Exposição em Salvador revisita memórias negras apagadas; entenda

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Em sua primeira exposição individual na Bahia, a artista Regina Miranda apresenta obras que têm como ponto de partida sua herança cultural afro diaspórica.

Ela toma como referência fotografias de álbum de família e produz imagens com a força de sua ancestralidade, tendo, não por acaso, a cor preta como guia para o trabalho.

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A mostra ‘Estudos para não desaparecer‘ revela uma série de mais de 40 pinturas em guache sobre tela ou papel, em A Galeria, no Ativa Atelier Livre, no Rio Vermelho. A abertura acontece no dia 9 de maio, às 17h, com visitação até 19 de junho. A curadoria é assinada pelos artistas visuais Lanussi Pasquali e João Gravador.

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Em ‘Estudos para não desaparecer’, Regina Miranda ativa um arquivo negro atravessado por lacunas, silêncios e apagamentos históricos, não para restaurá-lo, mas para criar conexões que permitam sua continuidade.

“Os álbuns de famílias negras não viram acervo nacional. Às vezes, guardados em gavetas, sem cuidados de preservação, somem sem registro. Meu trabalho busca dar uma sobrevida a essas imagens/memórias. Utilizar o preto como gerador estruturante de imagens é reivindicar que o preto não seja um mero detalhe. É dizer que sem preto, não há imagem, não há história a ser contada”, ressalta a artista.

A pintura de Regina Miranda sustenta o impasse entre o documento e a imaginação, relatam os curadores da sua exposição. Eles reforçam que as imagens são ativadas pelas “ausências enquanto forças produtivas e pela manutenção daquilo que não pode ser plenamente recuperado”.

Tudo tendo a cor preta como elemento base para a composição dos trabalhos. “É o preto que organiza e propicia o aparecimento de imagens não exatamente decifráveis, mas que sugerem segredos, preservam mistérios”, acrescentam João Gravador e Lanussi Pasquali.

Mineira de Belo Horizonte, Regina Miranda é artista visual, autora e ilustradora de literatura infantojuvenil. Graduada em Comunicação Social pela PUC Minas, iniciou sua formação artística na Fundação de Arte de Ouro Preto, com ênfase em pintura, gravura e restauração.

Desde 2018, vive e trabalha na Bahia, onde escolheu se estabelecer em Jauá, no Litoral Norte, município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

“Vim viver perto do mar. Aqui, me aproximo ainda mais da minha herança cultural, usufruindo de toda história, cultura e beleza daqueles que vieram antes de mim”, relata.

Sua trajetória inclui participação em festivais, cursos e workshops, como no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, na Espanha, e na Escola Superior Artística do Porto, em Portugal.

Também passou pelo Ativa Atelier Livre, em Salvador, e participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, em espaços como o Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte, a Bienal Internacional de Poesia e a Galeria J. Gomes Alves, em Guimarães, Portugal.

Exposição ‘Estudos para não desaparecer’

  • Artista: Regina Miranda
  • Local: A Galeria, Ativa Atelier Livre, rua Tupinambás, 423, Rio Vermelho
  • Abertura: 9 de maio, 17h
  • Visitação: 13 de maio até 19 de junho
  • Horários: de quarta a sexta das 15h às 19h; sábados das 9h às 12h



Fonte: A Tarde

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