em entrevista, Luiz Gavazza analisa o papel estratégico da Bahiagás

4

Em entrevista ao Grupo A Tarde, o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, faz um balanço dos 32 anos da companhia e destaca a expansão da rede de gás pelo interior do estado.

O gestor detalha os investimentos estratégicos em infraestrutura, e o papel do energético na transição sustentável. Confira:

Tudo sobre Entrevistas em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

A Bahiagás completou 32 anos recentemente e chega a este momento como uma das principais empresas do setor de gás no país. Como o senhor define o papel que a companhia ocupa hoje na Bahia?

A principal transformação da Bahiagás foi deixar de ser vista apenas como uma distribuidora de gás para se consolidar como uma empresa estratégica para o desenvolvimento da Bahia. Hoje, a Companhia tem um papel muito mais amplo dentro do planejamento econômico e energético do estado. Nós ampliamos a infraestrutura, diversificamos mercados, fortalecemos a indústria baiana, avançamos para o interior e passamos a participar de forma mais ativa da discussão sobre segurança e transição energética.

Essa transformação se reflete na dimensão que a Companhia alcançou. Hoje temos mais de 100 mil clientes, ultrapassamos 1.350 quilômetros de rede de distribuição e atendemos segmentos muito diferentes da economia. Mas, para mim, o mais importante hoje é a capacidade que a Bahiagás tem de ajudar o Governo do Bahia a gerar desenvolvimento e criar novas oportunidades para o estado.

O que representa para a Bahiagás essa marca de mais de 100 mil clientes e a expansão da rede para mais de 1.350 quilômetros?

Esses números mostram que o gás natural deixou de ser uma infraestrutura concentrada em poucos polos industriais e passou a alcançar uma parcela muito maior da economia e da sociedade baiana.

Hoje atendemos indústrias, comércios, hospitais, hotéis, residências, postos de combustíveis, termelétricas e outros empreendimentos. Então, o crescimento da base de clientes representa também expansão, diversificação e presença em novos mercados.

Mas eu sempre procuro olhar além do número. Quando a infraestrutura energética chega a uma nova região, ela pode viabilizar a instalação de uma empresa, a expansão de uma atividade econômica e a geração de novos empregos. É isso que dá sentido ao crescimento da Companhia.

Um dos principais eixos estratégicos da Bahiagás é a interiorização. Por que levar infraestrutura energética para o interior é tão importante para o desenvolvimento da Bahia?

Porque infraestrutura energética também é um instrumento de desenvolvimento regional. A Bahia é um estado muito grande e economicamente diverso. Não faria sentido concentrar a infraestrutura de gás apenas onde o mercado já está consolidado.

Muitas vezes, a infraestrutura precisa chegar antes do próprio desenvolvimento. É ela que cria condições para que novos empreendimentos se instalem, para que empresas ampliem sua produção e para que novas cadeias econômicas se desenvolvam.

Esse é um papel importante de uma empresa estratégica como a Bahiagás. É preciso olhar para o longo prazo e ajudar a criar condições para que o desenvolvimento chegue a novas regiões do estado.

Luiz Gavazza
Luiz Gavazza – Foto: Divulgação

Nos últimos dias, a Bahiagás também passou a ser notícia em razão do Decreto nº 24.839/2026, que autoriza a alienação de uma participação acionária pertencente ao Estado. O que efetivamente muda na companhia?

É importante esclarecer exatamente o que está colocado. O decreto autoriza a alienação de uma participação acionária minoritária pertencente ao estado, sem transferência do controle da Companhia. A Bahiagás continuará sendo uma sociedade de economia mista sob controle estatal e permanecerá como a concessionária responsável pela distribuição de gás canalizado na Bahia.

Portanto, a eventual alteração ocorrerá na composição acionária, dentro das condições estabelecidas no decreto. E é importante lembrar que a Bahiagás já é uma sociedade de economia mista. Portanto, o que define a natureza desse processo não é a existência de participação privada no capital, mas quem detém o controle da Companhia. E esse controle permanece com o Estado.

Com isso, permanecem o Contrato de Concessão, a atuação regulatória da AGERBA e todas as obrigações relacionadas à prestação do serviço público. Também não há alteração nas responsabilidades da Bahiagás com os consumidores e com o desenvolvimento do mercado de gás na Bahia.

Uma eventual mudança na composição acionária pode alterar o papel estratégico da Bahiagás ou interferir no seu plano de expansão?

A Bahiagás continuará sendo uma empresa sob controle estatal e responsável por uma concessão pública. Isso é importante porque nossa atuação tem uma dimensão de planejamento de longo prazo.

O mercado, naturalmente, tende a direcionar investimentos para onde existe retorno mais imediato. Uma empresa estratégica precisa também olhar para onde o desenvolvimento pode acontecer. Foi assim que construímos boa parte da expansão da Bahiagás. Muitas vezes, a infraestrutura chega antes justamente para criar as condições para que os investimentos venham depois.

E isso não significa abrir mão da eficiência. Pelo contrário. A Bahiagás precisa ser uma empresa saudável, eficiente e competitiva para ter capacidade de investir e cumprir seu papel.

O que permanece, portanto, é essa combinação entre equilíbrio econômico-financeiro, eficiência empresarial e planejamento de longo prazo para o desenvolvimento da Bahia.

Então, do ponto de vista da operação da Companhia, continuamos trabalhando, atendendo nossos clientes, executando nossos projetos e avançando no planejamento de expansão.

O decreto prevê também uma avaliação econômico-financeira da participação que poderá ser alienada. Como essa etapa deve ocorrer?

Essa é uma etapa técnica do processo. O decreto estabelece que deverão ser observados os procedimentos legais, societários e econômico-financeiros aplicáveis, inclusive com avaliação independente do ativo. É esse trabalho que deverá estabelecer tecnicamente o valor da participação.

Neste momento, portanto, não seria adequado antecipar números ou fazer estimativas. O correto é aguardar a realização dessa avaliação e o cumprimento das etapas previstas, com transparência e preservação do patrimônio público.

Luiz Gavazza, diretor-presidente da Bahiagás
Luiz Gavazza, diretor-presidente da Bahiagás – Foto: Divulgação

O Gás Sudoeste é hoje o maior símbolo da estratégia de interiorização da Bahiagás. Que transformações esse programa pode gerar para o interior?

O Gás Sudoeste é um programa emblemático porque materializa exatamente nossa ideia de levar infraestrutura para criar desenvolvimento. Estamos falando de aproximadamente 306 quilômetros de infraestrutura e de mais de R$ 680 milhões em investimentos, atravessando diferentes regiões do interior da Bahia.

Mas o mais importante é o que essa infraestrutura pode induzir. Ela cria condições para ampliar a industrialização, fortalecer cadeias produtivas, atender atividades como a mineração e atrair novos empreendimentos. O gás chega como energia, mas chega também como infraestrutura de desenvolvimento. Quando você cria uma nova alternativa energética em uma região, você aumenta a competitividade daquele território.

Além da expansão da infraestrutura, o que a Bahia precisa fazer para ter uma energia cada vez mais competitiva e segura?

Competitividade energética depende de um conjunto de fatores. Não basta discutir apenas o preço da molécula. É preciso ampliar a oferta, diversificar supridores, expandir a infraestrutura e aumentar o mercado consumidor. Quanto maior o volume movimentado e mais integrada estiver a infraestrutura, maiores são as possibilidades de ganho de escala e eficiência ao longo da cadeia.

A Bahiagás vem trabalhando nessa direção há muitos anos. Diversificamos o suprimento, fortalecemos a produção regional e reduzimos nossa dependência de uma única fonte. Isso aumenta a segurança energética e também cria um ambiente mais competitivo para quem produz e para quem consome.

Mas ainda existe o desafio de levar infraestrutura para regiões que permanecem fora do mercado de gás. Interiorizar o gás natural significa ampliar a demanda, estimular novos investimentos e criar melhores condições para a própria competitividade do energético.

Nesse cenário, qual é o papel do gás natural na transição energética?

Nós temos uma compreensão muito clara de que a transição energética não acontece por ruptura. Ela acontece por integração. O gás natural é o combustível fóssil menos poluente. Quando substituímos diesel, óleo combustível ou outros energéticos mais emissores por gás natural, já estamos reduzindo emissões de forma concreta.

Também não existe oposição entre gás natural e energias renováveis. A Bahia é uma potência em energia solar e eólica, e essas fontes precisam conviver com outras soluções capazes de oferecer segurança e estabilidade ao sistema.

Então, o gás natural cumpre dois papéis importantes. Ele ajuda a substituir combustíveis mais poluentes e atua de forma complementar às fontes renováveis. Essa é uma transição possível agora, com tecnologia disponível e infraestrutura que já existe.

E o biometano representa o próximo passo dessa estratégia?

Sem dúvida. O biometano, que nós chamamos de Gás Natural Renovável, representa uma evolução muito importante da matriz energética. Ele pode ser produzido a partir de resíduos agrícolas, agroindustriais, urbanos e do saneamento. Ou seja, nós conseguimos transformar um passivo ambiental em energia.

Isso tem um potencial enorme na Bahia. Temos um agronegócio muito forte, especialmente no Oeste, uma agroindústria importante e grandes centros urbanos que também geram resíduos com potencial energético.

E ainda existe a vantagem de o Gás Natural Renovável poder utilizar a infraestrutura já existente de distribuição. Isso permite avançar na descarbonização sem precisar reconstruir todo o sistema energético.

É uma agenda que reúne sustentabilidade, economia circular, segurança energética e desenvolvimento regional.

Quando o senhor olha para os próximos anos, qual deve ser a grande contribuição da Bahiagás para a Bahia?

Eu acredito que a grande contribuição da Bahiagás será ajudar a construir uma Bahia energeticamente mais segura, mais competitiva e menos desigual. Nós queremos continuar levando infraestrutura para onde ela ainda não chegou, ampliando as condições para que novos investimentos se instalem no interior, fortalecendo setores importantes da economia e, ao mesmo tempo, participando da construção de uma matriz energética cada vez mais sustentável.

A Bahia tem uma condição extraordinária. Temos produção de gás natural, potencial de biometano, liderança em energia solar e eólica, agronegócio, mineração, indústria e uma posição geográfica muito favorável. O desafio é integrar essas vantagens.

Por isso, quando pensamos no futuro da Bahiagás, estamos pensando em desenvolvimento. A infraestrutura energética só faz sentido quando ela cria oportunidades, melhora a competitividade das empresas, atrai investimentos, gera emprego e contribui para reduzir desigualdades entre as regiões.

Foi isso que procuramos construir ao longo desses anos e é esse papel que a Bahiagás precisa continuar exercendo. Usar a energia como instrumento de transformação econômica, social e ambiental da Bahia.

Energia é desenvolvimento. E desenvolvimento só faz sentido quando alcança e melhora a vida das pessoas.



Fonte: A Tarde

Artigos relacionados

Últimas notícias

Mulher é encontrada morta em Santaluz; jovem é preso e adolescente é apreendido suspeitos do crime – Calila Noticias

Fatos Policiais Os dois suspeitos foram localizados durante buscas pela cidade. Um...

Últimas notícias

Servidor é morto a tiros após ter casa invadida por homens encapuzados na Bahia

Um servidor da Prefeitura de Santa Inês, no interior da Bahia, foi...

Últimas notícias

Flávio Bolsonaro participa de missa na Catedral de Brasília – Calila Noticias

Eleições 2026 Candidato disse que aguarda definição de horário para visitar o...

Últimas notícias

UFBA é destaque em ranking de universidades da América Latina

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) alcançou a 71ª posição no ranking...