Excesso de água também faz mal? Saiba riscos de hábito considerado saudável

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Ideia de que “quanto mais, melhor”, pode trazer riscos silenciosos –

Beber água é um hábito associado à saúde e ao bom funcionamento do organismo. No entanto, o consumo exagerado, muitas vezes incentivado pela ideia de que “quanto mais, melhor”, pode trazer riscos silenciosos. A busca por desempenho físico e bem-estar leva algumas pessoas a ultrapassarem os limites recomendados.

“Sempre bebi muita água, mas, de uns anos para cá, aumentei consideravelmente o consumo por causa da atividade física. Cheguei a ingerir mais de 10 litros por dia, forçando meu corpo a beber grandes quantidades.”

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O relato é de Antônio Lima (nome fictício), de 24 anos, ao portal A TARDE. Ele conta que procurou acompanhamento profissional e recebeu uma orientação inesperada: diminuir a ingestão de água.

“Embora meus exames não tenham apresentado alterações, o nutricionista explicou que o excesso poderia trazer problemas a longo prazo e que não havia necessidade de ingerir aquela quantidade”, conta.

O caso chama atenção para um ponto pouco discutido: beber água em excesso também pode fazer mal à saúde.

Quando o excesso vira risco

Segundo o nutricionista Matheus Regadas Barros, o organismo de pessoas saudáveis possui mecanismos eficientes de regulação hídrica, como a sede, o hormônio antidiurético (ADH), responsável por controlar a eliminação de água, e a função renal.

“É difícil que um aumento moderado da ingestão cause problemas. O risco aparece quando a ingestão ultrapassa a capacidade do rim de eliminar água, que gira em torno de 0,8 a 1 litro por hora, quando há perda significativa de sódio em exercícios prolongados com sudorese intensa ou em casos de alterações hormonais e uso de medicamentos como antidepressivos e diuréticos”, explica.

Nessas situações, pode ocorrer a hiponatremia.

O que é hiponatremia?

A hiponatremia é a redução da concentração de sódio no sangue. O sódio é o principal eletrólito do meio extracelular e fundamental para manter a osmolaridade plasmática.

“Quando a pessoa ingere grandes volumes de água sem repor eletrólitos, ocorre diluição do sódio no plasma. Com a queda da osmolaridade, a água entra nas células”, detalha o nutricionista.

Ele ressalta que o quadro costuma ser mais raro em indivíduos saudáveis e geralmente está associado a grandes quantidades de ingestão ou a um desequilíbrio significativo entre água e sódio.

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Sinais de alerta

Entre os sintomas da chamada intoxicação hídrica estão:

  • Dor de cabeça
  • Náusea e vômito
  • Fadiga
  • Confusão mental
  • Em casos graves, parada cardíaca

O especialista também destaca que um sinal cotidiano de alerta é a urina constantemente muito transparente, acompanhada de produção excessiva de urina (poliúria) e mal-estar.

Existe um limite seguro?

De acordo com Matheus Regadas Barros, não há um número único que sirva para todos. A recomendação geral para adultos saudáveis varia entre 30 a 50 ml por quilo de peso corporal por dia. Esse valor pode ser ajustado conforme:

  • Nível de atividade física
  • Temperatura do ambiente
  • Taxa de sudorese

Attractive athlete holding bottle of water and drinking before training. | Foto: Ilustrativa/Freepik

“Acima dessa estimativa, não há benefício fisiológico adicional para desempenho ou saúde em indivíduos saudáveis. Mais importante do que seguir um número fixo é respeitar a sede e observar os sinais do próprio corpo”, orienta.

Atenção redobrada para atletas

Pessoas que praticam exercícios intensos ou de longa duração precisam ter cuidado especial.

“Em provas prolongadas, como maratonas, há grande perda de sódio pelo suor, e o ADH pode permanecer elevado pelo estresse físico. Se a reposição for feita apenas com água, pode ocorrer a hiponatremia associada ao exercício”, explica.

Para manter o equilíbrio, o especialista recomenda:

  • Beber conforme a sede
  • Observar a cor da urina (amarelo claro é o ideal)
  • Usar como referência 30 a 50 ml/kg/dia
  • Avaliar o peso antes e depois de treinos longos
  • Considerar reposição de eletrólitos quando necessário

“O corpo trabalha com equilíbrio, não com excesso”, conclui.



Fonte: A Tarde

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