A empresa “Filgueira Indústria e Serviços Ltda” ainda não iniciou as obras de construção dos novos abrigos do transporte coletivo no município de Jequié, Vale do Jiquiriçá. A companhia, que é sediada na cidade de Trindade-GO, foi a vencedora da Concorrência Eletrônica nº CR-001/2025 e assinou o Contrato nº 018/2025, mas até o momento não iniciou as intervenções contratadas.
O projeto prevê um investimento global de R$ 2.530.401,89 para a implantação de dez pontos de ônibus pela cidade. De acordo com o Termo de Adjudicação e Homologação, cada estrutura individual foi orçada em R$ 253.040,18.
O valor unitário, contudo, pode chegar a R$ 278.344,19 caso seja aplicado o limite legal de até 25% em aditivos contratuais.
Apesar da paralisia nos canteiros de trabalho, a administração pública já efetuou o empenho de R$ 145.673,30 em favor da empresa contratada. A medida garante a reserva orçamentária para o início das operações.


Crise
Enquanto isso, a gestão do transporte coletivo urbano em Jequié permanece imersa em incertezas e sob severas exigências de clareza por parte da sociedade civil e de órgãos de controle.
O cenário crítico, instaurado ainda na gestão do ex-prefeito Zé Cocá (PP) — o qual decretou Situação de Emergência e determinou a intervenção na concessionária COOBMA por suposto descumprimento de contrato —, desdobrou-se em novos capítulos sem que o Poder Executivo apresente respostas concretas.
No último dia 6 de maio, o prefeito Flávio Santana (União Brasil) publicou novo decreto prorrogando o domínio estatal sobre a cooperativa por mais 90 dias. O prazo expirou em 6 de agosto sem que a Superintendência Municipal de Trânsito (Sumtran) encaminhasse à população, ao Legislativo ou ao Ministério Público os pareceres técnicos que justificaram a medida extrema.
O órgão também não deu publicidade ao Plano de Gestão Temporária nem apresentou as diretrizes para a regularização definitiva do sistema.
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Caos nos pontos
Enquanto o processo tramita sem transparência nos gabinetes, o cotidiano da população nas paradas de ônibus se deteriora. A autorização de um empréstimo de R$ 30 milhões pela Câmara de Vereadores, voltado à renovação dos veículos, não se converteu em avanços operacionais.
Passageiros enfrentam sucessivos cortes de itinerários, atrasos constantes e quebras frequentes dos veículos em via pública.
O impasse ganhou contornos ainda mais graves após parlamentares denunciarem supostas irregularidades na aquisição de ônibus seminovos para integrar a frota municipal — questionamentos que seguem sem esclarecimento formal por parte do Governo Municipal.
O que diz a Prefeitura
Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Jequié informou que a intervenção na COOBMA foi encerrada no último dia 3 de agosto e que, desde essa data, a própria administração municipal assumiu a execução direta do serviço, assegurando a continuidade do atendimento.
A respeito dos recursos financeiros, o Executivo corrigiu o montante aprovado pela Câmara para R$ 20.805.000,00 e declarou que a verba ainda não foi liberada, encontrando-se em fase de análise de viabilidade técnica junto à Caixa Econômica Federal.
Sobre o atraso no início das obras, a Prefeitura disse que a Sumtran reforça que a quantia empenhada não foi liquidada nem paga, assegurando que nenhum repasse financeiro foi realizado até o momento à “Filgueira Indústria e Serviços Ltda”, condicionando qualquer transferência de verbas à efetiva execução dos serviços previstos no contrato.