Em busca da verdade

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Tão grave quanto o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro figurar entre os investigados no caso “Dark Horse” é a inexplicável demora na apuração. Desde 13 de maio, o primeiro áudio da interlocução com Daniel Vorcaro é de conhecimento público, mas somente agora o STF está cumprindo seu dever.

Tirar o atraso destes 121 dias é a missão a ser executada em duas frentes de investigação. Entre os ilícitos, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e desvio de recursos públicos para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O trabalho da Polícia Federal, vencida a tentativa de desestabilizar a instituição, precisa ir a termo, sem atalhos, sem pressões e sem narrativas convenientes.

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Chega ao extremo da desfaçatez a alegação de “interferência política” por parte do suspeito. A abertura do inquérito ocorre independentemente de disputa eleitoral. É um pedido técnico da PF, terrivelmente acolhido pelo ministro André Mendonça. O levantamento do sigilo, autorizado pelo presidente do STF, Edson Fachin, reforça o valor “transparência” visando a salvaguarda do interesse público.

Além da relação afetuosa e contábil de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, há outra frente investigando a produtora Go Up Entertainment. Os homens vão verificar se a pequena empresa de fachada utilizou emendas parlamentares para bancar o filme ou estas tiveram outros destinos fraudulentos.

A operação Make Up apreendeu armas e documentos ligados a Mario Frias e outros envolvidos, indicando um buraco além do previsto para caber tanta sujeira. A sociedade brasileira tem o direito de saber se um filme sobre a história recente do país foi financiado, em parte, com dinheiro público roubado.

A democracia só pode sustentar-se quando a verdade se impõe sobre opiniões e versões convenientes. Investigar não é perseguir. Investigar é proteger o país. A PF precisa concluir seu trabalho com vigor e rigor; o STF deve manter firme a supervisão e assim, os fatos vão prevalecer sobre discursos.



Fonte: A Tarde

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