No esporte, destacam-se o 1º Campeonato Estadual de Futebol dos Povos Indígenas da Bahia, realizado no final de 2025, e a 18ª edição dos Jogos Indígenas Pataxó, em Santa Cruz Cabrália, no extremo sul do estado.

O avanço desses indicadores e ações demonstra que reconhecer-se indígena não é mais apenas um gesto de resistência solitária, é também resultado de políticas públicas comprometidas com a reparação histórica. Importante frisar que tudo isso é fruto da mobilização dos mais diversos movimentos e lideranças indígenas, peças fundamentais para essa construção coletiva de reconhecimento e reafirmação identitária.

*Secretário em exercício do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia



Fonte: A Tarde

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