Entenda o caso Talvane Albuquerque e o elo com Bolsonaro

4

Talvane Albuquerque encomendou crime para assumir mandato |  Foto: Reprodução/TV Globo

A pouco conhecida história de um ex-deputado condenado por mandar matar uma colega para ficar com a vaga dela na Câmara voltou com tudo ao debate político nesta reta final das eleições. O nome de Talvane Albuquerque passou a circular nas redes após uma mobilização do deputado André Janones (Rede-MG), que colocou também os Bolsonaro no meio da conversa.

Mas, afinal, o que um crime ocorrido em 1998 tem a ver com Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência contra Lula (PT) neste segundo turno? A resposta passa pelo pai do candidato, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Chacina para ficar com mandato

O caso começou na noite de 16 de dezembro de 1998, em Maceió. Horas depois de ser diplomada para um novo mandato como deputada federal por Alagoas, Ceci Cunha (PSDB) foi assassinada a tiros na casa de familiares, no bairro da Gruta de Lourdes.

Também morreram o marido dela, Juvenal Cunha da Silva, o cunhado Iran Carlos Maranhão Pureza e Ítala Neyde Maranhão Pureza, mãe de Iran. O episódio passou a ser conhecido como Chacina da Gruta.

Talvane Albuquerque era o primeiro suplente da coligação de Ceci. Segundo a acusação acolhida pelo Tribunal do Júri, o político encomendou o crime porque queria assumir uma das vagas da bancada de Alagoas na Câmara dos Deputados.

A Justiça apontou ainda que havia um plano para eliminar um dos parlamentares eleitos pela coligação. Ceci acabou se tornando o alvo e, depois do assassinato, Talvane efetivamente chegou à Câmara. Ele tomou posse em 3 de fevereiro de 1999.

A passagem, porém, durou pouco.

Jair entrou em cena contra cassação

Em 7 de abril de 1999, a Câmara analisou a perda do mandato de Talvane por quebra de decoro parlamentar. O processo considerava, entre outros pontos, as relações mantidas por ele com Maurício Guedes Novais, conhecido como “Chapéu de Couro”, personagem das investigações e apontado como pistoleiro.

Foi aí que Jair Bolsonaro, na época deputado federal pelo PPB-RJ, entrou na história.

Leia Também:

Os registros oficiais da Câmara mostram que Bolsonaro pediu a palavra justamente para encaminhar contra o parecer que recomendava a cassação. Ele começou dizendo que praticamente não conhecia Talvane e que não tinha amizade com o parlamentar. Mesmo assim, questionou a retirada do mandato.

“Porque amanhã qualquer um de nós pode estar no lugar dele”, declarou Bolsonaro durante o discurso.

Jair também argumentou que, na prática, os deputados poderiam estar antecipando uma condenação criminal contra Talvane e questionou o peso dado aos contatos dele com pessoas investigadas.

“Mas quem aqui nunca teve contato ou conversou com um marginal?”, perguntou.

Jair Bolsonaro defendeu Talvane Albuquerque

Jair Bolsonaro defendeu Talvane Albuquerque | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Bolsonaro ainda fez questão de dizer que não estava defendendo os crimes atribuídos ao colega, mas sustentou ser contrário à cassação nas circunstâncias apresentadas.

A Câmara não comprou o argumento. Talvane perdeu o mandato por 427 votos favoráveis à cassação, 29 contrários, 21 abstenções e um voto em branco. Como a votação era secreta, não existe registro nominal capaz de comprovar em qual opção Jair efetivamente votou, embora seu posicionamento público contra a cassação esteja registrado nas notas da própria Câmara.

Condenação veio anos depois

O julgamento criminal demorou mais de uma década. Em janeiro de 2012, Talvane Albuquerque foi condenado pelo Tribunal do Júri da Justiça Federal em Alagoas a 103 anos e quatro meses de prisão como mandante dos quatro assassinatos.

Outros quatro homens também foram condenados pela participação na chacina. O júri reconheceu, no caso de Talvane, que o crime contra Ceci teve como motivo o interesse em garantir para si o mandato de deputado federal.

Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recalculou a pena para 92 anos, nove meses e 27 dias. No mesmo ano, Talvane recebeu autorização para cumprir a pena em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, após progredir para o semiaberto e diante da falta de estabelecimento adequado ao regime em Alagoas.

E onde Flávio Bolsonaro entra nisso?

Na quinta-feira (22), André Janones orientou os integrantes do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, a pesquisarem no Google a expressão “Bolsonaro Talvane Albuquerque”. A estratégia fez o episódio de 1999 voltar ao centro da discussão política a poucos dias do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A intenção é associar politicamente ao atual candidato do PL uma posição tomada pelo pai dele há 27 anos.

O próprio Janones já havia recuperado esse episódio durante a campanha presidencial de 2022. Agora, com Flávio no lugar do pai na disputa pelo Palácio do Planalto, o caso voltou a ser usado como munição política.

Fonte: A Massa

Artigos relacionados

Geral

Idoso é preso em flagrante por tráfico na Ilha de Itaparica

Polícia prende idoso traficando na Ilha de Itaparica |  Foto: Henrique Coelho...

Geral

Bahia da Sorte realiza ação com música neste sábado em Paripe

O evento faz parte de uma programação realizada todos os sábados |...

Geral

Saiba que horas será o debate entre Lula e Flávio nesta sexta

Confronto será transmitido a dois dias do 2º turno das Eleições |...

Geral

Bets ficam proibidas em projetos do Carnaval da Bahia em 2027

Restrição inclui ações nas redes sociais |  Foto: Shirley Stolze/ Ag. A...