Crônicas de Martha Medeiros ganham vida em nova peça

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Com sete anos de estrada e mais de 15 cidades contempladas, a peça Simples Assim chega à Salvador neste fim de semana. Estrelada por Alexandra Richter, Georgiana Góes e Pedroca Monteiro, a obra é um compilado das crônicas da consagrada escritora Martha Medeiros, que assina a dramaturgia em parceria com Rosane Lima e conta com a direção do experiente Ernesto Piccolo.

Apresentado pelo Ministério da Cultura e Bradesco Seguros, a obra, que tem feito uma turnê pela região Nordeste, com Salvador como terceira parada, é produzida originalmente pela Turbilhão de Ideias e produção local da Carambola Produções. Apresentações sexta-feira, 8, e sábado, 9, às 20h e domingo, 10, 19h, no Teatro Faresi (antigo ISBA).

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A partir das crônicas Quem diria que viver iria dar nisso e Simples Assim de Martha Medeiros, a montagem conduz o espectador, durante cerca de 75 minutos, a adentrar em histórias interligadas, que retratam, com sensibilidade, situações da vida contemporânea.

A solidão, o excesso de conexão digital, os afetos atravessados pelo cotidiano e o desafio de preservar a humanidade em tempos acelerados são costuradas pelos atores que se revezam entre personagens cômicos e profundos que refletem os sintomas da sociedade atual.

Dentro e fora dos palcos

A atriz Alexandra Richter, conhecida pelo seu papel em diversas novelas da Rede Globo, dentre elas, Cheias de Charme, como a patroa Sônia, se juntou há três semanas ao elenco original da peça, composto por Júlia Lemmertz, Georgiana Góes e Pedroca Monteiro.

Ela declara que a conexão com os outros atores foi imediata e, com certeza, o público vai captar essa energia.

“Eu acabei de entrar na peça, essa é a minha terceira semana. A obra já existe há um tempo e a conexão criada entre Júlia, Georgiana e Pedroca é muito intensa. Eles são compadres e me receberam extremamente bem. É uma delícia contracenar com pessoas e atores que admiro tanto. A nossa química é incrível e com certeza o público vai sentir isso”, revela Alexandra.

Georgiana Góes, que está nessa caminhada desde do ínicio, relata que a conexão com os seus colegas de cena é muito forte e a chegada de Alexandra só fez incrementar ainda mais o espetáculo. “A gente estreou com Júlia Lemmertz e Pedroca Monteiro no início. Eles viraram padrinhos da minha filha que nasceu no meio da pandemia em um momento de pausa da peça. E a Xandra, que entrou há três semanas, teve total sintonia com a gente. Parece que já estava há anos”, destaca Georgiana.

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Relações humanas

Com a marca de mais de um milhão de exemplares vendidos e considerada uma das maiores cronistas do Brasil, Martha Medeiros trata de assuntos do cotidiano de uma forma simples, mas profunda. “Martha é uma escritora que fala do humano, das relações humanas, do cotidiano, do que falamos e sentimos no dia a dia. Ela faz com que a gente se divirta e se emocione. Em muitas cenas, percebemos que o público fica mais em silêncio, fica emocionado porque se identificaram”, reflete Alexandra, que na peça interpreta, entre outros personagens, uma mulher que é viciada no celular e se desconecta da vida real.

“A Martha é essa autora que tem a capacidade de falar das coisas mais simples com profundidade, de fazer a gente rir de nós mesmos e de falar do amor de um jeito tão simples e que todo mundo se identifica”, destaca Georgiana, que interpreta a dublê de uma mulher que vive em um ritmo extremamente ocupado e que ela acredita que as mulheres irão se identificar. “Tem uma personagem que eu gosto muito que é a dublê de uma mulher muito ocupada e nós, mulheres, especialmente, nos identificamos muito porque estamos sempre nessa loucura de equilibrar diversos pratinhos, entre cuidar da carreira, da casa, dos filhos, do cuidado pessoal, em um período de 24 horas”, confessa a carioca.

Pedroca Monteiro, que integra o elenco da peça desde o início, acredita que um dos seus personagens, um âncora de um telejornal que há quatro anos apresenta somente notícias ruins e está exausto dessa rotina, sintetiza bem a essência dos demais personagens da obra. “Eu faço três personagens na peça e nenhum deles é tranquilo ou leve. Todos estão em um grande conflito na vida, principalmente o primeiro que está em um nível de estresse enorme e quer mudar a vida dele, que em um momento já foi um sonho”, destaca o ator que acredita que todos os personagens da peça estão no seu limite, em um ponto de virada e de transformação da vida.

Em um cenário mediado pelas redes sociais, pela hiperconexão e por bombardeios de informações a todo tempo, Alexandra acredita que o que importa são as relações humanas e este é o tema que a peça busca abordar. “Nós não somos máquinas, não somos robôs, então temos que saber usar tudo isso que foi criado para facilitar a nossa vida”.

No entanto, a atriz destaca que ao ficarmos presos a esse mundo somente, ficamos reféns de nós mesmos. “Quando a gente fica refém disso tudo, a gente fica refém de nós mesmos, porque a vida é feita de escolhas. A gente pode escolher ficar 24 horas por dia nas redes sociais performando e agindo contra a nossa natureza”. Para ela, portanto, a principal mensagem da peça é cuidar das nossas escolhas, para que possamos preservar as nossas relações e desgastá-las menos do que já estão desgastadas.

Resgate do tempo presente

“Teatro é a arte da presença. E também do movimento, da ação que acontece em cena e do que acontece fora dela, na plateia, no público”, acredita Alexandra Richter.

A expectativa, para Georgiana, é que as pessoas sintam uma pontada de transformação, que se conectem com o que lhes está sendo apresentado. “Eu espero que o público sinta o poder do teatro em transformar minimamente o nosso estado. Que o público saia melhor do que entrou e que reflitam sobre a importância de estarmos presentes no momento presente e com qualidade”, declara a atriz, que possui uma forte conexão com a capital baiana.

“Salvador é a minha segunda cidade, então para mim é um sonho poder me apresentar aqui. Tenho uma família muito grande na cidade, então eu venho praticamente todos os anos desde de que eu nasci. Eu brinco que o meu cordão umbilical foi jogado no Porto da Barra, então eu tenho que visitar o meu umbigo”, brinca a atriz.

“Fazer espetáculo em Salvador é uma benção, eu já penso nessa ida como uma dádiva porque é o berço de tantos artistas talentosos do Brasil. É uma terra abençoada”, declara Alexandra, que logo, logo, estará na capital baiana, ao lado de grandes atores, performando essa comédia que promete gerar muitas reflexões.

Simples Assim / Sexta-feira (8), sábado (9) e domingo (10) / Horários: Sexta e Sábado, às 20h e Domingo às 19h / Teatro Faresi / R$ 180, R$ 90 e R$ 150,00 (Ingresso Solidário + 1kg de Alimento) / PLATEIA POPULAR: R$ 50 e R$ 25 / Vendas: Sympla e Bilheteria do Teatro / Classificação: 12 anos

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.



Fonte: A Tarde

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