Fóssil de escorpião gigante de 415 milhões de anos é achado por cientistas

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O fóssil de um escorpião encontrado no Reino Unido surpreendeu os cientistas. Os pesquisadores descobriram que o aracnídeo viveu antes da era dos dinossauros, há cerca de 415 milhões de anos, e foi considerado um dos maiores predadores da época. Ele media mais de um metro.

A descoberta do Praearcturus gigas, publicada na revista Palaeontology na terça-feira, 2, redefine o entendimento sobre a evolução biológica, já que o fóssil é do período Devoniano Inferior, uma época em que o ambiente terrestre ainda era novo e os animais vertebrados ainda não haviam saído da água.


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Dentro desse contexto, o tamanho desproporcional do escorpião é justamente atribuído à ausência de outros predadores que viviam nas planícies que correspondem hoje à Inglaterra e ao País de Gales.

Para Richie Howardabre, principal autor do estudo e Curador de Artrópodes Fósseis, o achado muda o que se sabe sobre a evolução desses animais.

“O Praearcturus viveu quando a vida na terra estava apenas começando e os ancestrais de répteis, mamíferos e aves ainda não haviam saído da água. Isso sugere que essa espécie pode ter crescido tanto porque não havia outros grandes predadores, permitindo que ela dominasse seu ambiente”, diz o pesquisador, em comunicado.

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Análises

Os pesquisadores compararam os fragmentos fossilizados do P. gigas ao Eramoscorpius, um achado canadense de 2015 que descrevia uma espécie ancestral de escorpiões, para chefgar ao resultado.

Ao compararem as estruturas dos fósseis, os pesquisadores identificaram no Praearcturus o mesmo esterno triangular alongado com sulco central, o qual é uma característica anatômica definitiva do grupo.

Segundo Richie, o Praearcturus tem idade semelhante à de Eramoscorpius e também possui uma dessas estruturas. “Portanto, isso demonstra, sem sombra de dúvida, que Praearcturus deve ser um escorpião”, acrescentou.

O coautor do estudo, Greg Edgecombe, especialista em artrópodes fósseis, adiciona que o Praearcturus oferece aos cientistas mais elementos para reflexão sobre a evolução inicial dos artrópodes.

De acordo com o estudioso, “as linhas que separam os artrópodes que viviam na terra e no mar eram tênues na época do Praearcturus”.

“Nossas melhores árvores genealógicas, baseadas em sequências de DNA, sugerem que os escorpiões são parentes próximos de outros aracnídeos com os quais compartilham pulmões foliáceos, como as aranhas. Isso indica que eles descendem de um ancestral que respirava ar”, disse.

O estudo mostra os desafios de sobrevivência no início da vida terrestre e identifica que o ambiente primitivo oferecia pouca biomassa para sustentar a espécie, que tinha hábitos anfíbios e usava estruturas corporais semelhantes a abas para caçar peixes.

Esse comportamento pode indicar um processo evolutivo reverso, no qual o animal retornou parcialmente à água após seus ancestrais se adaptarem à terra firme. Evidências em North Somerset sugerem que a espécie persistiu por mais 40 milhões de anos, mas a confirmação dessa longevidade depende de novos fósseis.



Fonte: A Tarde

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