A família de uma gestante de 21 anos acusa o Hospital da Mulher, em Feira de Santana, de negligência ao apontar demora de cerca de seis horas entre a confirmação da morte da bebê e a realização do parto. Eles cobram ainda explicações sobre a causa da morte da criança e denunciam que agressão policial na unidade de saúde. A administração do hospital disse que vai apurar o caso.
A situação ocorreu entre o fim da noite de terça-feira (13) e a manhã de quarta (14). Elis Lane Nere Bastos Souza mora em Santo Estevão e estava na 39ª semana de gravidez. Ela fazia o pré-natal em uma unidade de saúde do município, mas, ao sentir as dores do parto, seguiu viagem rumo a Feira de Santana.
A família dela conta que, durante o deslocamento, Elis chegou a parar no hospital do distrito de Bravo, em Serra Preta, para uma avaliação. Por lá, os profissionais de saúde identificaram os batimentos cardíacos do bebê e informaram que estava tudo bem.
Assim, a jovem foi liberada para seguir o trajeto. De acordo com os parentes dela, Elis deu entrada no Hospital da Mulher por volta das 16h de terça. Duas horas depois, ela passou pela triagem e, mais uma vez, auscultaram os batimentos cardíacos da bebê.
Porém, entre 22h e 23h, a jovem foi reavaliada por uma enfermeira, que já não conseguiu ouvir a criança. Outros profissionais foram acionados, inclusive um médico, que confirmou a morte da bebê por meio de uma ultrassonografia.a
“Ele escutou e ele mesmo disse, a partir desse momento, 23h da noite: ‘olhe, mãe e vó, infelizmente, a bebê não está mais com vida porque não estamos escutando os batimentos cardíacos’. Naquele momento, ele sugeriu que levasse ela pro centro cirúrgico pra fazer um parto urgente, porém, esse parto urgente não ocorreu”, disse Jaciara da Cruz, mãe de Elis, à TV Subaé.
De acordo com a mulher, a cesariana da filha só foi realizada na manhã de quarta, às 6h48. Foram mais de seis horas de espera, conforme o relato.
“Foi um descaso muito grande, por pouco minha esposa não veio a óbito”, lamentou o pai da criança, Gabriel Souza.
Questionamento sobre a causa da morte da bebê
Ainda segundo a mãe de Elis, Jaciara da Cruz, o médico que fez o parto disse que a bebê faleceu após aspirar mecônio — nome dado às fezes expelidas ainda no útero. No entanto, a família ressalta que, formalmente, a morte foi descrita com causa ainda desconhecida.
Denúncia de agressão
Em meio ao abalo da família com a perda da criança, a primeira filha de Elis, houve ainda uma confusão no hospital. O companheiro da jovem, Gabriel Souza, disse que foi agredido por policiais militares.
“Em nenhum momento, a gente demonstrou ameaça. Em nenhum momento, a gente quebrou ou bateu em ninguém. Eu estava com minha mão no bolso, relatando o que tinha acontecido para que não acontecesse com mais mães. A polícia foi acionada, ela chegou nos destratando, nos xingaram, um chutou minha perna”, detalhou.
Com informações do G1 Bahia