A gigante britânica de telecomunicações BT comprou a rival TalkTalk por cerca de £ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões) após a empresa entrar em administração. O acordo foi fechado nesta segunda-feira, 5, e busca garantir a continuidade dos serviços para cerca de 2,5 milhões de clientes.
A aquisição ocorreu depois de um longo processo de venda da TalkTalk, que acumulava aproximadamente £ 1,5 bilhão ( R$ 9 bilhões) em dívidas e não conseguiu encontrar um comprador para o negócio.
A situação chegou a preocupar o governo britânico, diante do risco de interrupção de serviços utilizados por consumidores, empresas e setores considerados essenciais.
Empresa entrou em administração
A TalkTalk foi colocada em administração pela consultoria Alvarez & Marsal e, logo depois, vendida para a BT.
Com o negócio, a companhia britânica também assumiu a operação sem dívidas da TalkTalk Telecommunications Limited e da PlatformX Communications Limited.
A BT informou que a aquisição representa um impacto total em dinheiro estimado em cerca de £ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões) no ano fiscal de 2027, considerando o valor da operação e outros custos relacionados.
A expectativa é de que cerca de 900 empregos sejam protegidos com a compra.
Risco para milhões de clientes
A preocupação com um possível colapso da TalkTalk foi um dos fatores que levaram a BT a intervir.
A empresa tinha aproximadamente 1,5 milhão de clientes de varejo e 1 milhão de clientes atacadistas no Reino Unido. Entre as conexões atendidas estão serviços ligados a saúde, emergência, defesa, educação, transporte, bancos e governo.
Em comunicado, a diretora-executiva da BT, Allison Kirkby, afirmou que a aquisição foi considerada a única alternativa viável para manter milhões de clientes conectados.
Segundo ela, a prioridade imediata será estabilizar a TalkTalk e garantir uma espécie de rede de segurança para famílias e empresas que dependem dos serviços da companhia.
Governo acelerou análise do acordo
Em condições normais, a operação poderia passar por uma análise mais rigorosa dos órgãos reguladores e até ser barrada por questões de concorrência.
Diante da situação da TalkTalk, porém, a ministra da Cultura britânica, Lisa Nandy, emitiu um aviso de intervenção que permite considerar, além da concorrência, o impacto da operação sobre o interesse público.
A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) recebeu a determinação de apresentar um relatório sobre a concorrência até 19 de outubro. Depois disso, o governo deverá avaliar questões como saúde pública e continuidade dos serviços de banda larga.
A reguladora de telecomunicações Ofcom também afirmou que vê com bons olhos uma solução comercial que proteja os clientes e mantenha serviços de comunicação considerados críticos.
Leia Também:
Concorrente critica compra pela BT
A aquisição, no entanto, não foi bem recebida por todos no mercado.
A Virgin Media, concorrente da BT e responsável pela segunda maior rede do Reino Unido, criticou o acordo e afirmou que a operação levanta preocupações sobre o processo concorrencial.
A empresa defendeu que as regras não deveriam ser flexibilizadas para permitir que a TalkTalk fosse transferida para a BT sem um processo adequado e disse que pretende levar suas preocupações ao governo e aos reguladores.
O governo britânico respondeu que a operação ocorreu em “circunstâncias excepcionais”, devido aos riscos que uma eventual falência da TalkTalk poderia representar para serviços públicos.

TalkTalk acumulava dificuldades
Criada em 2003 pela varejista Carphone Warehouse, a TalkTalk chegou a ter mais de 4 milhões de clientes quando foi listada separadamente, em 2010.
A empresa também enfrentou problemas ao longo dos anos. Em 2015, sua reputação foi afetada por um grande ataque cibernético.
Em 2021, a companhia foi comprada pela Toscafund Asset Management por £ 1,1 bilhão (R$ 6 bilhões), com apoio do fundador da Carphone, Charles Dunstone. Mais tarde, a norte-americana Ares Management se tornou uma das principais investidoras.
Nos 12 meses anteriores à aquisição pela BT, a TalkTalk registrou receita de £ 1,2 bilhão (R$ 6,7 bilhões), mas seguia operando com perdas.
Para o analista de telecomunicações Kester Mann, da FDM CCS Insight, a situação representa o fim de uma trajetória difícil para uma das empresas de banda larga mais conhecidas do Reino Unido.
O que acontece agora?
A BT e a TalkTalk devem continuar operando separadamente enquanto a transação passa pela análise regulatória.
A BT confirmou que Clive Selley, ex-chefe da Openreach, ficará responsável pelo planejamento da estabilização e integração da aquisição.
A companhia também manteve suas projeções financeiras para o ano fiscal de 2027, sem considerar os efeitos da compra da TalkTalk.
Após a conclusão do processo regulatório, a BT espera integrar gradualmente os negócios e aproveitar possíveis sinergias da operação.