Uma declaração do pré-candidato ao governo do Estado, ACM Neto (União), provocou uma insatisfação nos bastidores da política baiana. A fala do político na sexta-feira (22), com tom de minimizar o peso do apoio dos gestores municipais ao atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), repercutiu mal e desencadeou debates em um grupo de WhatsApp institucional da União dos Municípios da Bahia (UPB).
Durante um evento político realizado em Vitória da Conquista, ACM Neto fez uma fala alegando o apoio como uma força da máquina pública. O posicionamento foi registrado pelo Blog do Marcos Frahm, parceiro do Bahia Notícias e do Calila. Na ocasião, ele aponta um desejo de mudança da população baiana após duas décadas de gestões consecutivas do PT e demonstrou forte confiança na vitória ao governo do Estado.
“Eles podem vir com a máquina de governo, com não sei quantos prefeitos que eles alegam ter, podem vir com o dinheiro do mundo, porque nós temos o povo da Bahia. E eu sei que temos o povo de Vitória da Conquista ao meu lado”, discursou ACM Neto.
AS MENSAGENS
A fala repercutiu imediatamente nos bastidores, sendo interpretada por diversos gestores municipais como uma desvalorização de sua relevância no processo eleitoral. O vazamento de mensagens do espaço virtual da UPB, divulgado pelo Blog dos Políticos do Sul da Bahia, transformou um ambiente administrativo em arena de debates político-partidários.
O prefeito de Encruzilhada, Dr. Pedro Lacerda (PCdoB), defendeu o seu direito de reação no grupo. Em uma das mensagens, ele afirmou ter o “direito de manifestar” sua insatisfação com a fala do pré-candidato, argumentando que a declaração do líder do União Brasil envolveu “no coletivo os prefeitos”.
No mesmo sentido, o prefeito de Caturama, Antônio Leão (PSD), demonstrou descontentamento com o tom adotado por ACM Neto em relação às lideranças do interior do estado. Danilo Delicinha (PCdoB), gestor de Várzea da Roça, também se somou às críticas, posicionando-se contra a postura do ex-prefeito soteropolitano.
A discussão ganhou contornos ainda mais complexos quando os integrantes do grupo passaram a debater os limites do que deve ser considerado publicação política no canal oficial.
Pedro Lacerda ironizou compartilhamentos anteriores feitos no próprio chat ao questionar: “Isso aqui não é uma postagem política?”. Na sequência, outro Danilo Delicinha completou: “Todos os tipos de postagens aqui são políticas”.
Diante do agravamento da discussão e da repercussão negativa, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União), interveio para tentar conter o desgaste e amenizar o conflito entre os colegas de partido e de oposição.
Ela alertou no grupo sobre o desvio de finalidade do canal, afirmando acreditar que os colegas haviam errado o grupo, uma vez que aquele espaço seria destinado estritamente a relações para assuntos institucionais da U
Em tom de apelo, a prefeita de Conquista relembrou que o debate ali não alteraria o cenário eleitoral, pontuando que todos os prefeitos já têm seus candidatos definidos e que insistir em debates partidários poderia transformar o grupo de trabalho em uma verdadeira bagunça.
Nos bastidores da política estadual, analistas avaliam que o episódio tensionou a relação de ACM Neto com importantes lideranças locais. A aparente desvalorização da força política dos prefeitos acabou estremecendo pontes de diálogo essenciais para formação de bases aliadas focadas nas eleições de 2026.