Dificuldade para reduzir cachês, shows já anunciados para o São João em várias cidades correm risco de cancelamento – Calila Noticias

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Os festejos juninos de 2026 têm sido marcados por uma forte atuação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA), que passaram a fiscalizar de forma mais rigorosa os contratos firmados por prefeituras para a realização de festas de São João. As informações são do FR Notícias.

A principal preocupação dos órgãos é com os altos cachês pagos a artistas contratados com recursos públicos, principalmente em municípios de pequeno e médio porte. Em diversos casos, recomendações, investigações e até decisões cautelares resultaram em cancelamentos de shows e mudanças nas programações.

Um dos artistas mais citados nas recomendações do Ministério Público foi o cantor Rey Vaqueiro. Em cidades como Paramirim, Anguera e Iraquara, contratos envolvendo apresentações do artista foram questionados por supostos valores acima da média considerada aceitável pelos órgãos de controle.

Em Paramirim, além de Rey Vaqueiro, o cantor Léo Foguete também teve contrato alvo de recomendação do MP após os cachês ultrapassarem os parâmetros utilizados pelos órgãos fiscalizadores. O Ministério Público apontou possíveis indícios de sobrepreço e pediu esclarecimentos à gestão municipal.

Em Anguera, o MP recomendou a suspensão dos contratos de Rey Vaqueiro e Silvanno Salles, que juntos somavam aproximadamente R$ 850 mil. Já em Iraquara, outro contrato envolvendo Rey Vaqueiro também entrou na mira da fiscalização devido ao valor considerado elevado.

Um dos casos que mais repercutiram aconteceu em Ilhéus, no sul da Bahia. A prefeitura chegou a lançar oficialmente o evento “Meu São João Amado 2026”, anunciando estrutura, atrações e expectativa de movimentar o turismo local. Porém, poucos dias depois, o município anunciou o cancelamento completo da festa.

Segundo a gestão municipal, a decisão foi tomada após recomendações do Ministério Público e diante da necessidade de atender às exigências da Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo MP-BA, TCM-BA e TCE-BA. A prefeitura alegou ainda dificuldades para concluir todos os procedimentos administrativos e garantir segurança jurídica nas contratações.

O cancelamento gerou repercussão entre comerciantes, ambulantes e moradores que aguardavam o evento como importante fonte de renda durante o período junino.

Nos bastidores, também circulam informações de que a Prefeitura de Capim Grosso estaria enfrentando dificuldades para adequar alguns contratos de atrações já anunciadas para o Arraiá do Capitão 2026 às recomendações dos órgãos de controle. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, há a possibilidade de que alguns shows passem por reavaliação e até mesmo sejam cancelados caso não haja acordo para adequação dos cachês aos parâmetros estabelecidos pelo Ministério Público e pelos tribunais de contas. Até o momento, a administração municipal não se pronunciou oficialmente sobre possíveis alterações na programação do evento.

Outro caso de grande repercussão envolve a cidade de Irecê, tradicionalmente conhecida por realizar um dos maiores São João da Bahia.

O Tribunal de Contas dos Municípios determinou o congelamento imediato de pagamentos considerados inflacionados após representação do Ministério Público apontar aumentos de cachês que chegaram a até 71% em comparação aos valores praticados anteriormente.Notícias da Bahia

Segundo os órgãos de controle, a grade de atrações ultrapassava R$ 10 milhões em contratações e incluía artistas nacionais como Wesley Safadão, Ana Castela e Maiara & Maraisa. O município foi obrigado a apresentar justificativas e adequar os valores contratados.

MP firma acordo para reduzir cachês

Diante da escalada dos valores cobrados por artistas, o Ministério Público da Bahia realizou uma reunião com empresários de 22 atrações nacionais e regionais para estabelecer novos critérios para contratação de shows no São João de 2026.

O acordo prevê que os cachês tenham como base os valores praticados em 2025, corrigidos pelo IPCA, evitando reajustes considerados abusivos. Entre os artistas cujos representantes participaram das discussões estão nomes como: Pablo; Maiara & Maraisa; Zé Neto & Cristiano; Solange Almeida; Hugo & Guilherme; Unha Pintada; Nadson Ferinha; Kart Love.

Segundo o MP, a medida já gerou uma economia estimada em mais de R$ 5 milhões para os cofres públicos baianos.

Debate entre cultura e responsabilidade fiscal
A fiscalização reacendeu o debate sobre os limites dos investimentos públicos em festas populares. Enquanto prefeituras defendem que os festejos movimentam a economia, fortalecem o turismo e geram empregos temporários, os órgãos de controle afirmam que os gastos precisam respeitar critérios técnicos e não podem comprometer áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.

Com a aproximação do São João, a tendência é que novas recomendações e análises de contratos continuem ocorrendo em diversos municípios baianos.

CN | Fonte: FR Notícias



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