O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro continua pressionando para assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), apesar de o presidenciável ter descartado publicamente essa possibilidade. A disputa pelo comando do Itamaraty expõe divergências dentro do grupo bolsonarista às vésperas do segundo turno das eleições de 2026.
Segundo informações publicadas pelo Diário do Centro do Mundo e pelo UOL nesta quarta-feira (21), Eduardo mantém a intenção de influenciar diretamente a política externa brasileira. Mesmo diante da negativa do irmão, pessoas próximas ao ex-deputado afirmam que ele pretende exercer protagonismo na condução da pasta.
Na entrevista à TV Globo, em 16 de outubro, Flávio foi direto ao ser questionado sobre a possibilidade de nomear Eduardo para o cargo. “Não será chanceler”, declarou o senador, afastando o irmão do posto de ministro das Relações Exteriores.
Disputa por espaço em eventual governo
A resistência de Flávio ao nome do irmão estaria relacionada à tentativa de ampliar alianças políticas e reduzir resistências entre setores do Centrão e representantes do empresariado. Integrantes desses grupos demonstram preocupação com o perfil ideológico de Eduardo e com os possíveis efeitos de sua atuação sobre as relações diplomáticas e comerciais do Brasil.
Entre os nomes apontados como alternativas para o comando do Itamaraty estão o economista Marcos Troyjo e a senadora Tereza Cristina (PP). A economista Daniela Marques, que integra o entorno político de Flávio, também aparece nas articulações sobre a composição da equipe de um eventual governo.
De acordo com relatos publicados pelo UOL, aliados de Eduardo consideram que ele poderia manter influência sobre a política externa mesmo sem ocupar formalmente o ministério. Essa possibilidade alimenta a disputa nos bastidores sobre quem terá a palavra final nas decisões diplomáticas.
Política externa vira foco de tensão
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025 e tem mantido contatos com lideranças internacionais alinhadas à direita. Sua atuação no exterior, incluindo a defesa de medidas de pressão contra o Brasil durante o governo de Donald Trump, provocou críticas de adversários e preocupações entre setores políticos e empresariais.
A possibilidade de sua participação em um eventual governo também desperta atenção entre diplomatas, especialmente diante de declarações anteriores do ex-deputado sobre mudanças no Itamaraty e revisão de quadros da diplomacia brasileira.
Apesar da disputa, a composição de um eventual ministério ainda não foi oficialmente definida. A indicação para o comando das Relações Exteriores dependeria de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e das decisões tomadas durante a formação de seu governo.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o episódio evidencia as divergências internas sobre o papel de Eduardo Bolsonaro e os rumos que a política externa brasileira poderia assumir caso o senador do PL vença a eleição.
Com informações do DCM