De vale-gás a crédito para reforma de moradias, Lula prepara pacotão eleitoral que mira classe média e periferia

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Lula em visita ao Ceará: presidente intensificou viagens e cobra ministérios por mais inaugurações — Foto: Ricardo Stuckert

O Palácio do Planalto prepara um pacotão de programas sociais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançar no segundo semestre, a um ano da eleição, quando o petista pretende concorrer ao quarto mandato. O arsenal inclui a remodelagem do vale-gás, crédito para reforma de moradias e auxílio para motoboys e motoristas de aplicativos trocarem seus veículos. As medidas buscam ampliar o apoio a Lula na classe média e nas periferias.

De olho na corrida eleitoral, Lula tem reservado as quintas e sextas para viajar o país e divulgar ações do governo, em contato mais próximo com a população. Auxiliares defendem que ele use esta fórmula para lançar, na primeira quinzena de agosto, o programa Gás para Todos, que deve beneficiar 16,6 milhões de famílias. Apresentada por meio de Medida Provisória, a iniciativa deve substituir o Auxílio Gás atual, que contempla 5,4 milhões de famílias e é pago junto com o Bolsa Família.

O novo modelo terá um cartão próprio para retirada de botijões. O custo total estimado é de R$ 2,6 bilhões neste ano e R$ 5 bilhões em 2026.

Durante as viagens pelo país para os lançamentos, Lula tem acentuado o tom eleitoral das falas, com críticas mais agudas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O entorno do presidente avalia que o governo ganhou fôlego com o discurso de “justiça tributária” e a reação ao tarifaço americano de 50%, mas que agora o “modo campanha” precisa incluir ações com efeito prático no cotidiano do eleitorado.

Nessa nova fase, o foco de Lula é tentar ampliar seu apoio na classe média, vista pelo Planalto como um estrato pendular, que ora apoia o governo, ora vota na oposição. Segundo pesquisa Quaest divulgada neste mês, 43% dos eleitores com renda mensal entre dois e cinco salários mínimos avaliam o governo Lula positivamente — eram 39% em junho —, enquanto 52% têm percepção negativa. Auxiliares do presidente frisam, por outro lado, que é importante que as ações do governo não se distanciem da população mais pobres e de periferia, tradicional base eleitoral de Lula.

O pacotão do governo inclui um programa de financiamento para compra de motocicletas e carros por entregadores e motoristas de aplicativos, que deve ser lançado em agosto. A categoria é vista por aliados de Lula como majoritariamente favorável a Bolsonaro, e apresentou resistências a uma tentativa anterior da gestão petista de regulamentar o setor.

A nova iniciativa de crédito foi desenhada pelo Ministério de Desenvolvimento Social, gestor de um fundo que permite financiamento de até R$ 10 bilhões para micro e pequenos empreendedores, no programa Acredita. Os detalhes finais do projeto estão sob análise da Casa Civil.

— Esses trabalhadores têm um custo que reduz sua capacidade de renda, com aluguel da moto e equipamentos. Boa parte dos entregadores e motoristas de aplicativo estão na base do Cadastro Único e no Bolsa Família — afirma o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT).

Em outra frente, esta mirando a classe média, o Ministério das Cidades trabalha em um programa de reformas de moradias com duas linhas de financiamento, em faixas de até R$ 5 mil e de até R$ 30 mil. Há dúvidas, porém, sobre de onde tirar a verba necessária.

Modo ‘urgência’

Auxiliares de Lula afirmam que o presidente está no modo “urgência”, e que os ministérios da Saúde e da Educação são os mais pressionados a acelerar inaugurações. A orientação é que cada lançamento seja informado ao Planalto, para uma avaliação sobre a presença do presidente no evento.

Nos primeiros meses de 2025, um dos programas que ganhou fôlego foi o Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. O governo tem usado clínicas privadas para acelerar exames e cirurgia pelo SUS. Apesar de os programas sociais serem a principal aposta do governo, especialistas avaliam que seu impacto pode ser limitado na eleição:

— O eleitor está mais exigente. Em relação às políticas sociais, ele parece acreditar que o governo não faz mais do que sua obrigação, e deixou de ter medo de perder os programas com uma eventual derrota de Lula — afirma o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Apostas para alavancar a imagem de Lula

Gás para Todos: A iniciativa prevê o pagamento de uma ajuda financeira para a compra de botijões de 13kg considerando o número de integrantes da família. Vai substituir o Auxílio Gás atual.

Motoristas de app: Lula também prepara um programa de financiamento para compra de motos e carros por entregadores e motoristas de aplicativos. O programa deve ser lançado em agosto.

Moradias: O Ministério das Cidades trabalha em um programa de reformas de moradias que prevê duas linhas de financiamento: uma de até R$ 5 mil por família para pequenas obras e outra de até R$ 30 mil.

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