Flávio Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro permaneceram em silêncio nesta quarta-feira (4) diante da derrota expressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato. O resultado representa um revés para os aliados da família Bolsonaro e pode dificultar as articulações políticas dos irmãos em território americano.
Segundo reportagem da Revista Fórum, os democratas conquistaram o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes e o Senado, além de importantes vitórias em disputas estaduais. A derrota atingiu inclusive redutos tradicionalmente republicanos.
Um dos resultados mais significativos ocorreu no Texas, estado onde Eduardo Bolsonaro está morando desde fevereiro de 2025. A democrata Gina Hinojosa venceu a disputa pelo governo estadual, derrotando o republicano Greg Abbott. Na disputa pelo Senado, James Talarico também conquistou a vitória democrata sobre Ken Paxton, encerrando uma sequência de 38 anos sem eleger um senador do partido pelo estado.
O silêncio dos irmãos chama atenção pela proximidade política que ambos mantêm com Trump, considerado um dos principais aliados internacionais do bolsonarismo. Flávio chegou aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial brasileira para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro, enquanto Eduardo já vivia no país desde o ano passado.
Democratas prometem investigar ajuda a Flávio
A vitória democrata também pode trazer consequências para Flávio Bolsonaro. Antes mesmo das eleições americanas, a deputada Pramila Jayapal anunciou que pretendia investigar uma possível participação do governo Trump na saída do senador do Brasil e na sua entrada nos Estados Unidos.
Além disso, um grupo de 25 deputados democratas encaminhou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, cobrando explicações sobre as circunstâncias da viagem de Flávio e de seus familiares. Os parlamentares questionam se autoridades americanas participaram da operação e quais justificativas foram utilizadas para autorizar a entrada do brasileiro no país.
O prazo estabelecido para que Rubio responda aos questionamentos é 13 de novembro.
Mudança política preocupa aliados de Bolsonaro
A nova composição do Congresso americano poderá ampliar a fiscalização sobre as decisões do governo Trump relacionadas ao Brasil, especialmente as iniciativas envolvendo a família Bolsonaro e as pressões contra instituições brasileiras.
Eduardo, que transformou os Estados Unidos em sua principal base de articulação política, também poderá enfrentar um ambiente mais desfavorável. O ex-deputado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e possui mandado de prisão no Brasil.
Apesar da vitória democrata, Trump continuará na Presidência dos Estados Unidos e manterá o controle do Poder Executivo. Portanto, o resultado eleitoral não provoca automaticamente a deportação ou extradição dos irmãos, mas representa um novo obstáculo político para as articulações da família Bolsonaro no país.
A derrota republicana ocorre justamente quando Flávio e Eduardo tentam fortalecer sua atuação internacional após o resultado negativo nas urnas brasileiras.
Com informações da Revista Fórum