Curtinhas – O que se comentava antes das eleições e o que às urnas responderam – Calila Noticias

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Se eleição fosse definida pelas conversas das ruas e grupos de WhatsApp, muitas urnas nem precisariam ser ligadas. Antes de 4 de outubro, tinha candidato praticamente eleito e também já os considerados derrotados, campeão regional definido e até quantidade de votos prevista.

O problema é que esqueceram de ‘combinar com as urnas’ que têm características curiosas: passam a campanha inteira em silêncio guardadas em caixas de papelão e quando ‘resolvem falar’, não mandam áudios, não discutem e não pedem réplica. Mostram números.

PT em mais uma eleição perdia nas pesquisas mas ganha com maior quantidade de votos

Os velhos caciques do Partido dos Trabalhadores (PT) a exemplo de Jaques Wagner e Rui Costa, até mesmo Jerônimo Rodrigues que concorreu pela segunda vez o cargo eletivo, devem ter sofrido menos que os eleitores com os resultados das pesquisas que vinham sendo divulgados mesmo antes da campanha, porque eles assistiam um filme reprisado na Bahia desde 2006 há exatos 20 anos quando Paulo Souto concorria a reeleição contra Wagner e as pesquisas apontavam vitória de Souto no primeiro turno.

Wagner tinha menos de 10%, enquanto Paulo Souto passava dos 40%, O petista em Carava passou em Coité quando faltava menos de duas semanas para às eleições e falou para meia dúzia de pessoas que ele estaria virando o jogo a partir daquele dia, em uma cidade de tradição carlista como é Coité, quem estava na praça não conteve o riso irônico. Abrem-se as urnas, e Wagner ganha no primeiro turno. Muita gente até hoje não entende como isso aconteceu.

Os três petistas perderam nas pesquisas e saíram vencedores nas urnas | Foto: Raimundo Mascarenhas –

Isso passou a ser pauta nos discursos de Wagner que voltou a ficar atrás nas pesquisas em 2010 e foi reeleito, apoiou Rui Costa considerado muito pesado e que não ganharia a disputa, automaticamente refletia nas pesquisas e Rui também foi eleito e reeleito, sempre com as pesquisas negativas. Em 2022 a bola da vez foi Jerônimo, desconhecido no meio político iria enfrentar ACM Neto e as pesquisas colcavam Jero com um digito nas pesquisas e a vitória certa de Neto no primeiro turno. O filme rodou mais uma vez e as pesquisas, embora na véspea alguns institutos apontassem vitória do petista, nenhuma apontava aquela votação de frente, muito folgada.

Wagner parece que foi que menos sofreu, nos comícios, sempre fez questão de dizer.”Eles sempre vencem nas pesquias, mas nas urnas que ganha somos nós”.

Em Coité a previsão era que ACM Neto ganharia a eleição de 2 por 1

Em Conceição do Coité, uma das conversas mais repetidas antes da eleição era de que ACM Neto venceria Jerônimo com grande vantagem, podendo ter o dobro da votação de frente, o chamado 2 por 1, ou seja, a cada três votos válidos, dois eram de Neto.

Havia motivo para tamanha confiança. O prefeito Marcelo Araújo, do União Brasil, vinha de uma eleição municipal muito forte. Em 2024, foi reeleito com 27.028 votos, correspondentes a 59,90% dos votos válidos. Assis, do PT, teve 12.478, e Val, do PSD, 5.616. Marcelo saiu daquela disputa fortalecido e passou a ser tratado como uma das maiores forças eleitorais da região sisaleira.

Comício de Neto em Coité | Foto: Raimundo Mascarenhas

Além disso, Marcelo era o único prefeito dos 20 municípios do Território do Sisal que apoiava ACM Neto para governador, mas com todo seu empenho, saiu vitórioso. ACM Neto terminou Conceição do Coité com 21.400 votos e  Jerônimo Rodrigues teve 21.324, com apenas 76 votos de frente a quantidade caberia tranquilamente dentro de dois ônibus.

Alex não passaria dos 5 mil votos em Coité

No domingo da eleição, para quem olhava apenas a movimentação das ruas, essa previsão até parecia possível. Era visivelmente mais fácil encontrar pessoas usando as famosas “praguinhas”, adesivos e material dos candidatos apoiados pelo grupo de Marcelo. Nas portas e imediações dos prédios onde funcionavam seções eleitorais. Estrela do PT e material de Alex da Piatã apareciam de maneira bem menos ostensiva.

Reprodução redes sociais

Mas após apuração das urnas, aquele que, segundo as previsões de rua, teria dificuldade para chegar aos 5 mil terminou com mais do dobro 10.081 votos.

Luciano Araújo foi o estadual mais votado no município, com 13.809, Alex ficou em segundo, com 10.081, e Osni teve 5.919.

Marcelo esperou vitória de Neto e Flávio

O prefeito de Conceição do Coité Marcelo Araújo esteve na contramão da grande maioria dos prefeitos da região sisaleira e do estado da Bahia em relação aos apoios para os cargos de governador e presidente da república.

Ao declarar apoio a Neto ele se destacou como único no território do sisal apoiar o principal candidato de oposição ao governador Jerônimo. No território da Bacia do Jacuípe, Neto contou com apoio dos prefeitos de Riachão e Quixabeira e da prefeita de Pé de Serra.

Marcelo apoiou também Flávio Bolsonaro, estando entre os cinco gestores da Bahia com voto declarado ao candidato do PL.

Na Bahia em campanha do primeiro turno Flávio esteve somente em Vitória da Conquista. Marcelo foi lá | Foto: acervo pessoal

O apoio a Neto resultou em vitória em Coité, porém com uma difrença pequenina, 76 votos de frente. Já Flávio Bolsonaro recebeu a melhor votação em Coité entre os 20 muncípios. 16.231 votos, mas Lula teve votação melhor mais de 25 mil votos.

Marcelo foi pessoalmente a Vitória da Conquista, gravou vídeo ao lado dele e de João Roma e afirmou que o presidenciável poderia contar com a região do Sisal.

Pela forma pública e enfática como entrou na campanha, Marcelo apostava politicamente numa vitória de Flávio também em Conceição do Coité.

Em Coité Lula teve 25.726 votos e Flávio 16.231

Lula recebeu 25.726 votos em Conceição do Coité, correspondentes a 58,84% dos votos válidos.

Flávio Bolsonaro teve 16.231, ou 37,13%.

A diferença foi de 9.495 votos para Lula.

Portanto, a vitória de Flávio que a movimentação política de Marcelo buscava construir em Coité não aconteceu.

E não foi apenas em Coité.

Lula em pronunciamento oficial Crédito: Reprodução/ Gov BR

Dos 417 municípios da Bahia, Flávio Bolsonaro conseguiu terminar na frente de Lula em somente quatro: Luís Eduardo Magalhães, Buerarema, Itamaraju e Teixeira de Freitas. Lula venceu nos outros 413.

Em Luís Eduardo Magalhães, Flávio teve 62,03% dos votos válidos; em Buerarema, 51,69%; em Itamaraju, 51,67%; e em Teixeira de Freitas, 49,51%.

O que as urnas disseram sobre Elmar

Que recebeu 12.099 votos. Elmar foi o deputado federal mais votado de Conceição do Coité, com 28,61% dos votos válidos para o cargo.

Portanto, nessa disputa Marcelo pôde olhar para a urna e dizer que teve um aposta eleitoral que funcionou em Coité e a votação ajudou o parlamentar se eleger entre os 39 federais baianos.

O prefeito de Coité viu outra vitória, a de Luciano Araújo (Avante) com 13.809 votos, votação maior que nas eleições de 2022 quando recebeu 10.851, mas na soma geral os 43.855 votos para deputado estadual em toda a Bahia, correspondentes a 0,54% dos votos válidos, não foram suficientes para mais um mandato.

Comite de apoio aos candidatos aberto por Marcelo em Coité

Viu Neto vencer Jerônimo de forma apertada, apenas 79 votos de frente. 21.400 votos contra 21.324 votos.

Mais apertada foi para o Senado. João Roma foi o mais votado entre os quatro candidatos. 18.765 votos contra o segundo colocado Rui Costa 18.752 votos. A diferença a favor de Roma foi de apenas 13 votos. Foi dos poucos municípios que João Roma venceu. Diante disso acabou derrotado juntamente com Angelo Coronel para Rui e Wagner.

Emério pediu ‘uns votinhos’ para Leo Prates

Nem todas as lideranças do grupo de Marcelo seguiu Elmar. O ex-deputado estadual Emério Resedá resolveu apoiar Léo Prates, do Republicanos.

A decisão provocou incômodo público. Marcelo reafirmou sua escolha por Elmar e dias antes das eleições, em vídeo questionou a decisão de Emério.

Emério respondeu que a opção por Léo tinha relação com gratidão pelos atendimentos que, segundo ele, recebeu na área de saúde quando procurava ajuda para moradores de Coité.

E falou modestamente que pediria apenas “uns votos”.

Léo Prates terminou com 1.411 votos em Coité.

Diziam que Marcinho tinha perdido o trono

Marcinho Oliveira havia sido um dos grandes fenômenos da eleição de 2022. Na política regional, formou-se em torno dele a fama de enorme capacidade de articulação com prefeitos, vereadores e lideranças. E surgiu aquela expressão típica dos bastidores: “Marcinho está com a chave do banco.”

Não banco instituição financeira e sim ‘banco político’. Aquele onde se depositam apoios, alianças e expectativas de voto.Quatro anos depois, a conversa mudou.

Marcinho Oliveira ex-vice-prefeito de Santaluz e atualmente cumpre o primeiro mandato de deputado estadual

Começaram a dizer:

“Marcinho perdeu a chave.”

E outro nome cresceu: Luciano Pinheiro, ex-prefeito de Euclides da Cunha um dos grandes apoiadores de Marcinho em 2022.

No resultado geral do estado, Luciano terminou com 92.339 votos e Marcinho Oliveira ficou com 83.074. Os dois foram eleitos pelo PDT.

Diferença estadual: 9.265 votos em favor de Luciano.

A chave mudou de bolso?

A urna não respondeu isso.

Urna não trabalha em banco.

Mas entregou o extrato:

Luciano, 92.339.

Marcinho, 83.074.


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