Fim da escala 6×1 gera tempo livre, mas tensão com desemprego

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A decisão do Senado Federal sobre o fim da escala 6×1, aprovada na última quarta-feira (14) |  Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A decisão do Senado Federal sobre o fim da escala 6×1, aprovada na quarta-feira (14), foi recebida com expectativa por trabalhadores que cumprem esse modelo de jornada. Para eles, a possibilidade de ter mais um dia de descanso na semana representa a oportunidade de cuidar da saúde, resolver questões pessoais e passar mais tempo com a família, sem redução salarial.

Em entrevista ao MASSA!, Luiz Gustavo, de 31 anos, que trabalha em uma loja de departamento dentro de um shopping center, afirmou que a mudança representa uma esperança de melhora na saúde física e mental.

“A escala 6×1 afeta tanto minha saúde física quanto mental, pois a longa jornada de trabalho dificulta a realização de outras atividades importantes da vida, como cuidar da saúde, ter momentos de lazer e passar mais tempo com a família e os amigos. Muitas vezes, o único dia de folga acaba sendo insuficiente para descansar e resolver questões pessoais”, afirmou.

O trabalhador também destacou que a mudança pode beneficiar os funcionários e contribuir para uma melhor qualidade de vida. Sobre os possíveis impactos para os empresários, ele avaliou que uma boa organização das escalas pode ajudar a manter o funcionamento das lojas sem prejudicar os trabalhadores:

“Acredito que a mudança possa funcionar de maneira efetiva por meio de uma boa organização das escalas, da contratação e distribuição adequada dos funcionários e de um planejamento eficiente das folgas. Isso poderia contribuir para melhorar a disposição, a motivação e o desempenho dos trabalhadores, sem necessariamente comprometer o funcionamento das lojas.”

Já para Ana Cristina, que trabalha como domésticae é mãe de um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a possibilidade de ter mais tempo em casa representa uma oportunidade de acompanhar de perto as necessidades da família.

“Assim, eu trabalho 15 dias em casa e 15 dias no trabalho. Aí esses 15 dias, para mim, cuidaria mais dos meus filhos, da minha casa. Ter mais contato, eu tenho um filho autista e eu acho que é assim, ele precisa muito de mim. Só que ele não recebe auxílio, então eu tenho que trabalhar”, comentou Ana Cristina durante entrevista ao MASSA!.

Mãe solo na luta diária

Quem também conversou com a reportagem foi Amanda Silva, de 34 anos, estudante de Direito e negociadora em um escritório. Mãe solo de dois filhos, ela relatou que enfrenta uma rotina cansativa para conciliar o trabalho, os estudos e os cuidados com a família.

“Minha rotina é muito cansativa, mas sigo firme porque sei que meus filhos dependem de mim e quero dar a eles um futuro melhor. O fim da escala 6×1 significaria poder acompanhar mais de perto o crescimento e a vida escolar dos meus filhos, cuidar melhor da casa e também ter tempo para descansar e me dedicar aos estudos. Não quero dizer que quero ter mais folga, mas conseguir equilibrar melhor tudo que preciso fazer”, afirmou ela.

A trabalhadora também destacou a expectativa de ter mais tempo para descansar e acompanhar o desenvolvimento dos filhos. Para ela, a mudança pode ajudar a conciliar as responsabilidades diárias e garantir momentos de qualidade ao lado da família.

“Ter mais tempo com meus filhos seria uma das maiores conquistas, pois quero acompanhar de perto o desenvolvimento deles, ajudar nas atividades escolares e aproveitar cada momento em família. Como mãe solo, eu preciso dar conta de muitas coisas, e cada minuto a mais faz muita diferença. Quero ter tempo para viver, cuidar de mim e estar presente na vida dos meus filhos. Por fim, quero ter tempo de qualidade”, avaliou.

Preocupação com o desemprego

Apesar das expectativas positivas de parte dos trabalhadores, a mudança também gera preocupação em relação aos possíveis impactos na economia. Em entrevista ao MASSA!, o corretor de imóveis Manoel Sansão destacou que a redução da jornada pode ampliar o tempo disponível para o lazer e outras atividades, mas demonstrou receio de que a medida afete os empregos e o comércio.

“Eu acho que o trabalhador tem a oportunidade de maior lazer e também alguns afazeres que ele não pode fazer durante o período de trabalho. Mas é válido, agora temos que pensar também na economia, porque isso pode bater na porta do desemprego. E muita gente fica desempregada por conta dessa redução de jornada e prejudicar o comércio no todo”, considerou.

Desemprego na Bahia

De acordo com dados divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), a Bahia registrou o quarto maior saldo absoluto de empregos do país em agosto deste ano.

Já segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado registrou taxa de desocupação de 9,1% no segundo trimestre de 2026.

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O que muda com o fim da 6×1?

Atualmente, a Constituição permite uma jornada de até oito horas por dia e 44 horas semanais. Na prática, isso permite que trabalhadores cumpram expediente durante seis dias e tenham apenas um de folga.

Com a mudança aprovada pelo Senado, o trabalhador passa a ter direito a dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

A jornada também será reduzida gradualmente. Primeiro, o teto cairá para 42 horas semanais. Depois, chegará às 40 horas, mantendo o salário.

Fonte: A Massa

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