Fãs do BTS preparam ação contra empresa responsável por show no Brasil

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BTS irá realizar três shows em São Paulo |  Foto: Divulgação/BYS/Hype

Faltando apenas dois dias para o primeiro dos três shows do BTS no Brasil, a expectativa de milhares de fãs deu lugar também à revolta. Segundo apurações do MASSA!, admiradores do grupo sul-coreano estão se organizando para preparar uma ação coletiva contra a Live Nation Brasil, responsável pelas apresentações em São Paulo.

O motivo é a estrutura que será entregue no MorumBIS nos dias 28, 30 e 31 de outubro. A principal reclamação está nos telões: enquanto etapas da turnê ARIRANG na Ásia, Europa, Estados Unidos e México contaram com 12 painéis, a configuração adotada na América do Sul prevê apenas quatro telas de LED na estrutura central.

A insatisfação pesa ainda mais no bolso. Os ingressos de valor cheio custaram entre R$ 680 na arquibancada e R$ 1.250 na pista, sem considerar a taxa cobrada nas compras pela internet. Com o serviço online, esses valores chegam a R$ 816 e R$ 1.500, respectivamente.

O pacote Soundcheck VIP chegou a R$ 4.303 no valor de face e R$ 4.553 na compra on-line.

Baiana vai gastar cerca de R$ 3 mil para realizar sonho

Entre as fãs que sairão de outros estados está Ana Oliveira, de 24 anos. Baiana, ela calcula gastar aproximadamente R$ 3 mil entre ingresso, viagem, hospedagem e demais despesas para conseguir acompanhar o BTS em São Paulo.

Para Ana, o problema vai muito além de simplesmente comparar o Brasil com outros países.

“Primeiramente, é uma situação muito revoltante e frustrante também, principalmente porque muitas fãs não são somente de São Paulo. Tem fãs do Brasil todo indo para esse show. Muita gente está gastando horrores, gastando muito dinheiro para viver esse sonho, porque é um sonho”, afirmou ao MASSA!.

Ela acompanha o grupo há dez anos e não conseguiu ir às apresentações realizadas no país em 2019.

“Juntei um dinheiro suado para poder pagar agora, para poder ir ao show de 2026. Eu vou ficar na pista, ok, mas ainda assim esperava aquele telão maravilhoso que eu pudesse olhar caso conseguisse um lugar não tão bom”, explicou.

De 12 para quatro telões

Esse é justamente o ponto que colocou os ARMYs — como são conhecidos os fãs da banda — na bronca.

Nas etapas anteriores da ARIRANG World Tour, a produção utilizou uma estrutura 360º com 12 painéis distribuídos ao redor do palco. No México, por exemplo, registros mostram grandes telas espalhadas pela estrutura, permitindo acompanhar os integrantes mesmo de pontos mais distantes do estádio.

Telão que fãs estavam esperando

Telão que fãs estavam esperando | Foto: Reprodução/Redes sociais

Quando a turnê chegou à América do Sul, porém, o formato mudou. Bogotá, Lima, Santiago e Buenos Aires receberam a versão com quatro painéis centrais. A mesma montagem será usada em São Paulo.

A diferença chamou a atenção até do Governo Federal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou Live Nation e Ticketmaster para explicar justamente a redução de 12 para quatro telas, além de pedir documentos sobre a visibilidade oferecida nos diferentes setores do MorumBIS.

O órgão também quer saber quando a configuração foi definida, por quais razões técnicas, operacionais ou comerciais ela foi escolhida e de que maneira eventuais diferenças em relação às outras etapas foram informadas ao público.

Como ficará o telão em show no MorumBis

Como ficará o telão em show no MorumBis | Foto: Reprodução/Redes sociais

Live Nation explica redução

Nesta segunda-feira (26), a Live Nation divulgou um novo pronunciamento sobre o caso.

Segundo a produtora, os shows terão uma estrutura central com quatro passarelas e quatro telões de LED integrados à torre, voltados para os diferentes lados do estádio.

A empresa atribuiu a diferença em relação às outras regiões a “limitações logísticas e de cronograma” e afirmou que a configuração foi adotada para viabilizar a passagem da turnê pela América do Sul.

O comunicado veio em meio à pressão de órgãos públicos. O Ministério Público de São Paulo havia cobrado explicações da Live Nation, Ticketmaster e Prefeitura sobre divergências relacionadas ao projeto do evento e determinado prazo para apresentação de informações.

O Procon-SP também entrou no caso. Até o dia 21 de outubro, o órgão contabilizava 518 reclamações relacionadas à turnê, sendo 460 referentes à estrutura dos shows.

“O mínimo era receber a experiência que foi prometida”

Para Ana, a explicação não resolveu a bronca.

“O mínimo que a gente queria era que tivesse a experiência que foi prometida para a gente. Por mais que eles pensem que não prometeram, prometeram sim. Quando era abril, a gente já tinha a estrutura do show, a gente já sabia como era essa estrutura”, reclamou.

Ela também questiona a justificativa relacionada à capacidade dos estádios.

“Só que aqui no Morumbi a gente sabe que a história não é essa. A Taylor Swift trouxe uma estrutura muito maior. O The Weeknd também trouxe uma estrutura enorme”, apontou.

A comparação com The Weeknd chama atenção por um detalhe: o cantor se apresentou no mesmo MorumBIS, nos dias 30 de abril e 1º de maio deste ano, também em eventos realizados pela Live Nation.

A passagem pelo Brasil contou com a produção completa da After Hours Til Dawn, incluindo longa passarela atravessando o gramado, lasers, fogos, grande estrutura cenográfica e um telão gigante.

No show de The Weeknd, a arquibancada custava R$ 550 inteira, contra R$ 680 no BTS. A pista saiu por R$ 750, enquanto para o grupo sul-coreano o mesmo tipo de setor chegou a R$ 1.250. A cadeira inferior foi de R$ 940 no show do canadense e custa R$ 1.080 no BTS.

Taylor Swift também teve estrutura gigante

Outro exemplo citado pelos fãs é a passagem de Taylor Swift pelo Brasil em 2023.

A The Eras Tour levou ao Allianz Parque uma extensa passarela integrada ao palco, responsável inclusive por alterar a configuração tradicional do estádio. Na época, o ingresso mais caro entre os setores comuns custava R$ 1.050 inteira na pista premium.

Show brasileiro vai para cinemas do mundo

A bronca também aumentou por causa da dimensão internacional que uma das apresentações terá.

O show de 30 de outubro, segunda noite no Brasil, será transmitido para cinemas de diversos países. Será a primeira vez que uma apresentação do BTS realizada na América do Sul ganhará transmissão mundial simultânea nas telonas.

Para Ana, isso aumentou a expectativa de que São Paulo recebesse a estrutura completa da turnê.

“Por passar no cinema, transmitir mundialmente, a gente achou que ia ter a estrutura completa. O México recebeu a estrutura completa, mas chegou em Bogotá, foi para o Chile, Argentina e veio com uma estrutura muito menor”, afirmou.

Fãs querem ressarcimento

Segundo apurações do MASSA!, a indignação já deixou as redes sociais e caminha para o campo jurídico. Fãs estão reunindo informações e se articulando para a elaboração de uma ação coletiva contra a Live Nation Brasil.

Ana também pretende procurar os órgãos de defesa do consumidor caso a estrutura de quatro telas seja mantida.

“Se não tiver o adicional dos telões, eu quero, sim, parcialmente, o meu dinheiro de volta. Eu quero pagar pela estrutura que foi entregue. Porque, por essa estrutura, o valor que eu paguei não vale”, disparou.

Agora, enquanto RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jung Kook se preparam para subir ao palco na quarta-feira (28), uma parte do ARMY brasileiro prepara outro movimento fora dele.

Fonte: A Massa

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