O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas durante um encontro com diplomatas realizado nesta terça-feira, 21. As declarações, porém, repetem alegações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na reunião, que contou com representantes de cerca de 50 países e organizações internacionais, Flávio afirmou que equipamentos utilizados nas eleições brasileiras teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic e citou um suposto relatório da CIA sobre vulnerabilidades no sistema eleitoral da Venezuela.
“Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação”, afirmou o senador.
TSE nega acusações
O TSE rebate a declaração e esclarece que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem desenvolve os programas utilizados nas eleições brasileiras.
“São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, informou o tribunal.
A Corte também reforça que a empresa nunca participou da programação das urnas. Segundo o TSE, a Smartmatic apenas prestou serviços de treinamento para equipes de suporte técnico e operacional e, em outra ocasião, forneceu serviços de conexão de dados e voz. Em 2020, a empresa chegou a disputar a licitação para fabricar novas urnas, mas foi derrotada pela Positivo.
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“Fiscalização ampla”
Durante o encontro, Flávio afirmou que não pretende colocar em dúvida o modelo de votação adotado no país, mas defendeu uma fiscalização internacional mais ampla.
“Então o pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar ter eleições mais seguras e transparentes”, declarou.
Flávio repete Jair Bolsonaro
As declarações lembram o episódio protagonizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, quando reuniu embaixadores para apresentar suspeitas sem provas sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Na ocasião, ele utilizou a estrutura do governo federal para divulgar as alegações, o que resultou em condenação pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível até 2030.
Ao comentar o caso, Flávio saiu em defesa do pai.
“O ex-presidente Jair Bolsonaro, ele está inelegível após uma reunião com embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação para os seus países”, disse.